Secretaria de Saúde emite alerta epidemiológico de raiva humana para 13 Centros Regionais de Saúde do Pará

Ação é para a identificação precoce da existência de agressões por morcegos em humanos ou em animais, e medidas de controle. Em 2018, sete pessoas morreram com suspeita de raiva humana no estado.

A Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa) emitiu um alerta epidemiológico de raiva humana para os 13 Centros Regionais de Saúde do Pará. Até a última quarta-feira (16), do total de sete mortes com suspeita de raiva humana, apenas um caso foi confirmado pela Sespa. Há mais três pessoas internadas em Belém e outras quatro em Breves com os sintomas da doença.

De acordo com a Secretaria, o alerta foi disparado para todo o estado para que seja intensificada a identificação precoce da existência de agressões por morcegos hematófagos em humanos ou em animais no peridomicílio (área externa da moradia) com vistas à adoção, em tempo hábil, das medidas de controle pertinentes, tais como controle de quirópteros (morcegos), profilaxia da raiva humana e bloqueio animal.

Para Fernando Esteves, coordenador de zoonoses da Sespa, a medida é importante para informar sobre a situação da raiva no Brasil e no Estado do Pará para os profissionais da atenção básica, da vigilância epidemiológica, da assistência, da agricultura, ou pessoas da comunidade, sobre a importância de notificar, imediatamente, essas agressões aos serviços de saúde, evitando a ocorrência de raiva humana.

“Dessa forma, para se evitar casos de raiva humana, como os que estão ocorrendo no município de Melgaço, é fundamental que a pessoa, vítima de mordedura ou arranhadura de animais, sejam eles de estimação (cães ou gatos) ou silvestres (macacos, quatis, morcegos, entre outros), procure, imediatamente, o serviço de saúde mais próximo de sua casa para receber orientações e iniciar a profilaxia da raiva humana com vacina ou soro antirrábicos conforme o caso”, orientou o coordenador estadual.

Para o caso de Melgaço, a Sespa, a Agência de Defesa Agropecuária do Pará (Adepará) e o Ministério da Saúde realizam um trabalho conjunto de investigação e prevenção da raiva humana no município, com a concentração das ações na localidade de Rio Laguna, a cerca de 70 quilômetros de Melgaço, com cerca de mil habitantes.

Raiva humana deixa vítimas fatais no Pará. (Foto: Arte G1)
Raiva humana deixa vítimas fatais no Pará. (Foto: Arte G1)

Prevenção

Equipes da vigilância epidemiológica e vigilância em saúde estão no local para investigar as suspeitas, em parceria com a Agência de Defesa Agropecuária do Estado do Pará (Adepará) e Ministério da Saúde.

A Secretaria ainda reforça que intensificou as ações na região. Foram enviadas na segunda-feira (14) 1.000 doses de vacinas antirrábicas e 300 frascos de soros antirrábico. As ações se concentram na localidade de Rio Laguna, cerca de 70 km de Melgaço, onde residem aproximadamente 1.000 pessoas na comunidade. Até o momento já foram vacinadas 500 pessoas e entregues mosquiteiros para essa população.

Todos os pacientes apresentam quadro semelhante, com sinais e sintomas como febre, dispneia, cefaleia, dor abdominal e sinais neurológicos – paralisia flácida ascendente, convulsão, disfagia (dificuldade de deglutir), desorientação, hidrofobia e hiperacusia (sensibilidade a sons, principalmente agudos).

Histórico

Segundo a Sespa, casos confirmados de raiva humana no Pará não ocorriam desde 2005, quando 15 foram registrados no município de Augusto Corrêa e três em Viseu, nordeste paraense. Todos foram infectados por transmissão de morcego hematófago. No caso de Portel, no Marajó, os últimos casos de raiva humana ocorreram em 2004, atingindo 15 pessoas, também todas transmitidas por morcego.

Vigilância faz pente fino na Zona Rural de Jundiaí (SP) para encontrar morcegos transmissores do vírus da raiva  (Foto: Prefeitura de Jundiaí/Divulgação)
Vigilância faz pente fino na Zona Rural de Jundiaí (SP) para encontrar morcegos transmissores do vírus da raiva (Foto: Prefeitura de Jundiaí/Divulgação)

Fonte: G1

Deixe um comentário