Os desafios de reconhecer o índio como agente ativo na História. Entrevista especial com Maria Cristina dos Santos

Durante muito tempo, a história dos índios foi narrada apenas pela voz dos chamados conquistadores, os primeiros espanhóis e portugueses que tomam a América no processo denominado “A Conquista”. Mais tarde, outras vozes começaram a revelar nuances dessas complexas relações entre dois povos que se encontram. Porém, seguiam como estrangeiras. Até que emerge a perspectiva de se contar a história na voz dos vencidos. Para a professora e historiadora Maria Cristina dos Santos, essa virada trouxe avanços, mas tende a estereotipar o índio como vítima. “A ideia do indígena como vítima do processo de conquista tende a esvaziá-los das características culturais mais fundamentais, tais como a relação com a natureza ou a concepção anímica de mundo”, destaca. Por isso, defende uma virada historiográfica que busca apreender o passado desses povos como partícipes ativos de um complexo processo político e cultural que caracterizou “A Conquista”. “São personagens que aparecem na documentação com nome e sobrenome, são autores de cartas ou petições, que interagem na sociedade colonial tanto quanto se distanciam da estrutura de suas coletividades originárias”, completa.

Na entrevista a seguir, concedida por e-mail à IHU On-Line, Maria Cristina ainda aponta que essa visão do índio traz reflexos até hoje. “Essa visão repercutiu nas políticas indigenistas praticadas pelos Estados Nacionais de que os indígenas são incapazes e que precisam ser tutelados por organismos governamentais como o Serviço de Proteção ao Índio – SPI e sua substituta, a partir de 1967, a Fundação Nacional do Índio – Funai”, analisa. Na recente associação entres os campos da Antropologia e História, vê uma chave interessante que pode apontar caminhos para uma virada de rota e superação dessas lógicas. “Acho que essa superação é demasiado utópica, mas não impossível. Sempre nos parecerá mais confortável ver o indígena como aquele Outro que se aproxima de nós, dos nossos padrões de convivência, incapazes que somos de vê-lo como um Outro que busca uma relação outra com os ocidentais”, reflete.

Maria Cristina dos Santos é graduada em História – licenciatura plena e bacharelado, com mestrado em História Ibero-Americana pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul – PUCRS. Ainda é doutora em História da América, com estágio pós-doutoral em Antropologia da América pela Universidad Complutense de Madrid. Atualmente é professora titular de História da América no Departamento de História da PUCRS e no Programa de Pós-Graduação de História. Entre suas publicações, destacamos Povos Indígenas. Coleção História Geral do Rio Grande do Sul, Vol. 5 (Passo Fundo: Méritos, 2009), Dois Modelos de Discurso: sobre a eficácia do ‘reduzir’ o Guarani e sobre o Guarani ‘reduzido’ (Revista História Unisinos, São Leopoldo, v. 8, n. 9, p. 63-79, 2004) e Apropriações possíveis de um protagonismo outro (Revista Brasileira de História, v. 37, p. 115-136, 2017).

Maria Cristina esteve na Unisinos no último dia 22/08, ministrando a preparatória para XVII Jornadas Internacionais sobre Missões Jesuítas, que ocorre no campus São Leopoldo da Unisinos entre os dias 22 e 25 de setembro. Saiba mais aqui.

Confira a entrevista.

IHU On-Line – Durante muito tempo, as perspectivas históricas rotulavam os indígenas como ingênuos e inocentes, que sucumbiam facilmente à ação do europeu conquistador. O que essa perspectiva historiográfica revela e quais os reflexos dessa visão nas atuais políticas de atenção aos povos originários?

Maria Cristina dos Santos – A ideia dos indígenas como ingênuos [1] que sucumbiram à ação conquistadora nasceu na década de 1950 e vigorou até os anos de 1970, com as publicações da “História dos Vencidos” [2] de Miguel León-Portilla [3] e Nathan Wachtel [4]. Esta tendência historiográfica tomou as escritas nativas sobre a conquista dos astecas e incas como uma forma de se contrapor aos cronistas europeus que insistiam na visão de que a conquista havia retirado os indígenas da barbárie, colocando-os em marcha para a civilização: a famosa Lenda Rosa da historiografia. Mas como apontas na pergunta, a ideia do indígena como vítima do processo de conquista tende a esvaziá-los das características culturais mais fundamentais, tais como a relação com a natureza ou a concepção anímica de mundo. Essa visão repercutiu nas políticas indigenistas praticadas pelos Estados Nacionais de que os indígenas são incapazes e que precisam ser tutelados por organismos governamentais como o Serviço de Proteção ao Índio – SPI [5] e sua substituta, a partir de 1967, a Fundação Nacional do Índio – Funai [6].

IHU On-Line – No que consiste e qual a importância da perspectiva que reconhece que o indígena é um agente ativo, o protagonista de sua própria história? A que se atribui essa virada conceitual dos últimos 30 anos?

Maria Cristina dos Santos – Essa questão levou Guilherme G. Felippe [7] e eu a organizarmos uma coletânea em 2016 intitulada O protagonismo ameríndio de ontem e hoje [8]. Este livro foi um exercício de levantar questões e possibilidades que o tema traz. De forma muito sumária, poderia indicar alguns pontos que ali constam: o conceito de agency possui muitas camadas interpretativas nas Ciências Sociais, mas foi incorporado na História e, em particular na história indígena, por volta de 1995 por John Monteiro [9], para ressaltar a ação daqueles personagens que se destacaram na aprendizagem das normas da sociedade envolvente. Nessa medida, são personagens que aparecem na documentação com nome e sobrenome, são autores de cartas ou petições, que interagem na sociedade colonial tanto quanto se distanciam da estrutura de suas coletividades originárias. A incorporação deste conceito na história indígena, segundo minha compreensão, foi uma tentativa de apresentar uma alternativa teórica à grande virada epistemológica apresentada anteriormente por antropólogos como Manuela Carneiro da Cunha [10] e Eduardo Viveiros de Castro [11] – inspirados em Sahlins [12] e Lévi-Strauss [13] –, que no início dos anos de 1990 buscaram sublinhar que as sociedades indígenas agem em função de sua “lógica interna” e que o contato com os europeus foi apenas mais um, mais uma oportunidade dessas sociedades de colocarem em ação “o papel ativo e criador que estes grupos sempre tiveram”.

Entretanto, se temos um indivíduo que se outorga o lugar de representante de uma sociedade indígena para encaminhar uma petição, um Tratado de Paz com a sociedade colonial, ele está se colocando a serviço da lógica colonial e não a serviço da coletividade nativa de onde provém. Ao contrário, se temos um grupo que age de acordo com sua estrutura grupal, mesmo que esta ação seja inusitada e incompreensível para os autores dos registros ou mesmo para nós porque desconhecemos essa estrutura, temos aí o que entendo como protagonismo indígena e não de um indígena. Portanto, há – pelo menos dois – protagonismos diferentes: um de indivíduos [indígenas] que estão aprendendo a serem coloniais e outro dos indígenas que possuem uma atuação de acordo com sua lógica interna, que necessariamente será diferente da lógica que move a sociedade colonial. Estas perspectivas, rapidamente esboçadas, mostram que o indígena sempre marcou seu lugar como sujeito ativo nas relações com os não índios. O que tem mudado é nossa compreensão sobre esse processo e o envolvimento dos indígenas nele.

IHU On-Line – Que avanços as relações entre História e Antropologia trouxeram para a compreensão do passado e do presente dos povos indígenas?

Maria Cristina dos Santos – História e Antropologia sempre foram campos de conhecimento próximos, complementares e, de alguma forma, rivais. A História no passado e a Antropologia no presente parecem não dispostas ao diálogo. Mas quando a experiência etnográfica ilumina aspectos da documentação histórica não percebidos pelos historiadores ou quando os registros históricos dão sentido às experiências etnográficas, o diálogo se torna necessário e enriquecedor.

As metodologias de trabalho são distintas e, inevitavelmente, há a tendência de hierarquizar fontes e métodos de pesquisa. Mas quando vemos antropólogos, como Marshal Sahlins pensando a história dos hawaianos (Ilhas da História, Como pensam os nativos) ou historiadores como Robert Darnton [14], lançando mão da antropologia para melhor explicar a história da Revolução Francesa (O Grande Massacre dos Gatos[15]), vemos que a complementaridade é muito mais vantajosa do que a rivalidade. E não só para História Indígena!

Portanto, a relação entre História e Antropologia é vantajosa para compreensão do passado e o presente desde que sejam preservados o exercício dos pensares e fazeres de cada campo de conhecimento a favor de uma compreensão mais acabada das características do presente e dos registros históricos do passado. A aliança entre História e Antropologia é benéfica e necessária para os estudos de História Indígena, mas há HistóriaS e AntropologiaS, então o jovem pesquisador, ao reivindicar a união entre estas áreas de conhecimento como base de seu estudo, deve explicitar qual linha interpretativa está sendo seguida, pois isso pressupõe leituras e compreensão diferenciadas dos registros historicamente documentados.

IHU On-Line – Quais os riscos de se constituir uma “história etnocêntrica” centrada apenas na realidade dos povos indígenas?

Maria Cristina dos Santos – Na década de 1950, Lévi-Strauss já anunciava que todo grupo humano é etnocêntrico! Por mais que exercitemos a disponibilidade “de ver o ponto de vista do outro”, escrevemos história a partir de nosso ponto de vista. Mas uma história etnocêntrica, centrada apenas na realidade dos povos indígenas, ainda está muito distante da nossa realidade acadêmica. Um projeto como A queda do céu [16], em que as palavras de Davi Kopenawa [17] são levadas a sério pelo antropólogo Bruce Albert [18] – ou seja, consideradas como o relato de um acontecimento científico incontestável –, ainda é uma exceção na antropologia e uma ‘ilha’, isolada, na história. Poderíamos pensar num vir a ser, a partir do acesso dos indígenas à educação superior, mas essa outra história indígena ainda não se sabe como será e que impactos terá na história ocidental.

IHU On-Line – De que forma a História Indígena tensiona a uma nova escrita da História da América Colonial? E o que se tem produzido a partir dessas tensões?

Maria Cristina dos Santos – Como professora de América Colonial há mais de 20 anos e como pesquisadora de História Indígena na academia, lamento afirmar que a História Indígena tem pouco apelo junto aos burocratas de plantão, como diria o refrão espanhol, responsáveis pelas reformas curriculares, mas também pouco apelo junto aos alunos. Apesar da lei nº 11.645, que coloca os conteúdos de história indígena e africana como obrigatórios no ensino fundamental e médio, em termos de proposta curricular, ainda não vi ser dada a prioridade ao ensino de história indígena, a não ser por iniciativas de alguns professores.

Os alunos são mais seduzíveis por temas de política contemporânea, ou então por temas da Antiguidade ou da Arqueologia. A História Indígena acaba ficando num limbo, vista, pela maioria dos alunos, como pouco interessante. Entretanto, cabe ressaltar que as pesquisas realizadas com grupos indígenas no período colonial na Argentina e no Brasil, por exemplo, culminaram numa proposta de redesenhar o mapa étnico desses países, mas ainda está longe, creio, de impactar uma nova escrita de História das Américas.

IHU On-Line – Como analisa o papel das Missões dos jesuítas na relação com os povos originários?

Maria Cristina dos Santos – O papel desempenhado pelas Missões é bastante complexo dentro da realidade colonial. Por um lado, se considerarmos a negativa dos jesuítas em permitir que os indígenas reduzidos fossem incluídos nos sistemas de trabalho com a mão de obra indígena, como a encomienda e a mita, vigentes em toda a América Andina, temos um papel das Missões de salvaguarda da população indígena dos excessos coloniais. Por outro lado, os missionários jesuítas se comprometeram em colocar os indígenas das Missões para atuarem em defesa das fronteiras do Império espanhol. Ou seja, por um lado, as Missões serviam como salvaguarda da vida indígena no período colonial, mas, por outro, dispunham da vida dos indígenas na formação de exércitos, em constantes batalhas contra os bandeirantes portugueses ou contra as demais ameaças coloniais, como os indígenas infiéis.

É também um espaço de negociação constante: o uso da língua guarani é permitido, as casas são comunais, mas há também as imposições da vida cristã. Em cada lado desses há uma infinidade de pesquisas e abordagens, mas grosso modo poderíamos dizer que as Missões Jesuíticas tiveram um papel de concessão, proteção e imposições para os indígenas. Entretanto, foi o registro por escrito daquele cotidiano, feito por disciplinados missionários, que nos possibilita rever e reinterpretar o evento missões e os indígenas que ali viveram.

IHU On-Line – Podemos considerar que o espaço da Missão Jesuítica também se configurou como um ponto de mediação política e cultural entre “dois mundos”?

Maria Cristina dos Santos – Claro que sim! As Missões foram um espaço de mediação por excelência. O desafio está em perceber quando e quanto a mediação foi controlada pelos missionários e quando, quanto e como foi controlada pelos indígenas…

IHU On-Line – Hoje, mais de 500 anos depois da chegada dos primeiros europeus à América, o quanto superamos a incompreensão entre duas visões de mundo: a cosmovisão indígena e a europeia/ocidentalizada?

Maria Cristina dos Santos – Pois é, 500 anos para sociedade ocidental é muito tempo. Para a sociedade indígena, me parece que essa medida de tempo não se equivale. Acho que essa superação é demasiado utópica, mas não impossível. Sempre nos parecerá mais confortável ver o indígena como aquele Outro que se aproxima de nós, dos nossos padrões de convivência, incapazes que somos de vê-lo como um Outro que busca uma relação outra com os ocidentais.

Não há aqui só um jogo de palavras: o indígena não busca outra relação com o conquistador de 500 anos atrás ou conosco. Ele busca uma relação outra, ou seja, uma potencial relação. Quando Lévi-Strauss (1981) demonstrou que a estrutura dos grupos ameríndios era sua abertura ao outro, e quando Viveiros de Castro (1992; 2002) demonstrou que essa abertura ao outro se dava porque os indígenas pensavam no seu devir, nos pareceu surpreendente considerar que os indígenas pensavam, tal qual os missionários de 400 ou 200 anos atrás. Ainda hoje admitir que os indígenas pensam sobre o futuro de sua sociedade, também nos parece algo distante. Mas a complementaridade entre História e Antropologia tem nos demonstrado o êxito dessa assertiva.

A historiografia nos oferece alguns exemplos primorosos acerca de uma fecunda aliança entre História e Antropologia, como o texto de Jean Baptista [19] (2005) sobre a relação dos indígenas e missionários com a natureza da América, a discussão proposta por Marcel Mano [20] (2011, 2012) sobre a belicosidade Kaiapó ou a tese de Guilherme G. Felippe (2014) sobre a disponibilidade dos grupos chaquenhos em aderir às novidades do mundo colonial em função do seu estoque mitológico. Esses autores nos mostram o quanto ainda nos resta por aprender e apreender do mundo indígena, registrado por missionários.

Notas:

[1] Inicialmente cabe dizer que todas as referências de obras e autores citados a seguir se encontram publicados no Dossiê Estudos Históricos Latino-Americanos: uma avaliação dos últimos 30 anos (1987-2017), da Revista História Unisinos, n. 3 de 2017, disponível aqui. (Nota da entrevistada)

[2] Vision de los vencidos, no título original. Cidade do México: Universidad Nacional Autónoma de México, 2006. (Nota da IHU On-Line)

[3] Miguel León-Portilla (1926): filósofo e historiador mexicano, especialista no campo do pensamento e da literatura Nahuatl. Desde 1988 é pesquisador emérito da Universidade Nacional Autônoma do México. (Nota da IHU On-Line)

[4] Nathan Wachtel (1935): historiador e antropólogo francês, especializado em América Latina, dedica sua pesquisa à visão da conquista espanhola pelo povo do Peru, baseada em fontes orais e fontes escritas incas em espanhol. (Nota da IHU On-Line)

[5] Serviço de Proteção ao Índio – SPI: parte constituinte do Ministério da Agricultura, Indústria e Comércio – MAIC, foi um órgão público criado durante o governo do presidente Nilo Peçanha, em 1910, com o objetivo de prestar assistência à população indígena do Brasil. O Serviço foi organizado pelo Marechal Rondon, seu primeiro diretor. O SPI foi extinto e substituído pela Funai, em 1967. (Nota da IHU On-Line)

[6] Fundação Nacional do Índio – Funai: é o órgão indigenista oficial do Estado brasileiro, criado pela Lei nº 5.371, de 5 de dezembro de 1967, vinculado ao Ministério da Justiça. Sua missão é coordenar e executar as políticas indigenistas do Governo Federal, protegendo e promovendo os direitos dos povos indígenas. São também atribuições da Funai identificar, delimitar, demarcar, regularizar e registrar as terras ocupadas pelos povos indígenas, promovendo políticas voltadas ao desenvolvimento sustentável das populações indígenas, reduzindo possíveis impactos ambientais promovidos por agentes externos. A Funai também tem por atribuição prover o acesso diferenciado aos direitos sociais e de cidadania dos povos indígenas, como o direito à seguridade social e educação escolar indígena. (Nota da IHU On-Line)

[7] Guilherme Galhegos Felippe: possui graduação em Licenciatura em História pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul – PUCRS (2005), mestrado em História pela PUCRS (2007) e doutorado em História pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos – Unisinos (2013). Tem experiência na área de História da América colonial, História Moderna, Teoria e Metodologia em História. Tem como foco de pesquisa História e Etno-história indígena. (Nota da IHU On-Line)

[8] São Paulo: Paco Editorial, 2017. (Nota da IHU On-Line)

[9] John Monteiro: possui graduação em História e é professor da Unicamp, especialista em história indígena, com vasta experiência em pesquisa documental nas Américas, Europa e Índia. É autor de Negros da Terra: Índios e Bandeirantes nas Origens de São Paulo. Jonh Monteiro ministrou a palestra Novas Perspectivas sobre a Escravidão Indígena nas Américas no evento do IHU ciclo Interpretações do Brasil: dos clássicos às novas abordagens, em março de 2007, na Unisinos. Confira entrevista sobre o tema na IHU On-Line 211, com o tema da Amazônia. (Nota da IHU On-Line)

[10] Manuela Carneiro da Cunha: antropóloga brasileira radicada nos Estados Unidos, onde leciona na Universidade de Chicago. Entre outros, escreveu Negros Estrangeiros. Os Escravos Libertos e Sua Volta A África (São Paulo: Brasiliense, 1985), História dos índios no Brasil (2ª ed. São Paulo: Companhia das Letras, 1998) e Enciclopédia da floresta: o Alto Juruá. Práticas e Conhecimentos das Populações (São Paulo: Companhia das Letras, 2002). (Nota da IHU On-Line)

[11] Eduardo Viveiros de Castro (1951): antropólogo brasileiro, professor do Museu Nacional do Rio de Janeiro, na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Concedeu a entrevista O conceito vira grife, e o pensador vira proprietário de grife à edição 161 da IHU On-Line, de 24-10-2005. Entre outras publicações, escreveu Arawete: O Povo do Ipixuna (São Paulo: CEDI), A inconstância da alma selvagem (e outros ensaios de antropologia) (São Paulo: Cosac & Naify) e Metafísicas canibais (São Paulo: Cosac & Naify). Também é autor do prefácio do livro A queda do céu – Palavras de um xamã yanomami, de Davi Kopenawa e Bruce Albert (São Paulo: Companhia das Letras). (Nota da IHU On-Line)

[12] Marshall Sahlins [Marshall David Sahlins] (1930): antropólogo dos Estados Unidos. Recebeu os títulos de bacharel e de mestre pela Universidade de Michigan, onde estudou com Leslie White, e obteve Ph.D. na Universidade de Colúmbia em 1954, onde suas principais influências intelectuais foram Karl Polanyi e Julian Steward. Lecionou na Universidade de Michigan, onde nos anos 1960 iniciou sua atividade política, que incluiu o movimento contra a Guerra do Vietnã. No final da década de 1960 esteve dois anos em Paris, onde sofreu a influência da vida intelectual francesa (particularmente de Claude Lévi-Strauss) e participou dos protestos estudantis de maio de 1968. Em 1973 transferiu-se para a Universidade de Chicago; hoje é professor emérito. (Nota da IHU On-Line)

[13] Claude Lévi-Strauss (1908-2009): antropólogo belga que dedicou sua vida à elaboração de modelos baseados na linguística estrutural, na teoria da informação e na cibernética para interpretar as culturas, que considerava como sistemas de comunicação, dando contribuições fundamentais para a antropologia social. Sua obra teve grande repercussão e transformou, de maneira radical, o estudo das ciências sociais, mesmo provocando reações exacerbadas nos setores ligados principalmente às tradições humanista, evolucionista e marxista. Ganhou renome internacional com o livro As estruturas elementares do parentesco (1949). Em 1935, Lévi-Strauss veio ao Brasil para lecionar Sociologia na USP. Interessado em etnologia, realizou pesquisas em aldeias indígenas do Mato Grosso. As experiências foram sistematizadas no livro Tristes Trópicos (São Paulo: Companhia das Letras), publicado originalmente em 1955 e considerado uma das mais importantes obras do século 20. (Nota da IHU On-Line)

[14] Robert Darnton (1939): historiador cultural e bibliotecário estadunidense. Historiador, formado em Harvard, Estados Unidos, e com doutorado em história na universidade inglesa de Oxford. Especialista em história da França do século XVIII, seus estudos estão voltados para o Iluminismo e a Revolução Francesa. (Nota da IHU On-Line)

[15] São Paulo: Paz & Terra, 2014. (Nota da IHU On-Line)

[16] São Paulo: Companhia das Letras, 2015. (Nota da IHU On-Line)

[17] Davi Kopenawa Yanomami (1956): escritor e líder indígena brasileiro. Ainda criança, viu a população de sua terra natal ser dizimada por duas epidemias, ambas trazidas pelo contato com o homem branco. Trabalhou na Fundação Nacional do Índio como intérprete. Mudou-se para a aldeia Watoriki na década de 1980. Casou-se com a filha do pajé e se tornou chefe do posto indígena Demini. Foi um dos responsáveis pela demarcação do território Yanomami em 1992. Recebeu o prêmio ambiental Global 500 da ONU. Em 2010, sua autobiografia La chute du ciel, escrita em parceria com o antropólogo francês Bruce Albert, foi lançada na França. O livro teve tradução para o inglês, francês e italiano e sua edição em português saiu em 2015, A queda do céu. Palavras de um xamã yanomami (São Paulo: Companhia das Letras). (Nota da IHU On-Line)

[18] Bruce Albert (1952): antropólogo francês, nascido no Marrocos. Participou em 1978 da fundação da ONG Comissão Pró-Yanomami, que conduziu com Davi Kopenawa em uma campanha até obter, em 1992, a homologação da Terra Indígena Yanomami, para onde viaja quase anualmente. (Nota da IHU On-Line)

[19] Jean Tiago Baptista: doutor em História (2007), é professor adjunto e vice-coordenador do Bacharelado em Museologia da Universidade Federal de Goiás – UFG. Possui experiência na área de História da América Indígena e Museologia Social, atuando a partir de temas como Democratização, Ações Afirmativas, Patrimônio e Extensão Universitária, com ênfase em acesso ao ensino superior, cultura e desenvolvimento local de grupos vulneráveis brasileiros. (Nota da IHU On-Line)

[20] Marcel Mano: doutor em Ciências Sociais – Antropologia pela Universidade Estadual de Campinas (2006), mestre em Antropologia pela Universidade de São Paulo (1996) e graduado em Ciências Sociais (Bacharelado) pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (1990). Seus projetos são desenvolvidos dentro da perspectiva dos itinerários e encontros culturais, com particular atenção às relações de contato e aos contextos de identidades e alteridades indígenas. Tem experiência na área de Ciências Sociais, sobretudo Antropologia, tendo trabalhado nos seguintes temas: Antropologia, Etnografia, Etnologia e História Indígena. (Nota da IHU On-Line)

Por: João Vitor Santos
Fonte: IHU On-Line

Deixe um comentário