Eduardo Viveiros de Castro lança Araweté: um povo tupi da Amazônia, pelas Edições Sesc São Paulo

Terceira edição apresenta informações recentes a respeito dessa etnia e oferece para o público atual o livro que se tornou um dos marcos da antropologia brasileira

As Edições Sesc São Paulo lançam, dia 27 de abril (quinta-feira), o livro Araweté: um povo tupi da Amazônia, do antropólogo Eduardo Viveiros de Castro, ampliado com dois capítulos de Camila de Caux e Guilherme Orlandini Heurich, doutores em antropologia social.  A obra traz informações sobre os Araweté em dois momentos de sua história e mostra seu modo de vida atual em comparação com o período em que Viveiros de Castro conviveu com eles, nos anos 1980, pouco tempo depois do primeiro contato oficial com os brancos.

Fruto da pesquisa acadêmica realizada na década de 1980 por Eduardo Viveiros de Castro, a primeira edição desse livro foi publicada em 1992, em um esforço de adaptar o texto original a leitores não especializados que demonstraram grande interesse pelo modo de vida Araweté. Esta terceira edição foi revista e ampliada com novos capítulos desenvolvidos com base em estudos recentes de Camila de Caux e Guilherme Orlandini Heurich. Além disso, celebra trinta anos da pesquisa pioneira deste que é um dos mais respeitados antropólogos brasileiros.

Viveiros de Castro obteve autorização para visitar a aldeia no início dos anos 1980, após um ano e meio de negociações com equipes da Funai, à época comandada por militares. Os Araweté tinham somente cinco anos de contato oficial com os brancos. Entre 1981 e 1992, o antropólogo esteve por diversas vezes na aldeia do grupo, situada no igarapé Ipixuna, afluente do Médio Xingu, para estudar sua cultura. Nesse período, eles já haviam recuperado parte de seu número de habitantes, que quase foram dizimados por doenças no percurso realizado nos anos 1970 em direção a um dos postos da Funai.

A partir das pesquisas de campo e convivência com os índios, Viveiros de Castro produziu sua tese de doutorado para o Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social do Museu Nacional (UFRJ), intitulada Araweté: os deuses canibais (Zahar/ Anpocs, 1986). Com o interesse da comunidade acadêmica internacional, a obra foi traduzida para o inglês, sendo publicada pela Universidade de Chicago sob o título From the Enemy’s Point of View (1992).

Após intensa campanha, da qual participaram ativamente Viveiros de Castro e o antropólogo Beto Ricardo, ambos fundadores do Instituto Socioambiental (ISA), o Ministério da Justiça delimitou uma área de 985 mil hectares para fins de demarcação, um marco para a proteção e manutenção do modo de vida dos povos da região. Como parte das ações para dar visibilidade ao povo Araweté, nos anos 1990 foi realizada a primeira exposição sobre a etnia, no Centro Cultural São Paulo, com fotos de Viveiros de Castro, Beto Ricardo e Murilo Santos, pinturas e desenhos de Rubens Matuck e curadoria de Rosely Nakagawa.

Em 2015, o Sesc São Paulo realizou, na unidade Ipiranga, a exposição Variações do corpo selvagem: Eduardo Viveiros de Castro, fotógrafo, com curadoria de Veronica Stigger e Eduardo Sterzi, apresentando fotos produzidas por Viveiros de Castro em suas incursões entre povos indígenas da Amazônia. Na ocasião, representantes Araweté estiveram presentes no evento.

Os desdobramentos da pesquisa Nesse livro, Viveiros de Castro fornece informações sobre a língua, os rituais de caça, a alimentação, as relações afetivas, sexuais e reprodutivas, as características da agricultura, o xamanismo, as posições hierárquicas da tribo, entre outros aspectos da vida dos índios Araweté.

Nos anos 1990, Viveiros de Castro perdeu o contato com a tribo após mudar-se para o exterior. Durante os anos 2000, ele não teve permissão para entrar na área, devido à presença de missionários evangélicos na região. Em 2010, conseguiu autorização para que dois de seus alunos – Camila de Caux e Guilherme Orlandini Heurich – entrassem na área para desenvolver novas pesquisas com os Araweté. Parte dessa pesquisa pode ser encontrada na atual edição. “Os Araweté têm uma resiliência cultural muito forte que se mantém atualmente”, conta Viveiros. Mesmo sob a mira de madeireiras e impactados pela polêmica construção da usina hidrelétrica de Belo Monte, quando passaram por um processo de assistencialização das empresas do consórcio construtor da obra, eles ainda se mantêm autônomos em suas normas, crenças e costumes.

Este é um registro de fundamental importância tanto para o homem branco quanto para os próprios Araweté, um “documento para eles e seus filhos, que possam lembrar como era a vida deles há trinta anos e agora”, afirma Viveiros de Castro. Segundo ele, há uma vasta literatura infantil e especializada “de antropólogos para antropólogos” no Brasil, mas há um vazio deixado entre os livros para crianças e técnicos. E essa obra é uma tentativa de preencher essa lacuna.

“Aprendi com eles, que são um povo extremamente generoso e hospitaleiro, que é possível viver sem muita coisa que consideramos essencial. Também aprendi que a Amazônia é um lugar bom de se viver quando você não a destrói. Me tornei uma pessoa mais simples, menos citadina, menos urbana. Eles me fizeram descobrir um outro lado do Brasil, o lado bom do Brasil, e que ele próprio ainda não conseguiu destruir totalmente”, finaliza Viveiros de Castro.

“Para o Sesc São Paulo, o respeito à pluralidade cultural, em termos constitucionais e morais, é condição sine qua non para a cidadania de quem há muito vive nestas terras e de quem aporta com expectativas e visões de mundo. Entre os que vêm e os que ficam se reelabora a identidade brasileira.” Danilo Santos de Miranda – Diretor Regional do Sesc São Paulo

Ficha técnica:

Araweté: um povo tupi da Amazônia
Autores: Eduardo Viveiros de Castro, Camila de Caux e Guilherme Orlandini Heurich
ISBN: 978-85-9493-003-3
Formato: 19 x 25 cm
Páginas: 228 p.
Preço: R$ 70,00

Serviço

Lançamento do livro Araweté: um povo tupi da Amazônia
Eduardo Viveiros de Castro, Camila de Caux e Guilherme Orlandini Heurich
Encontro com Eduardo Viveiros de Castro, mediado pela jornalista da revista Época Juliana Cunha.  Com a presença de Kamaratí Araweté e Kurití Araweté.

Data: 27 de abril de 2017, quinta-feira, às 20h
Retirada de ingressos com 1 hora de antecedência na bilheteria da unidade.
Local: Sesc Ipiranga
Endereço: R. Bom Pastor, 822 – Ipiranga, São Paulo – SP, 04203-000
Telefone: (11) 3340-2000

As publicações das Edições Sesc São Paulo podem ser adquiridas em todas as unidades Sesc SP (capital e interior), nas principais livrarias e também pelo portal www.sescsp.org.br/livraria

SOBRE OS AUTORES

Eduardo Viveiros de Castro

Etnólogo americanista, com experiência de pesquisa na Amazônia.  Doutor em antropologia social pela UFRJ (1984).  Pós-doutorado na Université de Paris X (1989).  Docente de etnologia no Museu Nacional (UFRJ) desde 1978.  Publicou cerca de 120 artigos ou capítulos de livros e dez livros.  Cocoordenador da Rede Abaeté de Antropologia Simétrica (NanSi), também baseado no Museu Nacional (UFRJ).

Camila de Caux

Bacharel em ciências sociais pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), mestre e doutora pelo Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social pelo Museu Nacional (UFRJ).

Guilherme Orlandini Heurich

Bacharel em ciências sociais pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), mestre e doutor pelo Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social do Museu Nacional (UFRJ).

SOBRE AS EDIÇÕES SESC SÃO PAULO

Segmento editorial do Sesc, as Edições Sesc São Paulo têm o intuito de expandir o campo de ação da instituição, atendendo a um público cada vez mais amplo.  Seu catálogo abrange diversas áreas do conhecimento, com ênfase em artes e ciências humanas, tendo a programação artístico-cultural e educativa do Sesc como uma das principais fontes de conteúdos da editora.  Além dos títulos impressos, a editora já iniciou a digitalização de seu acervo.  O objetivo é ter, em breve, todo o catálogo em e-books.

Fonte: ISA

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