Walmart assume política de Desmatamento Zero para toda a carne vendida nas lojas

Empresa se comprometeu a entregar à seus clientes a garantia de origem de toda carne que vende até 2017.  Anúncio é resultado de pressão do Greenpeace e de consumidores

Área desmatada e queimada, no Pará, para receber gado.  (© Lunae Parracho / Greenpeace)
Área desmatada e queimada, no Pará, para receber gado. (© Lunae Parracho / Greenpeace)

O Walmart tornou pública, na manhã desta quarta-feira (25), sua política de compra de carne bovina, que visa impedir a entrada de produto com origem no desmatamento e outras violações socioambientais na Amazônia. A empresa apresentou também as ações de comunicação que pretende colocar em prática para informar seus consumidores sobre a origem do produto, em resposta a campanha Carne ao Molho Madeira, lançada pelo Greenpeace no final do ano passado.

Uma das novidades do anúncio é o compromisso de ampliar o monitoramento de carne bovina. O procedimento, que já era obrigatório para fornecedores da Amazônia, será exigido para 100% do volume comercializado. A expectativa da rede é entregar ao consumidor a garantia de origem de toda carne até 2017.

“Ao publicar sua política de compras de carne bovina e reafirmar o compromisso com Desmatamento Zero, o Walmart demonstra que a companhia está atenta às demandas da sociedade e que está disposta a avançar na direção em que a floresta precisa”, afirma Adriana Charoux, da Campanha da Amazônia do Greenpeace.

A empresa passará a exigir o Desmatamento Zero e demais critérios do Compromisso Público da Pecuária também para fornecedores que operam fora da Amazônia, o que significa que, agora, o Desmatamento Zero passa a ser regra para as compras da rede em todo o Brasil. O anúncio confirma que, além de inaceitável o desmatamento não é mais necessário.

Em novembro do ano passado o Greenpeace publicou o relatório Carne ao Molho Madeira no qual analisou e ranqueou os maiores supermercados do país de acordo com suas políticas de compra de carne bovina da Amazônia. Dentre os três líderes do mercado, o Walmart obteve a melhor avaliação, com problemas no quesito transparência. Com o anúncio de hoje, a empresa endereça as questões apontadas, como a de tornar pública a política de compras e comunicar o consumidor final no ponto de venda.

Após longo período para implantar o sistema (mais de 5 anos), o Walmart estabeleceu em 2013 uma política interna de compra de carne baseada nos critérios mínimos do Compromisso Público da Pecuária, solicitando dos frigoríficos que atuam na Amazônia o controle das fazendas de fornecimento direto, para evitar a contaminação por violações socioambientais tais como qualquer tipo de desmatamento, uso de trabalho escravo, invasão de terras indígenas e unidades de conservação, grilagem de terra e violência no campo. Desde o final de 2015, os dados de fornecedores de carne bovina com plantas frigoríficas no bioma Amazônia estão inseridos na ferramenta de gestão de risco e compra baseada em tais critérios socioambientais. A rede vem monitorando cerca de 75 mil fazendas que fornecem diretamente gado para 30 plantas frigoríficas que operam na Amazônia.

A pecuária continua sendo a atividade que mais desmata a floresta, ocupando 60% das áreas abertas na Amazônia, segundo dados oficiais do governo federal. É também a atividade que mais utiliza trabalho escravo na região norte. Os supermercados sabem disso, e sabem também que, como um dos principais consumidores dos frigoríficos brasileiros, são decisivos para virar a mesa do desmatamento na Amazônia. Ações como as apresentadas pelo Walmart mostram que essa mudança é possível.

O restante do setor que ainda não se comprometeu com o Desmatamento Zero deve fazer isso o mais rápido possível. A sociedade não quer mais desmatamento e vem deixando isso claro. O mercado deve agora ouvir o chamado dos consumidores e assumir sua parte na responsabilidade de trabalhar por uma chance de futuro.

À sociedade cabe o dever de reavaliar seus próprios hábitos de consumo. Reduzir o consumo de carne e buscar novas opções de alimentação é bom para o meio ambiente e para a saúde.

Fonte: Greenpeace 

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