Indígenas exigem de líderes mundiais seus direitos reconhecidos na COP 22

Os povos indígenas, os verdadeiros guardiões das florestas no mundo, fizeram uma manifestação na manhã desta sexta-feira (11) no pavilhão da Green Zone, na Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática, a COP22, em Marrakech, no Marrocos. Eles exigiram dos líderes mundiais que sejam reconhecidos como protagonistas na proteção das florestas e da biodiversidade, e que suas propostas sejam aplicadas em todas as ações relacionadas à mitigação dos efeitos do aquecimento global.

Os povos indígenas dizem acreditar que sem essa valorização e sem ter os seus diretos reconhecidos pelos governos, o mundo não poderá atingir as metas de redução na emissão dos gases do efeito estufa e do desmatamento das florestas.

“Os direitos dos povos indígenas e das comunidades locais devem ser reconhecidos se o mundo espera alcançar compromissos globais para reduzir o desmatamento e as emissões de carbono. Proteger e conservar as florestas são a melhor estratégia para combater as alterações climáticas.

Apesar de sermos os principais guardiões das florestas, o Acordo de Paris mal reconhece o nosso papel. Dos 197 países signatários, apenas 21 reconhecem os direitos indígenas e a posse da terra como parte de suas estratégias para lidar com a mudança climática”, diz o comunicado da Campanha Os Guardiões da Floresta na COP22, divulgado durante a manifestação no pavilhão da Green Zone.

Estão participando da COP22 lideranças de várias partes do mundo. Do Brasil, há representantes da etnia Ashaninka, do Acre. Sônia Bone Guajajara, coordenadora da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), participou de uma mesa na parte da tarde. Ela tem atuado na defesa dos direitos destas populações no país. “Todos os Direitos ameaçados em nome de interesses políticos , econômicos e individuais que vão totalmente na contramão de tudo que é discutido e prometido aqui!”, disse a liderança em postagem no Facebook.

Na manifestação, os índios e ativistas brasileiros e estrangeiros levaram também cartazes contra os Projetos de Emenda Constitucional, a PEC 55 (antes 241), que visa cortar gastos da saúde e educação, e a PEC 215, que pretende alterar a decisão final da demarcação das terras indígenas, ambas tramitando no Congresso.

Índios e ativistas fazem protesto no pavilhão da Green Zone, na COP 22 (Foto: Rafaela Diedrich/ProjetoCasperNaCop22)
Índios e ativistas fazem protesto no pavilhão da Green Zone, na COP 22 (Foto: Rafaela Diedrich/ProjetoCasperNaCop22)

Desmatamento na Amazônia

Os programas para a redução do desmatamento na Amazônia brasileira foram o tema da primeira sexta-feira (11) da Conferência Mundial de Mudanças Climáticas (COP 22), em Marrakesh. A mesa de discussão foi formada pela diretora-presidente do Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam), Ana Aleixo, o diretor-executivo do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), André Guimarães, do secretário de Meio Ambiente do Amazonas, Antonio Stroski, da chefe do Departamento de Gestão do Fundo Amazônia, Juliana Santiago, entre outras autoridades da área ambiental da Amazônia.

A discussão focou no programa de Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal, o REDD+. Implementado em novembro de 2015, o documento formaliza, tanto para a sociedade quanto para os países signatários das Nações Unidas, as ações de combate ao desmatamento e, consequentemente, de recuperação da Floresta Amazônica no caso do Brasil, que deverão ser colocadas em prática até 2020.

De acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o desmatamento na Amazônia Legal aumentou 24% de agosto de 2014 a julho de 2015, em relação ao período anterior, de agosto de 2013 a julho de 2014.

Esta foi a maior taxa nos últimos quatro anos, conforme os dados do Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite (Prodes) do Inpe, tendo sido derrubado 6.207 quilômetros quadrados (km²) de floresta, contra 5.012 km² do período anterior.

Segundo o Prodes, no estado do Pará a taxa de desmatamento aumentou 14% com uma destruição de 2.153 km² de floresta. No Amazonas o desmatamento subiu para 42%, índice entre 2014 e 2015, período em que foram devastados 712 km² de mata nativa. No estado a situação é crítica na região que fica no entorno da rodovia BR-210, a Transamazônica, principalmente nos municípios de Lábrea, Apuí e Manicoré

O secretário do Meio Ambiente do Amazonas, Antonio Stroski, destacou, durante a reunião na COP-22, algumas das ações para o enfrentamento a esta situação. Entre elas estão a parceria com a Cooperação Alemã para o Desenvolvimento Sustentável (GIZ) na Amazônia e a formalização de acordos com o Ministério do Meio Ambiente para discutir uma agenda estratégica de controle e fiscalização do desmatamento.

A atual taxa de desmatamento na Amazônia Legal afasta o Brasil das metas do Acordo de Paris para conter o aquecimento global. O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) detectou lacunas entre os níveis de emissões assumidos pelos países no acordo e o volume necessário para conter a média máxima de mais 2ºC até o fim do século, em relação aos níveis pré-industriais.

Segundo o Pnuma, mesmo se todas as nações cumprirem as metas até 2030, as emissões globais anuais alcançarão até 56 gigatoneladas (bilhões de toneladas) equivalentes de dióxido de carbono (CO2), número superior aos 42 gigatoneladas estimadas pelos cientistas como limite necessário para alcançar a meta. Leia mais sobre esse assunto na reportagem do jornal O Globo aqui.

Rafaela Diedrich, Ana Maria Goulart e Felipe Sakamoto são alunos da Faculdade de Comunicação Social Cásper Líbero e participam do Projeto Cásper na COP 22, que é a cobertura da Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas (ONU) sobre as Mudanças Climáticas no Marrocos. O projeto, que tem a parceria de 15 veículos jornalísticos do Brasil, entre eles, a agência Amazônia Real, visa inserir os estudantes na prática internacional de comunicação e jornalismo envolvendo questões de cunho ambiental e humanitário. Apoiam o projeto a Fundação Cásper Líbero, a Air Royal Maroc e a JHL Agência de Turismo. Conheça o projeto aqui.

Fonte: Amazônia Real

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