Pecuária no Pará: “Estamos dizendo ao Brasil e ao mundo que nós respeitamos as leis”, entrevista com Luciano Guedes

Desde o dia 15 de fevereiro todo produtor com mais de mil cabeças de gado precisará estar em dia com o registro do Cadastro Ambiental Rural (CAR) para conseguir a emissão do seu Guia de Trânsito Animal – documento que possibilita a comercialização do animal.

O prazo vale só para o estado do Pará que resolveu sair na frente para garantir que sua produção estará respeitando a legislação ambiental e social, além de condicionar a emissão da guia, obrigando o produtor a oficializar a regularização de sua área caso queira manter seus negócios. O restante do país tem até maio deste ano.

Geralmente responsabilizados pelos índices de desmatamento na floresta Amazônica a medida pretende justamente convidar os produtores a transformarem essa imagem. “Nós vamos provar para o Brasil e para o mundo que nós produzimos de forma sustentável ambientalmente, respeitamos a legislação trabalhista e evidentemente temos viabilidade econômica”, afirma Luciano Guedes da Agência de Defesa Agropecuária do Estado do Pará (Adepará).

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Ele esteve presente no evento que aconteceu na semana passada em São Paulo. Organizado pela Amigos da Terra – Amazônia Brasileira e pela National WildFire Federation o encontro resultou na criação do Grupo de Trabalho Fornecedores Indiretos na Pecuária Sustentável, que pretende justamente discutir a sustentabilidade na cadeia. A fundação Gordon And Betty Moore Fundation também apoio parte do evento Guedes que já foi produtor afirma que antes de entender completamente o assunto possuía receio com a temática. “Eu como todo produtor no inicio tinha também resistência quanto ao entendimento da importância de uma medida dessa natureza”, afirma. Mas garante que pra quem já cumpre a lei o trabalho consiste em apenas colocar tudo no papel.

Leia a entrevista:

luciano guedesAmazônia.org – Como foi a recepção dos produtores quando foi iniciado esse projeto no Pará? Tiveram alguma dificuldade?

Luciano Guedes – Toda mudança tem resistências, mas essa adequação – que na verdade não é uma mudança – é para o bem da cadeia produtiva da pecuária no Pará. O Estado produz três vezes mais do que consome, então dependemos muito do mercado nacional e do mercado externo. O Governo do Estado tomou a decisão de quebrar os preconceitos que tem o mercado para com os produtores rurais paraenses. Nós vamos provar para o Brasil e para o mundo que nós produzimos de forma sustentável ambientalmente, respeitamos a legislação trabalhista e evidentemente temos viabilidade econômica. Vamos crescer dentro dessa filosofia. Então essa é a tese que hoje defende o governo do Estado do Pará e o governador Simão Jatene.

O que mais destaca é que a medida justamente usa as medidas legais já existentes e vinculas elas. Por que acha que outros estados não tomam essa iniciativa?

É uma decisão de governo. Nós estamos tomando a dianteira do Brasil.

Muitas das nossas decisões administrativas já têm respaldo legal. A questão do CAR Federal tem um prazo maior pra ser implementado no Brasil e nós estamos reduzindo os prazos do CAR quando exigemos a emissão da Guia de Trânsito Animal para propriedades que têm mais de mil animais a partir de agora em fevereiro. Com isso os produtores ganham porque o estado sai na frente com a certificação ambiental da sua produção.

Estamos dizendo ao Brasil e ao mundo que nós respeitamos as leis e que o estado do Pará, com o potencial que tem de aumento de produção e da produtividade, como a última grande fronteira sustentável da produção do agronegócio nacional, se tornará um grande produção de alimentos para o Brasil e para o mundo.

Vai existir algum selo ou certificação que ateste?

Esse é um segundo momento, porque não queremos discriminar, principalmente o pequeno do grande. Como nós dividimos em etapas a implementação do programa, só em julho de 2017 é que teremos 100% dos produtores com seus cadastros ambientais para a emissão do seu GTA. Agora são os produtores de escala maior. Vamos discutir o selo em 2017, já com toda a cadeia produtiva com emissão de CAR.

E os produtores estão procurando vocês para se regularizarem ou vocês estão visitando os produtores?

Temos programas para agricultores de pequena escala. Agricultura e pecuária de pequena escala. Para os médios e maiores produtores nós entendemos que eles têm capacidade gerencial, financeira de cumprir a legislação que ai está. Não é complexa, não é difícil de elaborar os documentos necessários. Por isso nós focamos nessa agricultura familiar, e não só familiar, mas nessa agricultura e pecuária de pequeno volume, de pequeno mercado.

Como foi pra você que já foi um produtor no estado e agora precisa defender o tema ambiental?

Eu como todo produtor no inicio tinha também resistência quanto ao entendimento da importância de uma medida dessa natureza. Hoje, passado esse período de maturação da ideia eu pude observar que os benefícios para o produtor serão muito maiores que o trabalho de cumprir o que estabelece esse protocolo de ações necessárias ao cumprimento da lei.

A gente já cumpria a lei, quando nós entendemos que já cumprimos a lei, o que estamos agora é divulgando esse cumprimento. Colocando no papel, estabelecendo normas e protocolos de uma lei que já estamos cumprindo. Então altera muito pouco para o produtor que já está dentro da legislação.

Fonte: Amazônia.org

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