Adriano Karipuna vai à ONU denunciar graves violências contra seu povo

Quase extinto na década de 1970, os Karipuna têm sido crescentemente pressionados pelo roubo de madeira, pela grilagem e pela venda de lotes. Segundo as lideranças indígenas, a violência também vem se agravando.

O povo Karipuna não pode mais transitar livremente por seu território tradicional, localizado no estado de Rondônia, na Amazônia brasileira. Apesar de homologada pela Presidência da República em 1998 – há quase três décadas, a Terra Indígena (TI) Karipuna tem sido gradualmente invadida, suas florestas estão sendo destruídas para a retirada ilegal da madeira e até mesmo a venda de lotes, pelos invasores, vem ocorrendo. Como consequência, as ameaças e a violência também tem aumentado.

Este é o relato que Adriano Karipuna, uma das lideranças de seu povo, fará em uma das sessões do Fórum Permanente das Nações Unidas sobre Questões Indígenas, que acontecerá em Nova Iorque (EUA), entre os dias 16 e 22 de abril. “Uma das consequências destas atividades ilegais é que você não tem paz na sua própria casa. Você tem uma residência, mas não tem paz”, testemunhará Adriano.

Ao denunciar a dramática situação de seu povo para a comunidade internacional, a liderança pretende chamar atenção para a necessidade do governo brasileiro promover ações efetivas e contínuas de proteção ao território tradicional e aos seus habitantes originários.

O povo Karipuna foi contatado pela Fundação Nacional do Índio (Funai) na década de 1970. Em um contexto de intensa exploração da borracha na região, eles quase foram dizimados, e chegaram a ter a sua população reduzida a apenas quatro indivíduos. Mesmo com a terra homologada, a proteção da TI Karipuna existe apenas no papel. A realidade é bastante diferente, e o processo de invasão e apossamento ilegal por parte de não-indígenas coloca em risco a sua existência enquanto povo. O Ministério Público Federal (MPF) de Rondônia define a vulnerável situação dos Karipuna como sendo de eminente genocídio.

Mapa TI Karipuna

Entre os anos de 2000 e 2014, imagens de satélite do Prodes evidenciam que a taxa de desmatamento na TI Karipuna foi de 342 hectares. Apenas nos primeiros seis meses de 2017 foram desmatados 1.045 hectares de floresta, fazendo com que a TI Karipuna seja uma das terras indígenas mais invadidas na Amazônia.

Um mapa com o registro do desmatamento na TI e em seu entorno desde 1997 foi entregue às autoridades. Utilizando dados públicos, o material permite visualizar a situação de degradação nas unidades de conservação no entorno da terra indígena e o aumento das invasões em seu interior a partir de 2015.

O caso Karipuna é ainda mais emblemático porque existem referências da própria Funai em relação à presença de indígenas isolados no interior da TI Karipuna. Estes indígenas evitam o contato com a sociedade não indígena e a própria existência deles está bastante ameaçada pela destruição da floresta e a expansão do esbulho territorial que está ocorrendo no local.

Fonte: Greenpeace

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