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Seja aqui ou seja na Europa, o povo Munduruku cumpre o importante papel de denunciar o descaso do governo brasileiro em relação aos direitos indígenas

Liderança Munduruku em reunião com seu povo, Brasília, DF - 7/12 (© Julia Moraes / Greenpeace)
Liderança Munduruku em reunião com seu povo, Brasília, DF – 7/12 (© Julia Moraes / Greenpeace)

Não há distância que pare a luta e a resistência do povo Munduruku, originário da região do rio Tapajós. Paralelo a uma agenda internacional na 21ª Conferência do Clima da ONU (COP 21) para denunciar o desrespeito do governo brasileiro aos direitos indígenas – que inclusive rendeu prêmio aos Munduruku –, cerca de 100 lideranças da etnia chegaram ontem à Brasília, onde devem realizar reuniões com órgãos do governo e também manifestações até o fim dessa semana.

Sem contar a travessia do Oceano Atlântico para a Europa, esse esforço nacional de cruzar 2,5 mil quilômetros entre suas aldeias e a capital do país é um ato de muita força – e não só física, mas política. Para eles, quando o assunto é PEC 215 (proposta de mudança à Constituição que dá ao Congresso a palavra final na demarcação de terras), o complexo de Usinas Hidrelétricas de Tapajós ou a paralisação do processo de demarcação da Terra Indígena Sawré Muybu, seu território sagrado, a resistência é até o fim.

A comitiva Munduruku chegou na manhã de ontem e durante a tarde seguiu acompanhada de lideranças dos povos Xerente, Krahô, Xavante, Canela, Apinajés, Carajá e Avá-Canoeiro para a Fundação Nacional do Índio (Funai), reivindicar uma reunião com o presidente do órgão, João Pedro da Costa.

Os indígenas foram recebidas pelo Diretor de Proteção Territorial da Funai, Walter Coutinho, e questionaram a ausência do presidente, que estaria em reunião. Júlio Krahô, um dos caciques de seu povo, perguntou ao diretor: “Se você chega na minha aldeia e quer falar com o cacique, eu não mando um representante; eu terei o prazer em te receber e conversar. Por que então o presidente manda seu diretor?”

O pedido para uma reunião nesta quarta-feira foi encaminhado ao presidente da Funai. No início da noite, Adalto Munduruku, líder dos guerreiros, e Juarez Munduruku, cacique de uma das tribos do povo, se reuniram com o Grupo de Trabalho da ONU Sobre Direitos Humanos e Empresas Transnacionais. O Complexo de cinco hidrelétricas planejado para o rio Tapajós conta com o apoio de empresas nacionais e internacionais que ignoram os passivos socioambientais deixados por essas grandes obras.

De hoje até sexta-feira a comitiva Munduruku deve cumprir agenda no Congresso, em Ministérios e órgãos do governo, além de protestos contra a PEC 215, na Esplanada dos Ministérios, e o Supremo Tribunal Federal.

Fonte: Greenpeace Brasil

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