Riberinhos apontam danos econômicos e ambientais com atividade de hidrelétrica no rio Araguari

Comunidades de Porto Grande relatam cheias com atividade na região.  Hidrelétrica Cachoeira Caldeirão diz que respeita legislação, mas vai vistoriar áreas atingidas.

Hidrelétrica Cachoeira Caldeirão, em Porto Grande (Foto: Reprodução/Rede Amazônica)

Comunidades ribeirinhas de Porto Grande, a 102 quilômetros de Macapá, têm sentido prejuízos econômicos e ambientais com as cheias do rio Araguari, que atingem de forma intensa a região. Além do impacto das chuvas, a população aponta a atividade da hidrelétrica Cachoeira Caldeirão como agravante, a partir da liberação da água represada na barragem.

A Rede Amazônica no Amapá foi até a região e encontrou famílias que perderam plantações, animais, móveis e tiveram a estrutura das casas comprometidas pela água. As inundações afetaram também locais às margens do rio destinados a desova de animais, como o tracajá.

A hidrelétrica informou que vai realizar vistorias nos imóveis localizados nas margens do rio Araguari junto com órgãos ambientais, conforme acertado em assembleia pública. A empresa diz também que as cheias ocorrem desde 2014, muito antes da formação do reservatório da hidrelétrica, em 2016.

Vivendo em uma casa de madeira às margens do Araguari, o agricultor Luís Oliveira aponta que a invasão da água se intensificou a partir da implantação da hidrelétrica. “Eu tive que correr para onde não vai para o fundo. Morrendo porco, galinha, perdi material elétrico, televisão”, conta.

Família de Luiz Oliveira (camisa verde) perdeu animais e móveis (Foto: Reprodução/Rede Amazônica)

No caso da agricultora Maria de Fátima dos Santos a cheia afetou a estrutura da casa de madeira onde mora, que fica a mais de uma hora rio a dentro partindo de Porto Grande. O impacto afetou as plantações da família, que são a principal fonte de renda.

“Teve perda de mandioca, de macaxeira, as bananas que estavam dando cachos, cairam todinhos. Nosso motor de serrar mandioca foi para o fundo”, relatou a agricultora.

Sobre as reclamações dos ribeirinhos, a hidrelétrica reitera ainda que segue e respeita a legislação vigente e as normas do setor elétrico, bem como atende a todas as exigências sociais e ambientais para a minimizar os impactos decorrentes da construção da usina.

As alegações da empresa estão sendo contestadas pelo Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), que pretende acionar os ministérios públicos estadual e federal após a conclusão de um relatório sobre as situações que estão acontecendo ao longo do rio.

“Verificamos muitas pessoas que foram atingidas pelo lago da Cachoeira Caldeirão.Vamos acionar o Ministério Público Estadual, e o Federal, concernente às tracajás que não tem mais onde desovarem”, adiantou Moroni Guimarães, representante do MAB.

Fonte: G1

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