Instalação de painéis solares é opção viável para roraimenses

Com as constantes quedas de energia, população procura por medidas alternativas para geração de energia A população roraimense já está acostumada a escutar diversas soluções para a questão energética no Estado, como a criação das termelétricas e a ligação com o Sistema Interligado Nacional (SIN). No entanto, as medidas que aparentam ser das mais favoráveis são as ligadas ao ecologicamente correto, como as produções eólica e solar, que utilizam o vento e a luz do sol para gerar energia.

Com base nesta necessidade e tendência de mercado, aliado com o fato de que especialistas avaliam Roraima como o estado brasileiro mais propenso a desenvolver energia solar em razão da sua proximidade com a Linha do Equador, o empresário Antônio Mendonça, engenheiro eletrônico e proprietário de uma empresa especializada em serviços de energia e segurança há mais de 16 anos em Boa Vista, iniciou o processo de treinamento técnico e investimento em equipamentos para providenciar o serviço de instalação de painéis que garantem a produção de energia solar nas residências.

Segundo o empresário, a decisão de atender este nicho do mercado também cresceu após a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) fazer alterações na Portaria nº 482/2012, que estabelece condições gerais para o acesso de microgeração e minigeração distribuída aos sistemas de distribuição e compensação de energia elétrica, em novembro do ano passado. As mudanças, que passaram a valer em março deste ano, tratam exatamente do sistema de compensação de energia elétrica e como o consumidor pode instalar pequenos geradores, como os painéis solares e turbinas eólicas, para diminuir o índice do consumo.

“A Alemanha já tem 30 anos de energia solar com menos da metade da incidência solar que nós temos aqui no País. O Japão e a Espanha, e muitos outros países que têm pouca incidência de sol, já produzem e usam muito mais do que nós. O Brasil está atrasado nessa questão”, relatou Mendonça.

INSTALAÇÃO

O engenheiro esclareceu que para aqueles que desejam fazer a instalação dos painéis solares, existem dois tipos sistemas: o “on-grid” e o “off-grid”. O sistema “on-grid”, que significa algo como “ligado à rede”, é o mais comum na área urbana. Para fazer uso do serviço, o consumidor deve solicitar, em uma empresa especializada, um orçamento da instalação. Em seguida, será elaborado um projeto dentro das normas da Aneel calculando a média do consumo da residência e a instalação de um relógio bidimensional pela Eletrobras Distribuição Roraima.

O relógio será o responsável pela medição do consumo e produção de energia gerada no local especificado, ou seja, a energia solar estará conectada a uma rede central de energia e o equipamento avaliará se a energia gerada foi maior ou menor do que a consumida. “Esse relógio mede o que você consome e o que é mandado para rede de energia. No final do mês, é feita a leitura e se você tiver mandado a mesma quantidade de quilowatts por mês para rede central, serão cobradas apenas as taxas mínimas na conta de energia”, afirmou o engenheiro.

Caso o consumo gerado seja acima daquele consumido, o cliente também poderá receber créditos com validade de cinco anos e que poderão ser utilizados na cobrança da taxa de energia do mês seguinte, por exemplo.

Para tanto, é preciso que seja instalada a quantidade certa de painéis solares, sempre que possível. “Normalmente, os painéis são instalados nos telhados. Mas o consumidor precisa avaliar que, dependendo da ocasião ou do formato da casa, nem sempre é possível instalar todos os painéis necessários para reduzir quase que totalmente o custo do consumo de energia”, disse.

Já o sistema “off-grid”, ou aquele que não é “ligado à rede”, é mais comum nas comunidades rurais e locais que não possuem energia elétrica e que utilizam o sistema à base de baterias. “Os painéis solares vão carregar as baterias e as famílias vão consumir as energias das baterias”, explicou o empresário.

Antônio Mendonça deu como exemplo o consumidor que utiliza um gerador pequeno para gerar energia somente à noite e que gasta, em média, R$ 50 de combustível por dia para alimentar o equipamento. “Com esse gasto, o consumidor paga R$ 18 mil por ano somente em combustível. Já para fazer a instalação dos painéis para alimentar um gerador pequeno, o custo será em média de R$ 13 mil, em um sistema mais duradouro, se usado corretamente. O processo é similar ao de uma caixa d”água. Também será calculado o consumo de acordo com o cliente, e se exceder, pode haver racionamento”, frisou

MELHOR ALTERNATIVA

Quanto à ligação com a distribuição nacional, o empresário relatou que o consumidor também deve analisar o aumento do custo da energia. Em Minais Gerais, estado onde os habitantes pagam a conta de luz mais cara do País, o quilowatts/hora custa por volta de R$ 0, 90. Em Roraima, a cobrança é de R$ 0,36, pelo mesmo período.

Antônio Mendonça também reforçou que a população deve levar em consideração a crise econômica na Venezuela, país que é responsável pela nossa distribuição de energia elétrica a Roraima através do Linhão de Guri, e a necessidade da conscientização da sociedade quanto aos impactos que as diferentes fontes de energia podem causar no meio ambiente.

“Com essa crise na Venezuela, ninguém sabe quando nós poderemos ser afetados. Parando para analisar, a energia mais barata e eficiente é a de hidrelétrica, mas com o clima que nós vivemos, a cada dia essa produção ficará mais escassa por conta da instabilidade dos níveis das águas. As termelétricas são muito caras por conta do consumo de combustível e a poluição, tanto sonora quanto na emissão de gases, e nós não temos vento o suficiente para utilizar a energia eólica em áreas da cidade. A solar, para nós, é a mais viável. Os preços já estão mais acessíveis e a previsão é que baixem cada vez mais”, finalizou.

Por: Raisa Carvalho
Fonte: Folha de Boa Vista

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