Governo divulga redução do desmatamento da Amazônia, ambientalistas afirmam que há pouco a comemorar

Foto: Gilberto Soares/MMA

A estimativa é que entre agosto de 2016 a julho de 2017 o corte raso na Amazônia foi 16% menor: 6. 624 km², o que representa redução em relação aos 7.893 km² registrados no período anterior. Os dados foram divulgados em coletiva de imprensa ontem (17) pelo pelos ministros do Meio Ambiente, Sarney Filho e de Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, Gilberto Kassab.

Os ministros aproveitaram a ocasião para afirmar que não houve retrocessos ambientais no governo do presidente Michel Temer e usaram o caso do decreto que extinguiria a Reserva Nacional do Cobre e Associados (Renca) para reforçar a preocupação do governo com a temática ambiental. A extinção da Renca foi anunciada em agosto, mas foi cancelada após forte pressão popular.

* dados divulgados pelo MMA

Para Mauro Armelin, diretor executivo da Amigos da Terra – Amazônia Brasileira, ainda é cedo para comemorar. “O número em si é bom mas só teremos o que comemorar quando o desmatamento cair por, no mínimo, 3 anos seguidos e a taxas substanciais, que possam compensar o acumulado dos últimos anos de aumento. Infelizmente as previsões não são boas já que 2018 é ano de eleições e sempre tem sido um evento pouco amistoso com a floresta, onde candidatos a governos estaduais relaxam na fiscalização e também concedem mais autorizações de desmatamento”, afirma.

Durante seu discurso Sarney atribuiu a queda do desmatamento à intensificação do comando e controle na Amazônia, para Paulo Barreto, pesquisado do Imazon, no entanto, a redução se deve a queda no preço do gado e à recessão na economia. “A febre baixou, mas o paciente continua doente. A queda foi em parte devida à recessão. Houve queda de preço do gado. A pecuária é a principal causa do desmatamento”, afirma.

Para Carlos Rittl, secretário-executivo do Observatório do Clima, “a queda de 16% em 2017 não compensa a subida de mais de 50% nos dois últimos anos. Além disso, o governo Temer segue vendendo a Amazônia, o meio ambiente e os direitos dos povos tradicionais à bancada ruralista em troca de votos no Congresso para se safar de denúncias de corrupção. Enquanto isso permanecer, nenhuma queda na taxa de desmatamento é sustentável, e o Brasil seguirá botando em risco seus compromissos internacionais e o clima do planeta”.

Para atingir as metas do clima, compromisso internacional assumido pelo país que prevê a redução das emissões dos gases que causam o aquecimento global, a devastação precisa cair a 3.900 quilômetros quadrados até 2020.

Os números do desmatamento divulgados são do Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite (Prodes) e a divulgação de dados ainda não consolidados serve, segundo o ministro Sarney, para agilizar a divulgação. “Esses dados serão disponibilizados de uma maneira mais rápida, mesmo que de maneira provisória e, depois, em definitivo”, afirmou o ministro. “Essa integração de esforços nos permitirá cada vez mais alcançar importantes resultados”, acrescentou.

Por: Aldrey Riechel
Fonte: Amazônia.org.br

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