Índios desistem de encerrar ocupação no Dsei do Amapá: ‘Não vamos sair’

Movimento estava previsto para encerrar no sábado (22). Índios pedem melhorias na assistência à saúde e saída de diretora do Dsei.

Ocupação de indígenas no Dsei de Macapá continua nesta segunda-feira (24) (Foto: Fabiana Figueiredo/G1)
Ocupação de indígenas no Dsei de Macapá continua nesta segunda-feira (24) (Foto: Fabiana Figueiredo/G1)

Grupos indígenas instalados desde o dia 18 de outubro no prédio do Distrito Sanitário Especial Indígena (Dsei), na Zona Sul de Macapá, desistiram de encerrar a ocupação para cobrar melhorias na assistência à saúde. Eles tinham planejado que o ato seria até o sábado (22), mas, como não conseguiram ter as demandas atendidas, continuam com o movimento.

De acordo com a Articulação dos Povos e Organizações Indígenas do Amapá e Norte do Pará (Apoianp), que lidera o ato, a nova previsão é que o movimento ocorra até sexta-feira (28). Caso os pedidos não sejam atendidos, como melhorias na assistência à saúde indígena e a saída da atual gestão do Dsei, a ocupação deve continuar por tempo indeterminado.

Wellison Narciso, articulista da ocupação (Foto: Fabiana Figueiredo/G1)
Wellison Narciso, articulista da ocupação (Foto: Fabiana Figueiredo/G1)

“Nós não tivemos resultado nenhum. Nós não viemos aqui para brincar, viemos reivindicar, porque sentimos na pele o que acontece nas aldeias indígenas. Nós não vamos sair. Só vamos sair, se sair a exoneração a atual diretora [do Disei], porque as melhorias só virão com uma boa administração e respeito”, disse o articulador Wellison Narciso, da etnia palikur.

Narciso informou ainda que a ocupação aderiu a um movimento nacional que pede a revogação da portaria 1.907/16 do Ministério da Saúde, emitida no dia 17 de outubro, que extinguiria a Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai).

Os índios são de dez aldeias de Pedra Branca do Amapari e Oiapoque que, segundo a Apoianp, totaliza quase 200 indígenas na ocupação.

Serviços suspensos

A diretora do Dsei, Vanderbilde Marques, informou que não há uma previsão para o retorno dos serviços da instituição, suspensos desde o dia 18 de outubro. Uma reunião entre Dsei, Fundação Nacional do Índio (Funai), Ministério Público Federal (MPF), Polícia Federal e lideranças dos movimentos indígenas não resultou em negociações.

O movimento reforçou que pretende liberar a entrada de 30% dos funcionários no prédio para serviços essenciais, como as áreas de farmácia, radiograma, voo e gestão. Entretanto, a direção do Dsei alegou que os serviços retornarão com, pelo menos, 90% dos técnicos.

Um boletim de ocorrência foi feito pelo Dsei na Polícia Federal denunciando a invasão dos indígenas.

Ocupação

Os índios que ocupam o prédio do Dsei na capital espalharam cartazes na entrada do prédio no dia 20 de outubro com as reivindicações dos indígenas. O grupo fechou as portas com arcos e flechas.

As aldeias enfrentam dificuldades para receber medicamentos, e, em muitos casos, consultas deixaram de ser feitas por falta de profissionais de saúde, informou a articulação do movimento.

Os índios reclamam ainda da falta de transportes aéreo e terrestre disponíveis para atendimento médico na capital. Segundo o Dsei, existe oferta de transportes.

A Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) confirmou em setembro ao Ministério Público Federal (MPF) que está elaborando um edital para contratação imediata de profissionais de saúde indígena para atuação no Amapá a partir de 2017.

A decisão ocorre porque o contrato com a União de 205 profissionais, que estão atualmente nas aldeias, encerra em dezembro de 2016 e, por lei, não podem ser renovados.

Fonte: G1

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