Desmatamento no Brasil avança até sobre unidades de conservação, diz relatório

Estudo inédito será apresentado na Conferência do Clima na Polônia. Unidades de conservação mais atingidas ficam nos estados do Pará e de Rondônia.

Área desmatada para um garimpo de ouro numa unidade de conservação no Amapá – Erico Emed Kauano

Segundo um relatório inédito, que vai ser apresentado na Conferência do Clima, na Polônia, o desmatamento no Brasil está avançando até sobre unidades de conservação ambiental.

Para os cientistas que estudam a Amazônia, esta é a maior farmácia à céu aberto do mundo. Território vasto para a biotecnologia, para a descoberta de novos remédios e vacinas. A maior parte da água doce do planeta está lá, junto com a maior floresta tropical. As árvores retiram da atmosfera o gás que agrava o efeito estufa, ajudando o clima. E ainda produzem chuva, tão importante para as lavouras brasileiras.

Essas são apenas algumas das muitas razões para se proteger parte da Amazônia. Para isso servem as unidades de conservação. São, ao todo, 340 espalhadas pela região Norte do país. O problema é que, nos últimos 5 anos, o desmatamento nessas unidades protegidas por lei disparou; foi recorde. Ao todo, desapareceu do mapa uma área equivalente a quase três vezes a cidade de São Paulo.

Área desmatada e queimada, no Pará, para receber gado. (© Lunae Parracho / Greenpeace)

83% da área desmatada viraram pasto. “O Código Florestal novo foi votado em 2012 e perdoou parte do desmatamento ilegal. Outra coisa que aconteceu nesse período foi a redução de algumas unidades de conservação, atendendo a interesses de gente que ocupou ilegamente, loteou, vendeu”, diz Paulo Barreto, pesquisador do Imazon.

As unidades de conservação mais atingidas ficam nos estados do Pará e de Rondônia. Juntos, esses dois estados desmataram mais que todos os outros da Amazônia.

As unidades estaduais são mais vulneráveis do que as federais. Um exemplo é Rondônia, onde a Assembleia Legislativa aprovou, este ano, uma nova regra que deu plenos poderes aos deputados para criar novas unidades de conservação ou anular as já existentes.

Resultado: em menos de uma hora de discussão, os parlamentares suspenderam, em setembro, 11 unidades protegidas; abrindo caminho para a exploração de meio milhão de hectares de área verde.

O assunto foi parar na Justiça. O governo do estado só autorizou a extinção de uma unidade. E a questão continua pendente.

Os responsáveis pelo estudo vão apresentar os resultados na Conferência do Clima, que acontece na Polônia. Eles defendem um modelo de desenvolvimento que inclua as unidades de conservação. “Tem que punir mais rapidamente quem cometeu o crime ambiental. A outra é que tem que melhorar o uso dessas áreas. Essas áreas foram criadas para ajudar também no desenvolvimento regional. A Amazônia do Brasil é onde tem mais unidades de conservação e pode atrair muito mais turismo: nacional e internacional”, completa Paulo.

O governo de Rondônia afirmou que faz várias ações para conter o desmatamento, inclusive nas unidades de conservação.

O governo do Pará declarou que como não teve acesso ao estudo – e não quis se pronunciar.

Fonte: G1/ Jornal Nacional

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Um comentário em “Desmatamento no Brasil avança até sobre unidades de conservação, diz relatório

  • 7 de dezembro de 2018 em 14:21
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    O mais importante para os conservationistas e de dotar as UCs de funcoes que proporcionam valor a populacao para lazer, educacao, turismo, paz e tranquilidade, decobertas cientificas. So assim que os cidadaos poderao see opor a depredacao delas. O ICM-Bio e as unidades estaduais e municipais tem que se abrir a ideia do uso sustentavel da natureza.

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