Votorantim inicia hoje operação de fábrica no Pará

A Votorantim Cimentos (VC) abre hoje, em meio à crise do setor, uma fábrica em Primavera (PA), apta a produzir 1,2 milhão de toneladas de cimento por ano. A unidade consumiu investimentos de R$ 860 milhões em terreno, obras e maquinário, e foi definida pela VC há quase cinco anos, quando o mercado de construção civil e a economia brasileira viviam situação bem diferente da atual.

“A Votorantim Cimentos tem visão de longo prazo e estratégia de se expandir e diversificar para mercados promissores no país e internacionais”, afirma o presidente, Walter Dissinger. A unidade é a 28ª fábrica da empresa líder do setor de cimentos.

A fábrica produzirá cimento com a marca Poty ensacado ou a granel, nas categorias “obras estruturais”, destinado a fundações, pilares, vigas e estruturas – e “todas as obras” – e adequado para rebocos, contrapisos e lajes. Vai atender os estados do Pará, Amazonas e Amapá. Há expectativa que o uso da capacidade instalada chegue ao patamar de 50% a 60% neste ano. O número de empregos diretos e indiretos soma 270 na unidade.

Fábrica vai atender clientes que eram supridos pelas fábricas de Barcarena (PA) e Xambioá (TO) ou aos quais a cimenteira ainda não chegava. Futuramente, se fornecer cimento também para parte da região Nordeste, a unidade utilizará a marca Tocantins.

A unidade contará com tecnologia “estado da arte”, segundo o executivo. Seus moinhos são verticais, o que permite economia de 30% no consumo de energia elétrica, além de fornos com consumo térmico 6% menor.

Dissinger conta que, um ano e meio atrás, ficou claro que o mercado brasileiro estava mudando, mas os planos para a fábrica de Primavera se mantiveram. A empresa avalia os retornos de investimentos em ciclos de dez anos. “Estamos animados. Será mais uma fábrica que aumenta nossa capilaridade”, diz o presidente da Votorantim Cimentos.

O executivo reconhece que, no curto prazo, o desempenho do setor não é promissor. “Em 2016, vai haver queda do mercado, mas a retomada das regiões Norte e Nordeste pode ocorrer em meados de 2017”, afirma.

Ainda é cedo, porém, na avaliação de Walter Dissinger, para estimar quando o país voltará a crescer, pois o desempenho dependerá dos rumos da política e da economia. “O caminho correto é o investimento em infraestrutura para reiniciar obras”, diz, acrescentando que as sinalizações do governo do presidente interino Michel Temer são positivas, mas precisam passar pelo Congresso Nacional.

O Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (Snic) estima retração para o mercado de 12% a 15% neste ano. Até maio, houve queda de 13,9%. Sem informar números da Votorantim Cimentos, o executivo diz que a situação é similar à do mercado.

“Fizemos o dever de casa bem cedo, no fim de 2015. Tivemos ajustes [de pessoal] e suspendemos, temporariamente, as operações de alguns fornos”, diz. A empresa apostou também, no ano passado, na mudança de portfólio de cimentos, com oferta direcionada a cada segmento ou demanda e não mais por tipo de produto. Neste semestre houve demissões pontuais, de acordo com o executivo da VC, e a busca de melhora de processos continua.

A nova fábrica – é inaugurada no mesmo mês em que a unidade de Santa Helena, em Votorantim (SP) – a mais antiga da cimenteira – completa 80 anos. A Votoratim Cimentos tem 83 anos e capacidade produtiva de 56,8 milhões de toneladas por ano. Em média, as fábricas tem capacidade anual de um milhão de toneladas a dois milhões de toneladas. A capacidade da maior unidade, situada em Rio Branco do Sul (PR), é de cinco milhões de toneladas por ano.

A cimenteira está presente em outros 13 países. A fabricante terá nova fábrica na Bolívia, neste ano, e vai inaugurar expansões na Turquia e Estados Unidos em 2017. Isso mais as fábricas brasileiras de Primavera e Edealina (GO) fazem parte de investimentos da companhia que somam R$ 5 bilhões no período de 2015 a 2018. Em oito anos, na comparação com 2010, a capacidade da Votorantim Cimentos terá dobrado.

Fonte: Valor Econômico

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