Indígenas reagem contra troca no Sesai e seguem para Brasília

O mato-grossense Rodrigo Rodrigues foi exonerado do Sesai e lideranças temem que haja retrocesso nas políticas de saúde indígena

Lideranças indígenas de várias regiões do País se organizam para irem à Brasília (DF) protestar contra a exoneração do mato-grossense Rodrigo Rodrigues da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), do Ministério da Saúde, publicada na edição desta segunda-feira (20) do Diário Oficial da União. As lideranças temem que ocorra retrocesso nos avanços na política de saúde indígena no país conquistados nos últimos anos.

Willian Domingues, presidente do Conselho Distrital Indígenas (Condisi) de Altamira (PA), acredita que com a exoneração de Rodrigo Rodrigues, que está sendo substituído por Maro Antônio Toccolini, o Ministério da Saúde tire a força do conselho como instituição consultiva e deliberativa e segure a liberação de recursos dos convênios via Fundo Nacional de Saúde (FNS), onde se concentra os repasses das conveniadas.

“Agora, com a troca do secretário da Sesai, vem um novo secretário pronto em fazer com que nós, indígenas, acatemos as suas ideias. Se nós ficarmos calados e vendo isto de camarote é o fim da Sesai. Fico preocupado com tanto desrespeito contra o nosso povo. Ou fazemos algo em defender nossa Sesai ou voltaremos em destaque zero”, argumenta Willian Domingues.

O líder defende uma mobilização nacional contra o que ele classifica de ‘loteamento político dos cargos de gestão que envolve as políticas Indigenista’. “Devemos ocupar as estradas e pontos estratégicos de todo o país e ai vamos a Brasília todos juntos exigir do governo que tire a política Indigenista do balcão de negócios que virou o Congresso Nacional, fortaleça a SESAI e a FUNAI, garantindo um perfil técnico na gestão e a nossa participação nas tomadas de decisões”, completa.

De Vitória na Conquista (BA), o cacique Caititu, da nação Pataxó, também convoca todas as tribos do país para irem com arco e flecha para Brasília defender a política nacional de saúde indígena. “Guerreiros e guerreiras, temos que fechar as estradas e enfrentar, principalmente, o presidente Michel Temer, porque não vamos abrir mão dos nossos direitos”.

Por: Sandra Carvalho
Fonte: Circuito MT

Deixe um comentário