Indígenas têm casa incendiada no interior do AC e acreditam que ato foi criminoso : ‘perseguição’

Casal estava em um seminário, na Comunidade São Francisco, em Feijó, quando casa pegou fogo. Família precisa de roupas, móveis, eletrodomésticos, entre outros objetos.

Casa foi consumida por chamas durante incêndio em Feijó, interior do Acre — Foto: Arquivo pessoal

O casal de indígenas Veronilsa Lima Kaninawá, de 23 anos e Rui Nunes Kaxinawá, de 31 anos, começou uma campanha para arrecadar roupas, eletrodomésticos, móveis e outros objetos após perder tudo em um incêndio.

O fogo consumiu a casa da família e tudo que tinha dentro neste sábado (29), na Comunidade São Francisco, no Baixo Rio Envira, em Feijó, interior do Acre.

Os dois têm três filhos, de 13, 9 e 3 anos, e são da etnia Huni Kuin. Segundo Veronilsa, a família estava em um seminário, promovido pelo marido dela, quando o fogo iniciou. Ela acredita que o incêndio foi criminoso.

“Não sabemos quem foi. Meu esposo é uma liderança e tínhamos marcado uma reunião com a comunidade sobre os planejamentos para o próximo ano. Fizemos um seminário de dois dias, na sexta[27] e sábado [28]. Minha filha que avistou e avisou. Todo mundo da reunião correu para lá, mas quando chegamos o fogo estava invadindo o quarto e não deu tempo de tirar nada”, disse.

Ainda segundo a indígena, o casal pode ter sido vítima de inveja. Ela afirmou também que utilizaram gasolina para queimar a casa.

“Perdemos documentos, roupas. Vejo que é uma questão de inveja e perseguição porque meu esposo vem batalhando para defender. Ele não quer ver os índios se prostituindo, e sempre dá conselhos para os jovens sair do alcoolismo, drogas. Tem gente que não aceita. Ele não fez mal para ninguém, não deve nada. É uma liderança na aldeia”, contou.

Veronilsa revelou ainda que os criminosos entraram na casa e atearam fogo. Isso porque, segundo ela, uma cachorrinha que estava presa na residência foi solta antes do incêndio começar.

“Acho que as pessoas entraram na minha casa porque a cachorra saiu e foi para onde a gente estava. Achei que minha filha tinha ido em casa, mas foram os bandidos. Queremos ajuda. Tudo que poderem dar para a gente, estou passando por momentos difíceis. Não tenho nada nesse momento. Final de ano triste. Meus filhos ficaram com trauma”, lamentou.

Por: Aline Nascimento
Fonte: G1

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