PF prende suspeitos de participar de desmatamento e grilagem no Pará

Duas pessoas foram presas no estado durante a Operação Rios Voadores. Tecnologia era usada para arrendar terras e explorá-las com a agropecuária.

A Polícia Federal do Pará prendeu no estado do Pará, durante as ações da Operação Rios Voadores, deflagrada no último dia 30 de junho, duas pessoas suspeitas de participação em um esquema ilegal de desmatamento e grilagem de terras na Amazônia. Os presos estão à disposição da Justiça Federal de Altamira.

A ação foi realizada pelo Ministério Público Federal, Receita Federal e Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e se concentrou no distrito de Castelo dos Sonhos, em Altamira, no sudoeste do Pará, e no município de Novo Progresso, na mesma região paraense e ainda nos estados de São Paulo, Santa Catarina, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.

Nós estamos desarticulando a maior organização criminosa que atuava promovendo o desmatamento ilegal na Amazônia brasileira”, afirmou Yuri Oliveira, delegado da PF em Altamira.

Segundo a Polícia Federal, no período de junho de 2013 a novembro de 2015, foram desmatados mais de 35 mil hectares de floresta amazônica, o equivalente a 33.384 campos de futebol. A quadrilha movimentou quase R$ 2 bilhões em três anos, de acordo com o Ministério Público Federal (MPF) “A grilagem, o desmatamento, o arregimentação de pessoas para trabalhar em situação análoga à de escravo, e tudo isso aqui no Pará. Mas os arrendamentos, o lucro desses crimes cometidos ia para o sudeste do país”, explicou o procurador da República Igor Pessoa.

Tecnologia para o crime

Para burlar a fiscalização, o esquema contava com o apoio de profissionais especializados em geoprocessamento: os criminosos usavam mapas e imagens obtidas via satélite do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), que monitora o desmatamento na Amazônia. Esse novo esquema foi chamado pelo Ibama de multiponto ou “desmatamento cupim”.

“Eles colocam dezenas de pequenos acampamentos, cada acampamento tem 10 pessoas; é uma coisa modular. Dessas 10 pessoas, um é o cozinheiro, o outro é o chefe da manutenção das motosserras e os outros oito são os motosserristas. Aí eles vão brocando a floresta por baixo, enganando o satélite e quando o equipamento enxerga, a floresta já está pronta para receber o fogo e ser finalizado o processo. Eles jogam o capim de avião, jogam o gado e vende essa área com promessa de regularização em cima da fraude do geoprocessamento”, detalhou Luciano Evaristo, diretor de proteção ambiental do Ibama.

A fraude apenas foi descoberta porque índios Kayapó de reservas próximas ao local mapearam os acampamentos e denunciaram o crime ao Ibama. Os satélites de monitoramento do Inpe só conseguiram identificar os pontos de desmatamento um mês depois da denúncia.

“Os índios utilizavam um rádio de comunicação para falar entre as aldeias utilizando unicamente a linguagem Kaiapó, que o madeireiro não entende, e é através dessa pequena rede de inteligência deles, conseguiram mapear a posição de todos os acampamentos que estavam desmatando ali do outro lado do rio”, finalizou Evaristo.

Segundo o Ibama, durante a operação, foram apreendidas 26 motosserras e 3 motocicletas, e 11 acampamentos foram desmontados no Pará.

Fonte: G1

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