Programa de Eficiência de Recursos na Cadeia da Carne deve ser lançado em 2018

Implementação do programa depende de aprovação de financiamento

A Carbon Trust, empresa voltada à transição para uma economia de baixo carbono, elaborou o Programa de Eficiência de Recursos na Cadeia da Carne. Alinhado com as metas da Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC), assumidas pelo Brasil na COP-21 em Paris, o programa tem como objetivo oferecer soluções em financiamento e assistência técnica para viabilizar implementação de soluções que aumentem a eficiência e produtividade da cadeia da carne bovina. O desenho do programa foi submetido à Nama Facility, empresa que apoia projetos de países em desenvolvimento voltados ao combate das mudanças climáticas, e selecionado para a fase de detalhamento. Segundo informou João Lampreia, gerente geral da Carbon Trust e líder do programa, se o fundo for aprovado, a previsão é que sua implementação aconteça em 2018.

De acordo com a empresa, a indústria de carne brasileira gerou R$ 51 bilhões em receita com uma produção de 10,2 milhões de toneladas em 2013. Em 2014, a pecuária de corte foi diretamente responsável por 17% das emissões de gases de efeito estufa (GEE) no Brasil – enquanto seus efeitos indiretos sobre mudanças de uso da terra foram responsáveis por outros 24%, principalmente em razão do desmatamento atribuído à expansão da pecuária no Cerrado e na Amazônia, totalizando 41% das emissões nacionais.

Com o aumento da produção de carne planejada pelo Plano Mais Pecuária, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) – que quer atingir a marca de 13,6 milhões de toneladas em 2023 – a tendência é que a contribuição da cadeia da carne para as emissões brasileiras continue nesse patamar, trazendo consigo externalidades sociais e ambientais que sobrepõem à receita gerada por essa indústria. A partir disso, a pesquisa realizada pela Carbon Trust indica que há potencial significativo para o aumento de eficiência na utilização de recursos nessa cadeia, de forma que a realização desse potencial poderia resultar em impactos no desmatamento evitado, na economia de energia, aumento de produtividade e competitividade em todos os subsetores, além de amplas reduções nas emissões de GEE.

Lampreia afirma que a importância do programa está diretamente ligada às metas que o país assumiu em torno do setor da pecuária. “Somos criadores de soluções práticas, captamos financiamento e fazemos acontecer. O que estamos fazendo é mostrar ao governo como se deve executar tal meta, demonstrando que não basta ter o Plano ABC se não existe um componente de assistência técnica”, afirma. Para ele, apesar do Programa ABC prever assistência técnica, a locação de recursos para o programa é mínima. “Existe um abismo entre o financiamento e programas de assistência técnica. Fora a assistência técnica governamental, temos iniciativas que não estão fazendo link com o financiamento. O programa da Carbon é uma demonstração, ainda que relativamente pequena quando comparada aos problemas que temos, de que não adianta fazer só financiamento, precisamos fazer da assistência técnica algo corriqueiro”, completa.

Eficiência

A pesquisa aponta, ainda, que a indústria de carne bovina do Brasil terá de aumentar sua produtividade e tornar-se mais eficiente na utilização de recursos em todos os seus cinco subsetores: pecuária, transporte de animais vivos, instalações de processamento, transporte refrigerado e varejo, para alcançar a meta de crescimento de produção estabelecida no Plano Mais Pecuária.

Entre os principais objetivos do programa estão: demonstrar que práticas de baixo carbono fazem sentido econômico na cadeia da carne, apoiar o crescimento e a regularização da classe média pecuarista brasileira, tornando-a mais competitiva, produtiva e ao mesmo tempo reduzindo suas emissões de GEE e outros impactos socioambientais, e alavancar as relações comerciais de grandes empresas na cadeia da carne, criando incentivos para a adoção de melhores práticas em seus fornecedores e em suas próprias unidades.

Para ter acesso ao documento na íntegra, acesse aqui.

Fonte: Observatório ABC

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