Pesquisas recebem incentivos para avaliar impactos de hidrelétrica em rio do AP

Quatro projetos terão R$ 100 mil para identificar consequências da instalação de barragens no Rio Araguari para o meio ambiente e população de Ferreira Gomes.

Pesquisas vão avaliar impactos da instalação de hidrelétrica em Ferreira Gomes (Foto: John Pacheco/G1)

Quatro grupos de pesquisa vão receber ao todo R$ 100 mil para avaliarem os impactos da instalação de barragens de hidrelétrica ao longo do Rio Araguari para o meio ambiente e a população de Ferreira Gomes, no Amapá.

A iniciativa faz parte do Programa de Incentivo a Pesquisa no Vale do Araguari, coordenado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amapá (Fepeap). Segundo o governo, os recursos são financiados pela Ferreira Gomes Energia (FGE), a título de compensações ambientais previstas no Plano Básico Ambiental da empresa (PBA).

De acordo com a Fapeap, o programa quer que os resultados das pesquisas proporcionem ideias inovadoras para a região onde passa o Araguari sobre influência da usina hidrelétrica.

“Esta chamada tem por objeto o fomento a projetos de pesquisa básica e aplicada nas linhas do conhecimento, assim como estimular iniciativas inovadoras que proporcionem soluções de impactos e de baixo custo para a região do Vale do Araguari sobre influência da usina hidrelétrica de Ferreira Gomes”, cita o edital do certame.

Propostas vão identificar impactos da atividade hidrelétrica no Rio Araguari, no Amapá (Foto: Abinoan Santiago/Arquivo G1)
Propostas vão identificar impactos da atividade hidrelétrica no Rio Araguari, no Amapá (Foto: Abinoan Santiago/Arquivo G1)

Os projetos foram selecionados através de uma chamada pública realizada em 2017. Sete propostas foram inscritas e o resultado foi divulgado no dia 22 de janeiro. A assinatura dos contratos está prevista para ocorrer em fevereiro e as pesquisas devem ser desenvolvidas em até um ano.

As propostas, que deveriam ser inscritas por meio de instituições de ensino e pesquisa, serão realizadas por pesquisadores vinculados à Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), ao Instituto de Pesquisa Científica e Tecnológica do Amapá (Iepa) e à Universidade Federal do Amapá (Unifap).

Confira a seguir os quatro projetos selecionados:

  • Alternativa de manejo sustentável para a bubalinocultura na bacia do Araguari;
  • Implantação e análise de Unidade de Referência Tecnológica de Mandioca e Fruticultura no Vale do Araguari;
  • Traços da história de vida de Hoplias aimara, Valenciennes 1846 no Alto Araguari (Floresta Nacional do Amapá), estado do Amapá;
  • Avaliação do potencial de produção de frutos do açaizeiro nativo de várzea do Vale do Rio Araguari.

Hidrelétrica em Ferreira Gomes

O município teve a maior variação econômica do Produto Interno Bruto (PIB) do Amapá no ano de 2015, 80,6% a mais em relação ao ano anterior, causada pela produção de energia elétrica, de acordo com a Secretaria de Estado do Planejamento (Seplan).

Por outro lado, a instalação de três usinas no Rio Araguari provocou diversos mudanças para o meio ambiente e população ribeirinha, que geraram protestos, investigações e ações judiciais.

Em 2015, uma inundação atingiu 1,4 mil moradores, principalmente da orla de Ferreira Gomes. Moradores e uma das empresas com usinas construídas no rio acusaram uma manobra de outra empresa como causadora do sinistro.

A responsável pela Hidrelétrica Cachoeira Caldeirão chegou a ser investigada pelo Ministério do Trabalho. As três empresas também foram denunciadas pelos ministérios públicos Estadual (MPE) e Federal (MPF) como responsáveis pela inundação.

Em 2017, o MPF pediu na Justiça Federal a indenização de pescadores em R$ 15 milhões por uma empresa devido à mortandade súbita de peixes no rio Araguari. As mortes de grande quantidade de espécies começaram a ser registradas em 2014. A indenização seria referente a somente 5 casos ocorridos entre janeiro de 2016 e fevereiro de 2017.

Fonte: G1

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