Sociedade civil pede mais ousadia na luta contra o desmatamento

Carta entregue ao Ministério do Meio Ambiente sugere um conjunto de ações estratégicas para colocar fim ao desmatamento

Na última década o Brasil conseguiu reduzir significativamente os níveis de desmatamento. Mas desde 2011 o desmatamento na Amazônia está estagnado, com uma perda média de 5 mil km²/ano de florestas e a tendência é que a destruição volte a aumentar, diante da inércia de governos em lidar com o problema. Neste contexto, faz-se extremamente necessário e urgente que novas estratégias sejam colocadas em prática a fim de evitar um aumento nas taxas de desmatamento.

Por isso, hoje, um grupo de organizações da sociedade civil entregou nas mãos do ministro do meio ambiente, José Sarney Filho, uma carta com 14 demandas que, se executadas, podem levar à redução e até ao fim do desmatamento no Brasil. Entre as sugestões estão medidas como a revisão imediata da meta de zerar o desmatamento ilegal apenas em 2030, aumentar a eficácia da fiscalização, destinar para proteção ou uso sustentável florestas públicas não destinadas, assegurar a proteção efetiva das Unidades de Conservação e ampliar a proteção do Cerrado.

Leia na íntegra a carta entregue ao Ministério do Meio Ambiente

O grupo, composto pelo Greenpeace Brasil, Instituto Centro de Vida (ICV), Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (Imaflora), Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), The Nature Conservancy (TNC) e WWF-Brasil, foi o mesmo que, no ano passado, originou o manifesto “Desmatamento Zero e o futuro do Brasil”, publicado pouco antes da Conferência de Paris. Na época, as organizações já sinalizavam que o governo brasileiro deveria se comprometer com o Desmatamento Zero.

Desmatamento ainda é problema grave

Apesar de entender a importância das florestas para a vida na terra, continuamos destruindo importantes áreas de vegetação. Desde 2011 o desmatamento na Amazônia está estagnado 5.544 km²/ano, em média. Significa que perdemos uma área equivalente ao território do Distrito Federal todos os anos.

E a situação ainda pode piorar. O último boletim do SAD (Sistema de Alerta de Desmatamento), do Imazon, referente a junho deste ano, registrou um aumento de 97% no desmatamento da Amazônia, na comparação com o mesmo período de 2015. A temporada de incêndios está começando e a previsão é de que seja a mais intensa dos últimos 11 anos.

A destruição das florestas traz prejuízos à toda a sociedade, desde a perda de biodiversidade até alteração no regime de chuvas que enchem os reservatórios de água nas grandes cidades e irrigam plantações. O setor agrícola, por exemplo, já está sofrendo de maneira intensa com os efeitos das alterações climáticas. Insistir no desmatamento comprometerá o futuro do país. O Brasil pode virar este jogo. Mas, para isso, precisa voltar a se mover na única direção possível, rumo ao Desmatamento Zero.

Fonte: Greenpeace

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