Ataque a direitos indígenas é denunciado na COP 21

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Lideranças brasileiras se reuniram hoje durante a Conferência do Clima (COP 21) em Paris para denunciar uma série de iniciativas do governo federal e do Congresso nacional que ferem os direitos indígenas, como a PEC 215, que pretende rever a demarcação de terras indígenas, e uma Medida Provisória (MP) proposta pelo governo federal que permite o avanço de grandes projetos de infraestrutura dentro de terras indígenas. Estavam ´presentes Maria Leusa Kaba Munduruku, liderança do povo Munduruku, Antonia Melo, do movimento Xingu Vivo, o cacique Raoni, do povo Kayapó, e o deputado do PSOL Ivan Valente.

Confira a seguir as principais falas:

Maria Leusa Kaba Munduruku, liderança do povo Munduruku na resistência contra a construção de uma série de hidrelétricas no rio Tapajós. Ela está em Paris para receber o Prêmio Equador, das Nações Unidas, em reconhecimento ao povo Munduruku pela luta em defesa de seu território

“Esse governo nos ameaça. Ele querer tirar nossa terra, que é nossa mãe. Querem matar o lugar onde cultivamos nossa vida. Não adianta vir com dinheiro. Não vamos trocar nossa mãe por dinheiro. O governo não vai fazer projetos em nosso território, não vamos deixar. Homens, mulheres e crianças estão prontos para a guerra”.

“Pedimos aos alemães e chineses [empresas estrangeiras] que estão ajudando a construir as hidrelétricas no rio Tapajós que não façam isso. Nós viemos aqui pedir isso para vocês. Nós queremos viver, somos humanos. Não queremos o que é do governo. Por que eles querem tirar o que é nosso?”.

Raoni Metuktire, cacique Kayapó

“Vim para denunciar a PEC 215, Belo Monte e tudo o que o governo vem fazendo com os índios no Brasil. Esse governo quer tirar os nossos direitos que estão escritos na Constituição. A PEC 215 vai servir para eles explorarem nossas terras, para fazer hidrelétricas. Isso vai matar nossa terra e vai ser um problema para o Brasil e para o mundo, porque vão acabar com a florestas.

“Sobre a MP, não adianta querer dar dinheiro para pagar os problemas que eles nos causam, nós queremos nossa terra. Não vamos ficar quietos. Não vamos viver e nem morrer em silêncio”.

Antônia Melo, liderança do Movimento Xingu Vivo, que resiste à construção da hidrelétrica de Belo Monte e denuncia as irregularidades cometidas pela obra

“Belo Monte é um projeto de insanidade e de morte. Mas não é fato consumado e não será nunca. Eles estão construindo um projeto que é da ditadura. E com esses projetos tudo o que é ruim acontece junto. Desmatamento, madeira ilegal, morte dos animais. E as pessoas também sofrem com o aumento do uso de drogas, problemas na saúde, na moradia, aumento da prostituição e da violência nas cidades onde esses projetos chegam”.

“A mineração está por trás desses projetos. O governo se alia a empresas para saquear a natureza e a vida das pessoas. Hoje existem mais de 40 barragens projetadas na Amazônia e mais de 2000 pedidos de mineração na Amazônia. Não é coincidência, uma coisa está ligada à outra”.

Ivan Valente, deputado federal pelo PSOL

“Vim para mostrar que os índios estão sendo atacados no Brasil. A PEC 215 significa tirar os direitos deles e significa que nunca mais haverá (novas) terras indígenas no Brasil. Esse ataque não é apenas aos índios, mas às futuras gerações. Os índios guardam a floresta”.

“O Brasil está votando uma nova lei para licenciamento ambiental. Com ela, em oito meses se poderá liberar construções de infraestrutura, como hidrelétricas, sem consulta. Somos contra as obras de hidrelétricas na Amazônia”.

Fonte: Greenpeace Brasil

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