Acusada de fraudar reintegração de posse, ex-procuradora de Tucuruí é alvo de denúncia do Ministério Público

A advogada Gláucia Rodrigues Brasil Oliveira, presa em dezembro de 2017, é acusada de nove crimes pela promotoria de Justiça. Ações criminosas tiveram participação do marido, o Major da PM Leonardo Oliveira, também preso.

MPPA oferece nova denúncia contra advogada e ex-promotora de Justiça de Turucuí por esquemas criminosos. (Foto: Reprodução / TV Liberal)

O Ministério Público do Pará (MPPA) divulgou nesta quarta-feira (17) que ofereceu nova denúncia contra a advogada Gláucia Rodrigues Brasil Oliveira, ex-procuradora de Tucuruí, sudeste do Pará, e outras três pessoas envolvidas em crimes no município. A advogada foi presa em dezembro de 2017 suspeita de comandar dois esquemas criminosos, um envolvendo operações ilegais de reintegração de terras e outro de clonagem para venda de carros roubados. Segundo o MPPA, ela atuava junto com o marido, o Major da Polícia Leonardo do Carmo Oliveira, também preso em dezembro.

A advogada, segundo a promotoria de Justiça de Tucuruí, deverá responder um total de nove crimes: corrupção passiva, lavagem de dinheiro, falsa comunicação de crime, apropriação indébita, falsidade ideológica, dano, peculato, coação no curso do processo e constituição de milícia privada, como coautora. Outras três pessoas suspeitas de envolvimento nos crimes também foram denunciados, um funcionário público por receptação e constituição de milícia privada; um eletricista e um pecuarista por receptação.

De acordo com o inquérito policial divulgado pelo Ministério, uma fazenda na zona rural de Tucuruí havia sofrido três problemas de ocupação nos últimos cinco anos. O administrador então, segundo a promotoria, acertou o valor de R$70 mil para o casal fazer o serviço. O pagamento foi comprovado durante as investigações. A quantia, segundo o inquérito, foi depositada em duas parcelas na conta da mãe da advogada.

O MPPA disse que o major reuniu policiais e viaturas para a ação. “No local a polícia chegou atirando, destruiu e ateou fogo nos barracos e objetos pessoais que estavam dentro. Toda a ação foi realizada sem nenhum mandado de reintegração de posse”, informou a promotoria. Apesar da expulsão, os posseiros retornaram ao local e outra ação foi negociada, desta vez com a assinatura de um contrato em nome do major. Na tentativa, segundo a promotoria, ficou acertado o uso de uma caminhoneta devido uma denúncia na Corregedoria da polícia envolvendo as viaturas usadas na primeira ação.

“A referida conduta é contrária à recomendação conjunta da Promotoria de Justiça Militar e das Promotorias de Justiça Agrária que recomendaram a abstenção da Polícia Militar do Estado do Pará em realizar reintegrações de posse sem mandado judicial”, frisa a promotora de Justiça Amanda Lobato.

O inquérito também aponta, de acordo com a promotoria, que a advogada utilizava um veículo roubado para uso pessoal e adulterou a documentação. Em escutas telefônicas foram identificadas ameaças que caracterizaram coação.

Fonte: G1

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