Rumo ao Norte

O Pará tem tudo para se tornar a mais eficiente rota de exportação das commodities agrícolas

A agenda de investimentos em novos projetos de logística portuária, incluídos os leilões de arrendamento de áreas para terminais a partir de março, garantirá o protagonismo do Pará na consolidação do

"O governo constrói um ambiente favorável ao investimento", diz o ministro da Secretaria de Portos
“O governo constrói um ambiente favorável ao investimento”, diz o ministro da Secretaria de Portos

Arco Norte como alternativa para o escoamento da produção de grãos da Região Centro-Oeste.

A opinião é consenso entre autoridades, empresários da indústria e do agronegócio presentes no seminário Diálogos Capitais – Setor Portuário: Desafios e Oportunidades, promovido por CartaCapital na quinta-feira 3, em Belém.

Para o ministro Helder Barbalho, da Secretaria de Portos da Presidência da República, “o governo está construindo um ambiente favorável ao investimento”. O Pará tem hoje uma carteira de investimentos na área de logística superior a 22 bilhões de reais. “Só no setor portuário, o montante a ser aplicado em obras e equipamentos chega a 5,3 bilhões.

Os restantes 16,9 bilhões serão destinados a rodovias, ferrovias e hidrovias”, afirmou o ministro na apresentação sobre a carteira de investimentos da SEP, incluído o leilão de arrendamento de seis áreas para terminais portuários marcado para o dia 31 de março na BM&FBovespa, em São Paulo.

Durante o seminário, o ministro anunciou o ingresso de mais 167 milhões de reais de investimentos privados para o setor portuário no estado do Pará. No local do evento, assinou dois termos aditivos de expansão de futuros terminais portuários da Hidrovias do Brasil em construção no Porto de Vila do Conde, no município de Barcarena, e em Miritituba, distrito do município de Itaituba.

O projeto do corredor logístico da HBSA prevê um investimento total da ordem de 1,4 bilhão de reais, divididos em três pilares: a estação de transbordo de cargas de Miritituba; o terminal de uso privativo de Vila do Conde; e encomendas de barcaças e empurradores, que formarão os comboios de transporte de carga de grãos pela Hidrovia do Tapajós.

Com os novos investimentos, segundo o ministro, o Pará se fortalece como a mais competitiva rota logística para escoar a safra de produtores da Região Centro-Oeste. “A alternativa do Arco Norte está consolidada e é seguramente o caminho para o desenvolvimento da nossa economia”, assegurou Barbalho. A crise no setor portuário não existe, disse o ministro, muito menos no Pará.

“O movimento é de crescimento continuado.” De 2003 a 2014, a movimentação portuária do Brasil aumentou 70%. Neste ano, deve crescer 4,8%. Miritituba foi o porto de maior crescimento do fluxo de cargas no estado, com expansão de 24,9% na movimentação de cargas entre 2010 e 2015, bem acima do porcentual de aumento de toda Região Norte, de 14,3%.

O crescimento tem, entretanto, os seus problemas. De acordo com o Plano Nacional de Logística Portuária, está previsto um aumento de 103% na movimentação nacional de cargas entre 2015 e 2042, período das novas concessões.

Com a atual capacidade e a expansão projetada para a produção nacional de granéis sólidos, há perspectiva de se atingir um déficit de 7 bilhões de toneladas. Segundo Barbalho, “só no cluster de Maranhão-Vila do Conde, teremos 54,7 milhões de toneladas demandadas para a região nos próximos 25 anos, por isso temos de gerar novas operações de escoamento logístico. Se não conseguirmos colocar em funcionamento os novos portos, não atenderemos a essas novas demandas, fundamentais para o fortalecimento da economia”.

Segundo o ministro, o portfólio de investimentos prevê a aplicação de 51,28 bilhões de reais, dos quais só 4,2 bilhões são recursos públicos, para obras de dragagem dos portos. O restante é investimento privado.

Serão aplicados 19,67 bilhões em novos terminais privados e 16,24 bilhões em novos arrendamentos, sendo 11,34 bilhões em áreas novas ou projetos greenfield, e 11,11 bilhões em renovações contratuais. “Além de gerar milhares de empregos na construção e na operação dos portos, os investimentos permitirão que o estado do Pará possa agregar diversas oportunidades de negócios à sua economia. Um exemplo são os investimentos em estações de transbordo, construção de barcaças, empurradores e de novos estaleiros”, afirmou Barbalho.

Trata-se de uma oportunidade singular para a economia do Pará, confiam empresários dos segmentos industrial e do agronegócio participantes do evento. “É de fundamental importância ter essa logística implantada”, segundo Carlos Xavier, presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Pará. “Não só a logística de portos é importante, mas também a de ferrovias e rodovias.”

Para José Maria Mendonça, vice-presidente da Federação das Indústrias do Pará, “as regiões Sul e Sudeste podem fazer projetos para modernizar a logística de escoamento da produção, mas a saída é o Arco Norte”.

O Porto de Espadarte, no município paraense de Curuçá, tem localização privilegiada por ser o mais próximo do Atlântico Norte. “O nosso objetivo é implementar todos os esforços possíveis para sermos protagonistas, ao lado dos governos federal e estadual, na criação de uma infraestrutura logística que facilite a verticalização das nossas commodities”, afirmou o vice-presidente da Fiepa.

Os avanços registrados nos últimos meses na concessão de portos devem-se a vários financiamentos, privados e governamentais, inclusive o Programa de Aceleração ao Crescimento (PAC), que tem suas demandas de recursos vinculadas à agenda dos projetos de logística.

Segundo Maurício Muniz, secretário do PAC, a nova etapa de concessões do Programa de Investimentos em Logística conta com investimentos projetados da ordem de 198,4 bilhões de reais, dos quais 66,1 bilhões destinados a rodovias, 86,4 bilhões a ferrovias, 37,4 bilhões a portos e 8,5 bilhões a aeroportos.

“Temos duas ações estratégicas importantes para consolidar o papel do Arco Norte no desenvolvimento do País, a conclusão do trecho da Rodovia BR-163, entre Miritituba e Santarém, e o derrocamento do Pedral do Lourenço, que vai garantir a navegabilidade do Rio Tocantins.”

A Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (Sudam) desempenha também um papel essencial para promover o crescimento econômico da região por meio de projetos estruturantes, avalia Paulo Roberto Correia da Silva, superintendente da instituição.

Em nove anos, o Fundo de Desenvolvimento da Amazônia, administrado pela Sudam, investiu cerca de 4 bilhões de reais, com a geração de investimentos totais de 21 bilhões, incluídos os recursos próprios e aqueles de outras fontes. Só no Pará, o volume de recursos atingiu 1,2 bilhão em projetos de produção de óleo vegetal, metalurgia e transmissão de energia. “Buscar eficiência nos instrumentos de logística será o nosso grande diferencial”, afirmou Silva.

O Banco da Amazônia, segundo Marco Aurélio de Queiroz Campos, diretor de análise e reestruturação, aplicou mais de 1 bilhão de reais em várias operações de logística no Arco Norte, inclusive em terminais de transbordo, unidades privadas, embarcações e empurradores.

Por: Genilson Cezar
Fonte: Carta Capital

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