No Amapá, atingidos protestam em frente da hidrelétrica Cachoeira Caldeirão

Cerca de cinquenta pessoas fizeram um protesto em frente a Hidrelétrica Cachoeira Caldeirão, na manhã da ultima sexta-feira, 20.

O objetivo era cobrar compensações para as comunidades atingidas pela grande mortandade de peixes que aconteceu entre janeiro e fevereiro do ano passado.

A manifestação começou às 11h, e foi liderada pelo Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), para lembrar um ano do desastre ambiental. Os episódios de mortes de peixes foram registrados na região entre os dias 18 de janeiro e 4 de fevereiro de 2016, o que, segundo a entidade, foram provocados pela atividade das comportas da hidrelétrica.

Após denúncias dos moradores, os ministérios públicos Federal e Estadual recomendaram que o Instituto de Meio Ambiente do Amapá (Imap) suspendesse a licença de operação da Hidrelétrica Cachoeira Caldeirão, que opera em Ferreira Gomes, o que não aconteceu.

Segundo o MAB, o que ocorreu foi a assinatura de um Termo de Ajustamento de Conduta Ambiental (TACA) que o próprio MP e MPF sugeriram. O termo incluiu a soltura de 20 mil alevinos e doação de seis tanques-rede para algumas famílias supostamente prejudicadas com a mortandade dos peixes.

“Esses tanques foram doados a uma comunidade que não representa os atingidos”, protestou Moroni Guimarães, representante do MAB no Amapá.

Quanto aos alevinos, ele disse que os moradores que acompanharam a soltura observaram que não teriam chegado 5 mil a quantidade liberada no Rio Araguari. Além dos pescadores, muitos ribeirinhos foram atingidos com a mortandade. Mais de cem famílias vivem no trecho entre a Cachoeira Caldeirão e Hidrelétrica Coaracy Nunes.

“Essas pessoas não têm onde pegar o peixe, porque os que haviam ali, a Cachoeira acabou de matar. Não tem como o peixe passar para onde essa comunidade está. Eles ficaram isolados e nós queremos uma compensação para essa comunidade”, exigiu Guimarães.

A mortandade aconteceu na época da piracema, que é quando os cardumes sobem o rio para fazer a desova. Tal processo teria sido interrompido no período em que ocorreram as mortandades.

Em setembro do ano passado, os moradores detectaram que a empresa estaria recolhendo os peixes mortos que apareciam na área e escondendo. Eles levaram a denúncia até a Delegacia de Crimes Ambientais (Dema) que foi até o local investigar.

Fonte: MAB

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