Filhotes de pinguins-de-adélia morrem de fome na Antártica

Pinguins-de-adélia se equilibram sobre gelo na Antártica
Pinguins-de-adélia se equilibram sobre gelo na Antártica

Milhares de filhotes de pinguins-de-adélia morreram de fome na Antártica devido à incomum expansão da banquisa (gelo marinho), que obrigou seus pais irem mais longe para buscar alimento, disse nesta sexta (13) um grupo de cientistas.

Pesquisadores do Centro Nacional de Pesquisa Científica da França (CNRS, na sigla em francês), com o apoio do Fundo Mundial para a Natureza (WWF), estudam desde 2010 uma colônia de 18 mil casais de pinguins-de-adélia do leste da Antártica.

Os cientistas descobriram que só dois filhotes tinham sobrevivido após a última temporada de reprodução (final de 2016 ao início de 2017).

Segundo Yan Ropert-Coudert, cientista na estação de pesquisa Dumont de Urville, perto da colônia dos pinguins, a região sofreu as consequências das mudanças ambientais vinculadas à ruptura da geleira Mertz.

“As condições estão estabelecidas para que isso aconteça com mais frequência devido à quebra da geleira Mertz em 2010, que mudou a configuração do mar na frente da colônia”, afirmou. “Mas há outros fatores necessários para se ter um ano zero”.

Ropert-Coudert citou os níveis das temperaturas, a direção e a força dos ventos e a ausência de polínias (espaços abertos de água rodeados de gelo) na frente da colônia.

Com uma dieta principalmente à base de krill –um pequeno crustáceo parecido com um camarão– os eficientes nadadores pinguins-de-adélia em geral prosperam na Antártica Oriental.

Mas eles estão diminuindo na região, afetada pelas mudanças climáticas. O derretimento dos bancos de gelo reduz seu habitat; os filhotes estão adaptados à neve mas não à chuva; e o aquecimento da água influencia na quantidade de presas.

Há quatro anos, a mesma colônia, que naquele momento contava com 20.196 casais, não teve nenhum filhote, um fenômeno provocado por níveis maiores de gelo marinho, combinado com um tempo quente e com chuvas, seguidos de uma rápida queda de temperatura –que fez com que os pinguins ficassem encharcados e congelassem até a morte.

Os pesquisadores informaram sua descoberta durante a reunião anual da Comissão para a Conservação da Fauna e da Flora Marinhas na Antártica, em Hobart, na ilha australiana da Tasmânia.

Fonte: AFP

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