Vereador de Boa Vista defende garimpeiros em terras indígenas: ‘guerreiros e desbravadores’

Idázio da Perfil (PP) disse nesta terça (4) que defende atividade, mesmo ela sendo ilegal.

Outros parlamentares seguiram o entendimento do vereador Idázio da Perfil (PP) (Foto: Arquivo pessoal)

O vereador Idázio da Perfil (PP) declarou na tribuna da Câmara de Boa Vista que defende o garimpo em terras indígenas por homens que considera ‘desbravadores e guerreiros’, mesmo a atividade sendo ilegal. O discurso foi proferido na sessão ordinária desta terça-feira (4), momento em que outros parlamentares seguiram o entendimento do pepista.

Segundo Idázio da Perfil, os garimpeiros são “pais de família que se embrenham na mata por mais de 400 quilômetros para trabalhar e não são vagabundos”.

“Estive dentro da área indígena garimpando e já ajudei os índios. Quando a Polícia Federal e a Militar pegam garimpeiros, eles têm de gastar com advogados ou vender a própria casa para ficarem em liberdade. Fico revoltado porque são cidadãos de bem. E os indígenas que estão no nosso lixão é problema da Funai”, declara.

“Mesmo que seja ilegal, estarei aqui [na Câmara] defendendo”

Ainda de acordo com o vereador, os índios de Roraima deixam suas terras por causa da fome e não pela presença dos garimpeiros.

“Quando [os garimpeiros] vão para a mata levam a própria alimentação. Não comem o peixe do índio e nem a caça. Pelo contrário, quando veem o índio sem comida, os garimpeiros é que dão”, afirma o parlamentar, acrescentando que as Organizações Não governamentais (ONG’s) seriam as culpadas pela exploração de minérios nas terras de Roraima.

“Quero dizer que sou solidário aos amigos garimpeiros. Toda matéria que se falar contra esses cidadãos, que estão buscando o pão de cada dia, mesmo que seja ilegal, estarei aqui [na Câmara] defendendo. Que é mais importante do que ir para rua roubar residências e comércios. Quero parabenizar esses guerreiros e desbravadores”, promete, destacando que não apoia o garimpo ilegal, mas a legalização da extração de minérios.

O vereador Genilson Costa (SD), na ocasião, acompanhou o colega e disse que teve conhecimento da prisão de mais de 30 garimpeiros no município de Alto Alegre, na terça-feira (28).

“Quero parabenizá-lo, vereador [pelo pronunciamento]. Tive contatos com alguns presos e me relataram os gastos para ficarem em liberdade. Foram tratados como pilantras e bandidos e levados para a Polícia Federal algemados em fila indiana. Sabemos que o garimpo no nosso país é ilegal, mas estão se sustentando. Fica a minha indignação”, opina.

Albuquerque (PC do B) também se manifestou e disse ter se ‘compadecido com o assunto relacionado ao garimpo’.

“É lamentável a lei ambiental que regularizou e cerceou o direito do pai de família de buscar o pão de cada dia. Nas matas de Roraima, há cerca de dez mil homens, que deixaram suas famílias [para ir ao garimpo] da pior forma possível. Sem saber onde está o ouro”, declara.

A vereadora Aline Rezende (PRTB) também se declarou favorável às dificuldades enfrentadas pelos garimpeiros que atuam ilegalmente em Roraima. “Meu pai foi garimpeiro. Sei como é esta tarefa árdua. As pessoas que estão no garimpo foram por necessidade. Me coloco à disposição para ajudar. Estou nesta luta”, sustenta.

O vereador indígena Zélio Mota (PSD) apontou que o garimpo é um ‘assunto complexo’, por isso é necessário formalizar uma pauta e levar ao Congresso onde é local competente para discutir o assunto.

“Embora esse assunto não seja de competência da Câmara de Boa Vista, podemos elabora ideias e levar para nossa bancada federal. Sabemos que há uma pauta no Congresso a respeito da extração mineral no país. E os próprios índios têm amadurecido ideias sobre o garimpo. Conheço muitos índios que vivem disso”, pondera Mota.

Ainda de acordo com ele, as políticas públicas em áreas indígenas devem ser melhoradas para evitar a presença de índios em lixões.

“Temos de fortalecer a agricultura familiar. Dar um suporte na educação e na saúde. Buscar os benefícios levados para a sociedade até eles [índios]. Dessa forma, os indígenas podem permanecer em seus locais de origens e fazer com que o índio possa se inserir no meio social, recorrendo a meios que possam entrelaçar essas culturas”, analisa.

Fonte: G1

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