Xinguanos se preparam para temporada de seca e planejam ações de prevenção ao fogo

Entre as atividades, estão rodadas de conversa com cerca de 60 aldeias que vão abordar o calendário de uso tradicional do fogo considerando as mudanças climáticas que vêm ocorrendo na região do Parque Indígena do Xingu

Brigada da aldeia Pyulaga, dos Waurá, no Parque Indígena do Xingu|Rogerio Assis
Brigada da aldeia Pyulaga, dos Waurá, no Parque Indígena do Xingu|Rogerio Assis

Com o início da temporada da seca no Estado do Mato Grosso, a brigada indígena do Parque Indígena do Xingu (PIX) começa a planejar as ações de prevenção e combate dentro do território.  As atividades foram discutidas durante reunião no Polo Diauarum, em 19 e 20 de junho últimos, da qual participaram 25 brigadistas contratados pelo Ibama/Prevfogo, servidores da Coordenação Técnica Local da Funai e a equipe de Manejo do Fogo do Instituto Socioambiental.

A brigada está dividida em quatro esquadrões, com seis integrantes em cada um e mais um chefe, e as bases dessas equipes estão distribuídas estrategicamente dentro do PIX de acordo com a vulnerabilidade que cada região apresenta em relação aos incêndios florestais.  (Veja no mapa)

No plano de trabalho da brigada as ações de prevenção tiveram destaque importante. Antes da temporada do fogo, que ganha força no mês de agosto, os esquadrões planejam realizar rodadas de conversa em aproximadamente 60 aldeias do PIX. Para tanto, foram consideradas as experiências acumuladas em aproximadamente 20 aldeias que já participam das ações do Programa de Manejo do Fogo do ISA.

Para estas rodadas de prevenção, a equipe de brigadistas definiu pautas relevantes que serão discutidas nas aldeias objetivando aproximar as organizações comunitárias das ações da brigada.

Entre os principais temas elencados para as conversas de prevenção nas comunidades destaca-se a discussão que resgata o calendário de uso tradicional do fogo considerando as mudanças climáticas regionais.

A agenda das atividades relacionadas ao fogo nas comunidades, como a queimada de roça, é construída por meio dos sinais que a natureza dá.  Em algumas regiões do Xingu, a queimada de roça só acontecia depois que caía a primeira chuva, seguida por um período curto de estiagem, de aproximadamente duas semanas, e então, as chuvas voltavam e se mantinham frequentes por meses.  Esse era o regime de chuvas conhecido tradicionalmente pelas populações indígenas do Xingu.

No entanto, nos últimos anos, algumas comunidades têm observado que o período de estiagem entre as primeiras chuvas tem se prolongado além do normal. Com isto, a agenda de atividades relacionadas à queimada de roça em algumas aldeias também sofre modificações e passou a ser remarcada o mais próximo possível do início das chuvas.

Esta mudança no calendário tradicional de queimada de roça em algumas aldeias visa prevenir a ocorrência de incêndios florestais e facilitar as ações de combate. A intenção da brigada ao promover a rodada de conversas com as cerca de 60 aldeias é contar as experiências bem sucedidas que algumas comunidades desenvolveram para que estes conhecimentos possam ser replicados em outras regiões do PIX.

Por: Fabio Garcia Moreira
Fonte: ISA

Deixe um comentário