‘O Brasil não precisa das hidrelétricas no Tapajós’, diz pesquisador da USP

Especialista participou de audiência pública realizada em Santarém. Evento debateu possíveis impactos com construção de hidrelétricas.

Vista do rio Tapajós; governo planeja usina em uma das regiões mais preservadas da Amazônia (Foto: Greenpeace Fabio Nascimento)
Vista do rio Tapajós; governo planeja usina em uma das regiões mais preservadas da Amazônia (Foto: Greenpeace Fabio Nascimento)

“O Brasil não precisa das usinas hidrelétricas no Tapajós. O Brasil não precisa de usinas hidrelétricas, não precisa de mais energia”, afirmou em entrevista a TV Tapajós o professor do Instituto de Energia e Ambiental da Universidade de São Paulo (USP), Célio Bermann, convidado pelo Ministério Público Federal do Pará (MPF) para participar da audiência pública realizada nesta sexta-feira (29), em Santarém, oeste do Pará.

O evento, que teve grande participação da população, discuti os possíveis impactos ambientais com a construção da Usina Hidrelétrica de São Luiz do Tapajós. Lideranças indígenas, entidades não governamentais, cientistas e pesquisadores também estiveram presente.

Bermann relatou o receio que tem quanto as usinas hidrelétricas previstas para serem construídas no Rio Tapajós. No projeto do governo federal, ele afirma que a usina de São Luiz do Tapajós deve ser a primeira a ser construída. “Nós temos um problema sério atualmente em relação a dinâmica econômica. A crise faz com que sejamos obrigados a buscar recursos para o aumento da oferta de energia elétrica no exterior, no caso das usinas do Tapajós, aparentemente são os chineses que estão promovendo os projetos e possibilitando sua execução. Não creio que eles tenham experiência para lidar com as questões de complexidade social e ambiental desta região, e por isso eu apresento meu temor de que esses projetos sejam constituídos”.

De acordo com o pesquisador da USP, a energia elétrica quando produzida não vai apenas para as casas. Bermann informou que 50% de toda produção é destinada às indústrias, e somente 22% da demanda da eletricidade é destinada para a população. “É falso dizer que a usina atende a população brasileira. Ela pode atender 22% em função dessa conta que estou apresentando (…). Nós precisamos tratar de rever a nossa demanda por eletricidade. É falso dizer que a usina de São Luiz do Tapajós, com cerca de 6 mil megawatts seja capaz de fornecer para não sei quantos milhões de brasileiros”, revelou.

Prejuízo econômico

A mestre em Ciências Ambientais, Camila Jericó-Daminello, especialista na avaliação e valoração de serviços ecossistêmicos destacou sobre o estudo da organização Conservação Estratégica (CSF) que ela está conduzindo sobre a hidrelétrica.

Audiência contou com participação da população, lideranças indígenas e outras autoridades (Foto: Reprodução/TV Tapajós)
Audiência contou com participação da população, lideranças indígenas e outras autoridades (Foto: Reprodução/TV Tapajós)

Durante exposição, Camila ressaltou os prejuízos econômicos que a população terá com a instalação da usina. “É uma renda de subsistência. Eles vivem dos produtos retirados da floresta e do rio. Isso é importante para as populações locais. Com a construção vai ter o desmatamento, isso reduzirá o acesso aos recursos naturais. Em alguma parte deixarão de ter acesso, uma perda econômica para as famílias. Vai ser necessário a compra do pescado. São pessoas da zona rural, ribeirinhos e indígenas. Mais de 27 mil famílias deixariam de ter acesso aos recursos naturais em 50%, em um ano uma família perderia quatro mil reais”, avaliou.

O procurador da república, Camões Boaventura preferiu não dizer quais medidas o órgão pretende tomar após a audiência. “A preocupação do MPF, sobretudo, é que haja observância da legislação, da constituição federal, legislação ambiental e normativa internacional. Quanto aos impactos são os mais diversos possíveis”.

Fonte: G1

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