Avaliação do resultado de fertilização por CO2 em floresta

A edição de 6 de maio da revista Science traz a reportagem Amazon rainforest to get a growth check sobre o experimento AmazonFACE, que tem como um de seus coordenadores David Lapola, professor do Departamento de Ecologia do Instituto de Biociências da Unesp de Rio Claro. Acesse a reportagem: http://science.sciencemag.org/content/352/6286/635 O projeto Amazon FACE (Free Air CO2 Enrichiment), implantado na Reserva Biológica do Cuieiras (ZF2), do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI), tem como objetivo avaliar o potencial de fertilização de gás carbônico (CO2) no possível aumento na produção de fotossíntese, eficiência do uso da água, o destino do carbono adicional nas folhas, troncos e raízes, mudanças na composição da comunidade biológica e impactos nos estoques de carbono e outros nutrientes do solo.

O projeto Amazon FACE será composto de quatro áreas de controle – de tamanho aproximado de 700 m² – isoladas por tubulações que irão borrifar gás carbônico para o interior das áreas circulares de floresta natural da Reserva Biológica do Cuieiras (BR174 Manaus – Boa Vista, Km 50) onde será verificadas todas as reações da floresta ao aumento da concentração desse gás.

Além da Unesp e do Inpa, o Oak Ridge National Laboratory (ORNL) e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) participam do projeto.

O projeto

De acordo com o pesquisador do Inpa e um dos responsáveis pelo planejamento do projeto, Antonio Manzi, esse tipo de experimento já vem sendo realizado nas regiões temperadas. “Agora queremos avaliar quais serão os efeitos nesta região onde o clima é equatorial. Pretendemos aumentar a concentração de gás carbônico atmosférico em 40%, 50% da concentração atmosférica atual, em quatro áreas de mais ou menos 700 m²,e assim verificar de que forma a floresta vai reagir a estas condições”, avaliou Manzi.

“Nos experimentos vamos simular até que ponto a floresta amazônica consegue absorver o excesso de gás carbônico emitido pelas atividades humanas, e assim verificar os efeitos que podem ser benéficos, como maior produção de biomassa e menor perda de água das folhas. Agora se o efeito for fraco, significará que a floresta estará mais suscetível ao aumento de temperatura e a maior variabilidade interanual dos regimes de chuvas previstos pelos modelos climáticos”, explicou o pesquisador da Unesp, David Lapola.

De acordo com os pesquisadores envolvidos no projeto, essa quantidade excessiva de gás carbônico na atmosfera pode ser benéfica para a floresta no processo de fotossíntese. “Em geral quanto mais gás carbônico na atmosfera menos os estômatos – estrutura da epiderme de parte aéreas das plantas responsável pelas trocas gasosas entre a planta e ar atmosférico – precisam abrir para capturá-lo, e portanto perde menos água por transpiração, o que significa uma melhora na eficiência do uso da água, e isso pode ser um fator muito importante nos cenários futuros de mudanças climáticas”, explica Manzi

Efeito estufa

Hoje em dia o gás carbônico é o gás que é liberado em maior quantidade pelas atividades humanas, principalmente pela utilização de combustíveis fósseis, e tem a propriedade de absorver a radiação emitida pela superfície da Terra, segundo Manzi. Os pesquisadores alertam que o aumento da concentração desse gás na atmosfera intensifica o efeito estufa natural da atmosfera.

“O que esta provocando as mudanças climáticas globais são as emissões de gases do efeito estufa, como vemos frequentemente na mídia. O homem vem retirando uma grande quantidade de carvão mineral, de petróleo, de gás natural do subsolo, e quando queima esses combustíveis para gerar energia acaba produzindo e liberando esses gases para atmosfera, e o de maior quantidade é o gás carbônico”, alerta Manzi.

Decorrente da queima de combustíveis fósseis desde o início da era industrial e mudança de uso da terra, principalmente dos desmatamentos das regiões tropicais, a concentração de dióxido de carbono na atmosfera aumentou cerca de 40%, segundo dados de monitoramento global de CO2.

“E aqui na Amazônia esse processo de intensificação do efeito estufa, devido todos esses gases emitidos desde o século 18, pode prejudicar o processo de fotossíntese por conta do aumento de temperatura que provoca, que pode tornar esse processo menos eficiente. Por outro lado o aumento da concentração de CO2 pode beneficiar o processo de fotossíntese, que é um dos principais aspectos a ser quantificado no experimento”, explanou o pesquisador do Inpa.

Fonte: Assessoria

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