Comunidades indígenas do Rio Negro (AM) em foco

Começa o maior levantamento de dados nas comunidades do alto e médio Rio Negro desde a demarcação das Terras Indígenas da região em 1998

Um verdadeiro mergulho na realidade dos povos indígenas do Rio Negro, no noroeste do Amazonas, para planejar a gestão de seus territórios.  Isso é o que farão 45 pesquisadores e líderes, nos próximos dois meses.  Eles realizarão o maior levantamento de informações sobre suas comunidades desde a demarcação de seus territórios, há quase 20 anos.

O objetivo é elaborar os Planos de Gestão Territorial e Ambiental (PGTAs) das sete Terras Indígenas (TIs) do noroeste do Amazonas – Alto Rio Negro, Médio Rio Negro I e II, Téa, Apapóris, Cué-Cué-Marabitanas e Balaio – abrangendo 11 milhões de hectares (um território maior que Pernambuco), 30 mil pessoas, 500 aldeias e sítios.

Um dos principais instrumentos de planejamento de políticas públicas indigenistas, o PGTA é um documento com diagnósticos, demandas e propostas para gestão de uma TI, incluindo temas como proteção e fiscalização, uso sustentável de recursos naturais e alternativas de renda.

O levantamento servirá para atualizar os dados populacionais e socioeconômicos, georeferenciados por comunidade, e também para evidenciar o entendimento da população sobre segurança alimentar e atendimento de serviços públicos, em especial de saúde e educação.

Os indígenas serão acompanhados por pesquisadores do ISA, consultores, lideranças da Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (Foirn) e técnicos da Fundação Nacional do Índio (Funai). A mobilização exige um esforço logístico importante.

Preparação

Em agosto, na sede do ISA em São Gabriel da Cachoeira, ocorreu o treinamento da equipe indígena. Participaram consultores e representantes de organizações parceiras, como o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e o Instituto Federal do Amazonas (Ifam). No total, 60 pessoas participaram. Discutiu-se a metodologia de convocatória para participação dos moradores das comunidades e sítios durante o levantamento, treinou-se o protocolo de abordagem, bem como o uso da ferramenta digital – ODK (Open Data Kit) – para a aplicação dos questionários, base das entrevistas coletivas e domiciliares.

Nas oficinas inaugurais, entre setembro e dezembro do ano passado, os participantes foram convidados a fazer um exercício de diagnóstico sobre os principais problemas existentes e definição de temas prioritários para a elaboração dos PGTAs nos próximos três anos.

Alguns dos temas comuns nessas oficinas foram: manejo de recursos florestais e pesqueiros; lixo; saúde; patrimônios culturais; transporte e meios de comunicação; energia; fiscalização; economia indígena?e geração de renda; proteção e promoção da organização social e religiosa; educação; fortalecimento das associações e; reconhecimento de caminhos e territórios tradicionais (saiba mais sobre as oficinas e a construção dos PGTAs no rio Negro).

Seguindo esse roteiro de prioridades, questionários orientadores para entrevistas coletivas por comunidade e domiciliares foram elaborados e testados no primeiro semestre de 2016, eles são base para o levantamento nas diferentes sub-regiões. Os pesquisadores estão divididos em grupos que seguem a divisão territorial desenhada pelas coordenadorias regionais da Foirn consideradas algumas particularidades como etnias de recém contato como Hupdha e Yuhupdhe.

O trabalho é apoiado pelo Fundo Amazônia, a Fundação Rainforest (RFN) e a organização H3000.

Lista de pesquisadores indígenas por coordenadoria

COIDI = Coordenadoria das Organizações Indígenas do Distrito de Iauaretê
CABC = Coordenadoria das Associações Baniwa e Coripaco
COITUA = Coordenadoria das Organizações Indígenas do Rio Tiquié e Uaupés
CAIRNX = Coordenadoria das Associações Indígenas do Alto Rio Negro e Xié
CAIMBRN = Coordenadoria das Associações Indígenas do Médio e Baixo Rio Negro

Fonte: ISA

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