Professores indígenas de Cacoal buscam especialização e se destacam na qualidade do ensino

Elisângela Dell-Armelina Suruí, de 38 anos, foi premiada por seu projeto de alfabetização na língua indígena Paiter Suruí em Cacoal. (Foto: Carol Moreno / G1)

Um dos destaques de Cacoal (RO), a 480 quilômetros de Porto Velho, é a educação. O município, que completou 40 anos de emancipação no último domingo (26), é considerado polo universitário e emprega professores que se destacam na qualidade do ensino. Um exemplo é a professora indígena Elisângela Dell-Armelina Suruí, que ganhou o prêmio Educador Nota 10 e Educador do Ano, em outubro deste ano.

De acordo com o secretário do setor de educação indígena da Coordenadoria Regional de Educação (CRE), Giumar Ferreira Lima, os professores indígenas estão buscando qualificação para melhorar o ensino oferecido aos alunos.

Em Cacoal, existe uma média de dois mil indígenas, segundo dados da Fundação Nacional do Índio (Funai), sendo a maioria da etnia Paeter Suruí. Para atender esse público, há no município dez escolas construídas na terra indígena Sete de Setembro, que atendem exclusivamente a população indígena.

“Dessas dez escolas indígenas, cinco atendem até o 5º ano e cinco escolas atendem do primeiro ano até o 3º ano do ensino médio. O ensino oferecido aos indígenas é legalmente de responsabilidade do estado, portanto é a Secretaria de Estado da Educação (Seduc) que mantêm a educação indígena”, explicou Giumar. Trabalham com a educação indígena, em Cacoal, 50 professores. Desse número, 33 são índios. De acordo com o secretário Giumar, os professores estão se capacitando e com isso melhorando a qualidade de ensino repassada aos indígenas. Seis dos professores do quadro indígena estão fazendo mestrado.

Aldeia em Cacoal, RO (Foto: Rede Amazônica/Reprodução)

“Desses professores que atuam na educação indígena, 20 são graduados e 10 estão concluindo a graduação através do cursointercultural, oferecida pela Universidade Federal de Rondônia (Unir), em Ji-Paraná, além disso, seis deles estão fazendo mestrado”, destacou.

O professor indígena Gamalolo Suruí, de 38 anos, atua nas disciplinas de língua portuguesa, arte indígena, língua materna e cultura do povo. Ele conta que para oferecer um melhor ensino aos seus alunos está concluindo o mestrado na área de educação, na Universidade Rural do Rio de Janeiro.

“As maiores dificuldades que encontro na educação é falta de material didático da língua materna e a falta de internet nas escolas indígenas que possibilitaria a pesquisa dos discentes. A defesa do meu mestrado será em março, com essa qualificação pretendo conseguir repassar um ensino de melhor qualidade aos meus alunos”, disse o professor.

Destaque nacional

Neste ano, a educação indígena de Cacoal foi ainda mais evidenciada, através do Prêmio Educador Nota e Educador do Ano, que foram para a professora Elisângela Dell-Armelina Suruí. A professora teve a iniciativa de confeccionar um livro utilizando figuras da realidade indígena e linguagem de sinais, para ajudar no aprendizado dos alunos, com o tema ‘A fala e a escrita da criança’.

A premiação foi feita em uma cerimônia realizada em São Paulo (SP) no mês de outubro e quando retornou a Cacoal foi recebida com festa no aeroporto.

“Com o trabalho que desenvolvi ao longo de um ano, com o apoio dos pais e dos próprios alunos, consegui fazer com que os alunos se vissem no material didático trabalhado em sala de aula e passassem a compreender melhor o que era ensino tanto na língua materna, quanto na portuguesa”, contou Elisângela.

Busca pelo ensino

Os alunos que estudam nas aldeias entram no 1º ano com seis anos de idade e, geralmente, aos 11 anos estão concluindo o 5º ano. Já no caso dos alunos que estão cursando o ensino médio, a idade nem sempre é respeitada, tendo em vista que somente no ano de 2014 o ensino médio passou a ser oferecidas aos indígenas de Cacoal.“Do 6º ao 9º ano, temos alunos dentro da faixa etária e outros fora, isso porque muitos alunos que estavam fora de sala de aula estão voltando, entrando fora da faixa etária, principalmente no ensino médio, já que esse ensino passou a ser oferecido nas aldeias em 2014. Por isso, há uma variável. Temos alunos de até de 30 anos cursando o ensino médio nas aldeias”, contou Guimar.

Para Giumar, os indígenas estão buscando cada vez mais qualificação. “Nós temos visto uma preocupação dos indígenas, os pais dos alunos sempre estão procurando colocar os filhos na escola. Então, essa questão de educação escolar passou a ser uma preocupação dos índios”, disse o secretário.

A Funai não soube informar a quantidade total dos índios de Cacoal que possuem nível superior, porém está sendo realizado um censo interno, com várias informações relacionadas aos indígenas, inclusive sobre essa questão.

Por Magda Oliveira 
Fonte: G1 Cacoal e Zona da Mata
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