Navegação como solução sustentável para a Amazônia

De passagem pela capital paraense, Adalbero Tokarski, diretor-geral da Agência Nacional de Transportes Aquaviários, defendeu a navegação como uma solução de desenvolvimento sustentável na região amazônica durante reunião com empresários e representantes do setor logístico do Pará. Torkaski será o principal homenageado no dia 10 de março, no evento de lançamento da 4ª edição do Anuário dos Operadores Portuários do Pará, com o Troféu Zezinho Canto, que reconhece os maiores defensores do transporte hidroviário na região amazônica.

• A Amazônia tem um talento natural para a navegação, porém a região ainda não se consolidou como referência. Por que este modal ainda não se transformou no principal modelo de transporte da região?

Tokarski – O transporte de passageiros é mais crítico. Apesar das embarcações regulares serem hoje fiscalizadas ainda existe um grande problema que são os acessos nos terminais. Precisávamos só para Belém de quatro terminais semelhantes ao Terminal Hidroviário Luiz Rebelo Neto. Neste aspecto, temos quatro elementos que podem contribuir: Governo Federal, Governo Estadual, Prefeituras e iniciativa privada, sendo o papel do estado mais forte.

• E qual a importância do transporte de cargas hidroviário na região?

Tokarski – O transporte de cargas é muito importante, porque o mundo inteiro utiliza o transporte sobre rios e canais por ser mais eficiente, ser menos poluidor e ter o custo mais barato que outros. Isso fica mais evidente ainda quando há o transporte de carga multimodal, envolvendo outros meios, como rodoviário e ferroviário. Temos bons exemplos no Brasil, como o trecho Tietê-Paraná. No Pará o transporte de grãos do Mato Grosso até Miritituba, está bom, mas pode melhorar com o asfaltamento da BR163.

• Onde está o gargalo no Pará?

Tokarski – Precisamos que se invista mais na segurança da navegação. Investir em dragagem no tempo certo, sinalização, balizamento. Precisamos disso no rio Tapajós, no rio Tocantins e precisamos de investimento para o derrocamento do Pedral do Lourenço. Também é necessário investir em segurança no stritu sensos, que significa uma navegação sem ter piratas, bandidos, que é algo que preocupa muito as empresas na Amazônia.

• Como a navegação poderia ajudar a transformar a economia e a sociedade paraense?

Tokarski – O Pará ganha, mas precisa ganhar mais, precisa ganhar de valor agregado. Isso depende de rios com mais segurança, com mais balizamento, pois dará para circular mais produtos de valor agregado, com isso baixa o preços dos produtos e a sociedade inteira ganha. Para quem conhece a Amazônia não dá pra pensar em desenvolvimento sustentável se não pensar na utilização da forma coerente da navegação fluvial.

Fonte: Ascom/ Portos e Navios

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