Bolsonaro e ministro do Meio Ambiente levantam suspeitas sobre contrato de veículos do Ibama

Fiscalização do Ibama na Terra Indígena Pirititi, em Roraima. Foto: Felipe Werneck/Ibama.

Esta é uma história típica do novo jeito de se comunicar do governo federal, que usa as redes sociais para uma comunicação direta com o cidadão. Tudo começou com a postagem de uma foto no twitter oficial do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, na tarde deste domingo (06), sobre um contrato de aluguel de veículos para o Ibama. A postagem acabou se transformando em acusação. Para presidente do Ibama, acusação demonstra desconhecimento da magnitude do órgão ambiental.

O contrato assinado entre o Ibama no dia 07 de dezembro com a Companhia de Locação das Américas é no valor de 28,7 milhões. O montante chamou atenção do ministro, que preferiu publicar no Twitter antes de verificar com a autarquia se os valores não eram exagerados.

Após ser questionado sobre se a postagem era alguma acusação, o ministro afirmou que só se impressionou com o montante, mas que não acusou ninguém de nada: “Apenas chamei atenção para o valor, sem adentrar no mérito e necessidade, que veremos em breve”, disse para um internauta.

O presidente Jair Bolsonaro não foi tão cuidadoso. Ao compartilhar a postagem do ministro, afirmou que o governo estava trabalhando para desmontar “montanhas de irregularidades e situações anormais que estão sendo e serão COMPROVADAS e EXPOSTAS”

Depois disso, o presidente preferiu apagar a postagem, mas os internautas já haviam printado.

E como não poderia deixar de ser, a presidente ainda em exercício do Ibama, Suely Araújo, soltou nota em rede social, dessa vez no Instagram, rebatendo as críticas. Segundo Araújo, o contrato abrange “393 caminhonetes adaptadas para atividades de fiscalização, combate a incêndios florestais, emergências ambientais, ações de inteligência, vistorias técnicas etc., nos 27 estados brasileiros, e inclui combustível, manutenção e seguro, com substituição a cada 2 anos”.

“A acusação sem fundamento evidencia completo desconhecimento da magnitude do Ibama e das suas funções. O valor estimado inicialmente para esse contrato era bastante superior ao obtido no fim do processo licitatório, que observou com rigor todas as exigências legais e foi aprovado pelo TCU. Os valores relativos aos veículos para fiscalização na Amazônia são custeados pelo Fundo Amazônia, gerido pelo BNDES”, disse por meio da nota.

A menção ao TCU rebate outra acusação de Ricardo Salles, que respondeu o site Antagonista que não havia levantado suspeita sobre o contrato, mas acrescentou na fala a informação de que o valor do contrato havia sido questionado pelo TCU, em abril. O atual contrato foi assinado em dezembro.

“A presidência do Ibama refuta com veemência qualquer insinuação de irregularidade na contratação. Espera, por fim, que o novo governo dedique toda a atenção necessária às importantes tarefas a cargo do Ibama, e não a criar obstáculos à atuação da Autarquia”, finalizou Suely Araújo.

Por: Daniele Bragança
Fonte: ((o))eco

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