Igarapés do Tarumã-Açu estão cada vez mais poluídos

Filgueiras informou que estudo de 12 anos mostra que adensamento populacional nos bairros do entorno da Zona Norte de Manaus causaram impactos ambientais negativos – Fotos: Divulgação

O crescimento urbano desenfreado nos nove bairros que abrangem a bacia hidrográfica do Tarumã-Açu causou nos últimos tempos a poluição e contaminação de diversos igarapés da área. De acordo com o pesquisador Sávio José Filgueiras Ferreira, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTIC), um estudo de 12 anos realizado pelo grupo de pesquisa Recursos Hídricos da Amazônia (Rhania) confirma que o adensamento populacional nos bairros do entorno da Zona Norte de Manaus causou diversos impactos ambientais negativos nos igarapés Acará, Matrinxã, Sabiá e Bolívia.

“A principal poluição causada na região é a doméstica, pois dejetos são jogados nessas águas e a falta de saneamento básico contribui para a poluição. Quando comecei os trabalhos de monitoramento, em 2005, o igarapé Sabiá já estava comprometido. Visualmente, percebe-se essa poluição, que também já está comprometendo a vegetação do local. Algumas áreas estão impróprias para banho e para o consumo devido à presença de coliformes fecais”, disse Sávio José Filgueiras Ferreira.

Conforme o pesquisador, o igarapé Acará, ao receber as águas que drenam o conjunto habitacional Viver Melhor, localizado no bairro Santa Etelvina, na Zona Norte, tem sua qualidade comprometida. “As águas que saem da reserva saem com uma qualidade ambiental, porém, ao receber os esgotos domésticos do Viver Melhor, existe um grande impacto, alterando as características do igarapé Acará. O igarapé Bolívia também está contaminado. Ele recebe águas dos bairros Aliança com Deus e Cidade de Deus”, destaca o pesquisador, que ressalta que ao longo da bacia as águas são mais contaminadas devido ao crescimento populacional em outras regiões.

Segundo ele, o igarapé do Matrinxã, que passa próximo ao aterro sanitário de Manaus, na rodovia AM-010, também está comprometido, pois alguns dejetos são jogados nas águas. “Esse é o mais problemático. Ele desemboca no igarapé Acará, que é afluente do Bolívia”, explicou Filgueiras.

Filgueiras informou que as águas dos igarapés que saem da reserva Adolpho Ducke apresentam características naturais, como pH ácido (4,5), baixa condutividade elétrica, além de baixa concentração de nutrientes como cálcio, magnésio, potássio, nitrogênio e fósforo, e baixo conteúdo de coliformes fecais. E ao serem impactadas com os afluentes do residencial, as águas sofrem uma contaminação muito grande.

De acordo com o pesquisador, para recuperar o impacto causado nessa região, o Estado teria que investir muito dinheiro. Segundo ele, a população que mora na região teria que se conscientizar com as questões ambientais.

Em 2012, uma pesquisa realizada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam) na Bacia do Tarumã-Açu demonstrou que as águas também ficaram poluídas por conta da extração mineral de brita e pedras em blocos através de dinamitação nas margens dos igarapés.

Educação é a solução

O presidente do Comitê da Bacia do Tarumã-Açu, Sérgio Miranda, informou que a educação ambiental é a única solução para amenizar os impactos causados nos igarapés dessa região. “Estamos com vários projetos em comunidades do Tarumã. Recentemente, fizemos uma unidade de tratamento na comunidade do Tiú para amenizar os problemas ambientais naquela localidade”, disse Miranda, que ressaltou que a comissão tem o apoio da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema).

Miranda também informou que o trabalho tem um projeto no igarapé do Gigante, que também passa pelos bairros Redenção e conjunto Hileia, no bairro da Paz. “Fazemos um trabalho silencioso. Temos reuniões com comunitários, é uma luta solitária, mas que está tendo resultado. Fazemos a retirada de geladeiras, garrafas e outros lixos que são jogados nos igarapés. O que falta nessas áreas são unidades de tratamento de esgoto e saneamento básico nas regiões mais periféricas, já que grande parte da população joga seus coliformes fecais nas águas”, destacou o presidente do comitê.

Conforme a assessoria de imprensa da Sema, o Comitê de Bacia do Tarumã-Açu estava há 6 anos parado e foi reativado no ano passado.

Por: Thiago Monteiro
Fonte: Em Tempo

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