Consumidor entende que seus hábitos de consumo impactam o meio ambiente

Ainda que não entenda os termos técnicos presentes na legislação, o consumidor está mais consciente da relação consumo, meio ambiente e Código Florestal. É o que mostra uma pesquisa divulgada nesta terça-feira (13) pelo Instituto de Pesquisa da Amazônia (Ipam) realizada pelo Ibope e Rede Conhecimento Social, em São Paulo.

“O acesso à informação é a base para um consumo mais consciente”, afirma a pesquisadora do IPAM Laura Braga. “Quanto mais conhecimento a pessoa tem, melhor ela percebe a ligação entre produção no campo, a importância do Código Florestal e melhores produtos na mesa.”

Questionados especificamente sobre a relação entre a produção de alimentos e o Código Florestal, 6 em cada 10 entrevistados afirmaram que veem muita relação, sendo que para 21% esses assuntos estão extremamente relacionados e para 40% estão muito relacionados. Apenas 4% não fazem essa ligação, enquanto 28 classificaram como mais ou menos e 8% como pouco relacionado.

Outro dado importante é que as pessoas estão mais dispostas a pagar um valor diferenciado pelos produtos que respeitem as leis ambientais. 60% afirmaram que pagariam um pouco a mais por itens que respeitem o Código Florestal e 28% se disseram mais ou menos dispostos. “O consumidor quer mais transparência, quer produtos que façam bem e que não façam bem somente para saúde dele, mas para sociedade”, afirma Cristiane Amorim, do Ipam.

O índice é maior entre os mais jovens que responderam a pesquisa, o que demonstra uma preocupação das novas gerações em buscar informações sobre o que encontra nas prateleiras dos supermercados. “Lembrando que essa faixa mais jovem daqui a pouco será a faixa que vai ter a maior capacidade de compra”, ressalta Cristiane.

Questionados especificamente sobre o Código Florestal, cerca de 3 a cada 10 dizem não conhecer a legislação ambiental, no entanto quando apresentados aos conceitos como Reserva Legal e Áreas de Preservação Permanente mais da metade afirmaram entender do que se trata. Os termos mais técnicos como Cadastro Ambiental Rural e o Programa de Regularização Ambiental são mais desconhecidos para o consumidor, no entanto 26% e 34%, respectivamente, afirmaram conhecer.

Ao responderem sobre as questões ambientais, os entrevistados sinalizaram que os mais incômodos são os problemas com esgoto, água contaminada e poluição. Ou seja, os temas que são mais próximos do cotidiano nas cidades. No entanto a contaminação de alimentos e o desmatamento receberam um número alto de menções.

Além da pesquisa quantitativa realizada em seis capitais (Brasília, Manaus, Rio de Janeiro, Recife, Porto Alegre e São Paulo) com 600 entrevistados, entre 28 de novembro e 25 de dezembro de 2017, também foram realizadas oficinas em nove capitais para uma análise qualitativa sobre os temas. O nível de confiança é de 95%, com margem de erro de quatro pontos percentuais.

Informações nas embalagens

84% dos consumidores declaram ter o hábito de ler a embalagem dos produtos que consomem, a maioria em busca do prazo de validade (84%) e informações nutricionais (70%). As informações sobre transgênicos ou organismos geneticamente modificados é procurada por 30% e 28% busca indicações que explicitem a relação da produção com o meio ambiente.

A embalagem é também o local onde devem ter informações ambientais do produto, por meio de etiquetas, avisos e selos. Paras 78% dos consumidores é onde deve constar se um produto respeita a lei. Somente 16% das pessoas acredita a informação deveria constar em cadastros na internet ou fora dela e 5% acredita que a melhor forma seria por informações fornecidas pelo próprio produtor no local da compra.

Fonte: Amazônia.org.br

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