Sema diz que mortandade de peixes no Araguari pode ter sido ‘proposital’

Governo afirma que por enquanto não existem provas contra hidrelétrica. Peixes apareceram mortos próximo a usina no rio Araguari, no Amapá.

Peixes foram achados mortos próximo a hidrelétrica no Amapá (Foto: Divulgação/Imap)
Peixes foram achados mortos próximo a hidrelétrica no Amapá (Foto: Divulgação/Imap)

A maneira como apareceram os peixes mortos na terça-feira (19) no rio Araguari, em Ferreira Gomes, a 137 quilômetros de Macapá, chamou a atenção da Secretaria de Meio Ambiente (Sema) para a possibilidade de as espécies terem sido despejadas propositalmente no rio, segundo o secretário de Meio Ambiente, Marcelo Creão.

Ele informou que análises preliminares mostraram que os peixes não apresentavam sinais semelhantes aos dos animais encontrados nas outras quatro mortandades registradas próximo a hidrelétrica Ferreira Gomes Energia, em 2014 e 2015.

O registro de peixes mortos feito por moradores na terça-feira ocorreu próximo a hidrelétrica Cachoeira Caldeirão, região afastada da sede do município. Conforme Creão, os peixes não apresentavam bolhas embaixo das peles, olhos sobressaltados e não foram localizados espalhados ao longo do rio.

De acordo com o secretário de Meio Ambiente, as características verificadas no local somadas à falta de manobras na hidrelétrica e relato de moradores indicando uma atitude proposital fez com que o governo minimizasse a possibilidade de culpa do empreendimento instalado no rio Araguari.

“Nós não temos nenhuma evidencia comprobatória de que seja da hidrelétrica. Existem relatos, com visita dos técnicos, de que houve casos de moradores insinuando uma deposição proposital desses peixes. Então, nesse momento, o Imap [Instituto de Meio Ambiente do Amapá] está muito sereno e tranquilo, trabalhando com informações técnicas e buscando informações em nível federal”, comentou o secretário.

Outra mudança na última mortandade em relação às demais, segundo o secretário, diz respeito à quantidade de peixes encontrados. Foram pouco mais de 300, a maioria ainda filhote, conforme o Imap.

“Verificamos que a quantidade de peixes foi infinitamente menor. Foram 300 indivíduos de várias espécies e ainda temos informações protocolizadas no Imap de que não houve movimentação [na hidrelétrica] que pudesse causar esses danos. As ensecadeiras, que poderiam ser o principal fator da mortandade de peixes junto com a máquina que gera energia, não estavam sendo mobilizadas, sem atividade de construção”, pontuou Creão.

Morte de peixes

Em 2014 foram registradas três ocorrências de mortes de peixes na orla de Ferreira Gomes. O Imap emitiu um laudo, à época, descartando qualquer tipo de poluição na água por causa da característica do rio, que tem grande capacidade de diluir substâncias.

A primeira vez que os peixes apareceram mortos foi em agosto de 2014. Os outros registros ocorreram em outubro e novembro, no mesmo local. Pescadores chegaram a realizar um protesto no município por causa dos prejuízos para a atividade. Em 2015, as mortes foram em novembro.

Por: Abinoan Santiago
Fonte: G1

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