Amazonas lidera mortes em táxi-aéreo

Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) registrou 40 mortes em acidentes envolvendo aviões de táxi-aéreo, no Estado

Em dezembro de 2016, a queda de um avião de pequeno porte, em Manaus, deixou seis pessoas mortas. Foto: Sandro Pereira/ Arquivo
Em dezembro de 2016, a queda de um avião de pequeno porte, em Manaus, deixou seis pessoas mortas. Foto: Sandro Pereira/ Arquivo

Entre 2006 e 2015, o Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) registrou 40 mortes em acidentes envolvendo aviões de táxi-aéreo, no Amazonas. O alto índice eleva o Estado para o topo da lista de Estados brasileiros com maior quantidade de fatalidades com aviões de pequeno porte (monomotor e bimotor), de táxi-aéreo. Só no período descrito de dez anos, o estudo apontou que foram cinco aviões destruídos e 24 acidentes aéreos, no Estado; o que representa 3,9% dos acidentes aéreos registrados, no período, em todo o Brasil. Os dados constam no Panorama Estatístico da Aviação Brasileira que aponta o cenário de acidentes e incidentes graves ocorridos entre 2006 e 2015 e foi compilado pelo próprio Cenipa.

Para a chefia do Seripa VII, a falta de infraestrutura dos aeródromos dos municípios do Estado influenciam diretamente na quantidade de acidentes e mortes registradas no Amazonas.

O panorama aponta que o táxi-aéreo é líder, também, das ocorrências fatais registradas, pelo Cenipa, no Pará, que teve 38 fatalidades, entre 2006 e 2015. Conforme o órgão de investigação nacional, grande parte dos fatores que mais contribui para as ocorrências dos acidentes, incidentes graves e fatalidades estão associados à supervisão gerencial, julgamento de pilotagem e manutenção da aeronave.

No entanto, o tenente-coronel André Luiz Mota, chefe do Sétimo Serviço Regional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Seripa VII), pontuou que o cenário de infraestrutura dos 62 municípios amazonenses está diretamente associado a problemas com os aviões de pequeno porte. Com a experiência de pilotar na Amazônia, seis anos em Rondônia e outros três anos no Amazonas, o tenente-coronel acredita que as condições dos aeródromos dos municípios amazonenses interferem, principalmente, no pouso do avião de pequeno porte.

De acordo com o tenente-coronel, alguns aeródromos apenas possuem pistas que, molhadas pelas chuvas, representam um obstáculo para os pilotos. Em alguns municípios, segundo o tenente-coronel, as pistas dos aeródromos são de terra, de grama ou funcionam em campos de futebol. “É a falta de estrutura em várias regiões do Estado. Muitos dos acidentes acontecem com o trem de pouso na aeronave no solo”, afirmou o chefe do Seripa VII.

Clima e quantidade de voos aumenta número de acidentes

Em algumas regiões do Amazonas, o clima Equatorial úmido da Amazônia influencia no comportamento do piloto e dos modos de voos em toda a região norte e no Estado. Um dos exemplos é a região no entorno de Manicoré (distante 332 quilômetros de Manaus) que, segundo o tenente-coronel André Luiz Mota, chefe do Sétimo Serviço Regional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Seripa VII), apresenta precipitações muito fortes que interferem no itinerário dos voos que chegam até a cidade. “Quando a precipitação é muito forte, algumas vezes, nem há decolagem. Em geral, pela manhã, o piloto que vai para Manicoré voa em certa altura. Na volta, pela tarde, o piloto tem que voar mais alto”, exemplificou o chefe do Seripa VII.

De acordo com o tenente-coronel, as características específicas do clima Equatorial úmido, com altos índices de temperatura ambiente, Floresta Amazônica e grande volume de água na bacia hidrográfica, que passam pelo Amazonas, formam nuvens carregadas. Apesar das características climáticas, o tenente-coronel explicou que o índice de fatalidades envolvendo táxi-aéreo está relacionada à quantidade de voos, realizados por aviões de pequeno e médio porte, na região. “O clima influencia, mas não é só por isso a quantidade de acidentes. Eles são causado, principalmente, por falhas em motores e questões técnicas”, acrescentou o tenente-coronel.

Especialistas em segurança propõem agenda de debates

No Amazonas, conforme os dados levantados para o estudo do Cenipa, os acidentes, fatalidades e incidentes graves registradas no Estado envolvendo táxi-aéreo, ocorreram em diferentes municípios, como Atalaia do Norte, Boa Vista do Ramos, Borba, Caapiranga, Canutama, Carauari, Coari, Fonte Boa, Ipixuna, Itacoatiara, Juruá, Jutaí, Manacapuru, Manaus, Maués, Nova Olinda do Norte, Parintins, Pauini, São Gabriel da Cachoeira e Tefé. O levantamento do Cenipa aponta que Manaus é a cidade onde mais foram registrados acidentes aéreos, no período entre 2006 e 2015, no Estado. Foram sete acidentes, dois acidentes com fatalidades e seis incidentes graves.

O último acidente aéreo registrado, em Manaus, aconteceu, em dezembro de 2016, em uma área verde da comunidade União, no bairro Parque 10 de Novembro, zona centro-sul de Manaus. Na ocasião, um avião de pequeno porte, modelo Embraer 720, caiu, por volta de 8h do dia 7 de dezembro e deixou seis pessoas mortas.

Ainda em dezembro do ano passado, em Tabatinga (distante 1.607 quilômetros de Manaus), três pessoas morreram e uma ficou ferida após uma aeronave cair a 13,5 km da cabeceira da pista do município da cidade no dia 23 de dezembro. O segurança Roberval Moraes Jardim foi identificado como o único sobrevivente da queda da aeronave.

Em 2012, um avião Caravan, prefixo PT-PTB, da empresa Cleiton Taxi Aéreo, caiu em um terreno perto da Avenida Torquato Tapajós, próximo ao depósito de uma loja de eletroeletrônicos, logo depois de levantar voo do Aeroclube de Manaus, por volta das 6h15 do dia 28 de fevereiro. Conhecido como comandante Almeida, o piloto Antonio José de Almeida Maia, de 56 anos, morreu na hora.

No dia 13 maio de 2010, um acidente com uma aeronave alugada, pela Cleiton Táxi-Aéreo, matou seis pessoas na capital. No acidente com o táxi-aéreo Embraer EMB-810C Seneca II, prefixo PT-TUJ, todas os cinco passageiros e um piloto que estavam a bordo morreram carbonizados.

Por: Girlene Medeiros
Fonte: D24am

Deixe um comentário