Condenado à prisão, presidente da ALE de RR diz que não perderá cargo

Jalser Renier (SD) reuniu servidores para falar sobre mandado de prisão. TRF1 expediu guia de execução da pena após determinação do STJ.

Depois de ter a prisão decretada pelo Superior Tribunal de Justiça, o presidente da Assembleia Legislativa de Roraima Jalser Renier (SD) disse nesta quinta-feira (27) ter certeza que não perderá o mandato e que seguirá no cargo à frente do Legislativo Estadual mesmo depois de ser preso.

O parlamentar teve a guia de execução da pena expedida pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região na quarta. Ele foi condenado a seis anos e oito meses de reclusão por envolvimento no caso conhecido como ‘Escândalo dos Gafanhotos’.

Jalser se reuniu com servidores da Casa em um encontro fechado no plenário e não permitiu a entrada da imprensa. O G1 teve acesso a um áudio da reunião onde o parlamentar dá explicações da condenação e admite que terá de cumprir a pena imposta a ele.

Ele informou aos funcionários que deve ser preso em breve e ainda destacou o fato de ter que cumprir a pena no regime semiaberto.

“Vocês só não podem me procurar de noite que eu não vou poder atender”, disse ele, arrancando aplausos dos servidores.

No regime semiaberto o detento pode trabalhar fora da unidade prisional durante o dia, porém a noite tem de dormir na prisão. Em vários momentos da reunião, Jalser foi ovacionado pelos servidores.

“Quero dizer para vocês que realmente isso é verdade [pedido de prisão contra ele], mas eu queria que vocês ouvissem da minha boca. Também não é verdade que não vou perder o meu mandato de presidente da Assembleia, não vou perder o meu cargo de deputado estadual e vocês não vão perder o trabalho de vocês”, disse.

O presidente da Assembleia disse ainda que deve se entregar assim que a Justiça emitir o mandado de prisão contra ele. “Já liguei para o juiz da Vara de Execuções Penais e disse: doutor, quando a guia sair, me avise. Não precisa mandar vir ninguém me buscar, eu vou me apresentar”.

Ainda sobre o cumprimento da sentença, o parlamentar se demonstrou ciente da forma como a pena será executada.

“Qual é o pior dos constrangimentos que pode acontecer comigo? Vou dormir na prisão e 6h da manhã estou em casa. Quando for no final de semana eu entro 6h da tarde [às sextas] e saio 6h da manhã de segunda-feira. Então, essa é a sentença que o STJ está mandando eu cumprir”, explicou aos servidores.

Além dos servidores, estavam presentes na reunião os deputados Jânio Xingu (PSL), Lenir Rodrigues (PPS), George Melo (PSDC) e Valdenir da Acta (PV), a quem o presidente da Assembleia se referiu como “parceiros”.

Condenação

Jalser Renier foi condenado pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região a seis anos e oito meses de reclusão e a 443 dias-multa pelo crime de peculato no escândalo conhecido como ‘Escândalo dos Gafanhotos’.

Na petição em que pediu a condenação do deputado, o MPF explica como funcionava o esquema: “O então governador Neudo Ribeiro Campos distribuía quotas dos recursos federais aos seus afilhados políticos, notadamente deputados estaduais e conselheiros do Tribunal de Contas do Estado, entre os quais se inclui o Deputado Estadual Jalser Renier Padilha”.

Ainda conforme o órgão, cada beneficado era chamado pelo governador para uma reunião reservada na qual era definida a quota que seria recebida.

“Assim, cada beneficiado não sabia dos demais, nem quanto cada um recebia, formando-se quadrilhas autônomas”, cita um trecho.

Jalser Renier recebia, segundo o MPF, tinha uma ‘cota’ de cargos no governo do estado em troca de apoio prestado ao ex-governador Neudo Campos (PP). Para receber o dinheiro, o deputado só precisava indicar os ‘gafanhotos’ que iriam integrar a folha de pagamento.

Outras prisões

Em maio deste ano, o ex-governador Neudo Campos se entregou na sede da Polícia Federal em Roraima após ficar cinco dias foragido. Ele foi apontado pelo MPF como mentor do esquema que ficou conhecido como ‘Praga do Egito’. Atualmente, Campos cumpre prisão domiciliar.

No mesmo mês, outras seis pessoas também foram presas pela Polícia Federal por envolvimento no escândalo, entre elas a médica Suzete Macedo de Oliveira, esposa do senador Telmário Mota (PTB). Após a prisão ela foi liberada pela Justiça.

Por: Valéria Oliveira
Fonte: G1

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