Porcos da Amazônia são tema de novo vídeo da série Moradores da Floresta

O cateto (Pecari tajacu) e a queixada (Tayassu pecari), duas das espécies de porcos selvagens da Amazônia, são o tema de novo vídeo da série Moradores da Floresta. De caráter educativo, os vídeos trazem informações sobre algumas das espécies mais marcantes e raras das florestas da Amazônia, a partir de imagens capturadas por armadilhas fotográficas, instaladas na Reserva Extrativista (Resex) Chico Mendes (AC).

Na Amazônia, as duas espécies de pecarídeos ocorrem nos dois tipos de florestas, mas a queixada prefere florestas de várzea, enquanto o cateto prefere florestas de terra firme. Outra característica das espécies é que ambos são altamente sociáveis. O cateto vive em bandos, que variam entre seis e 30 indivíduos, enquanto a queixada em grupos maiores que podem chegar a até 100 animais.

“Espécies como os queixadas e catetos são essenciais para uma floresta saudável, pois esses animais são uma das principais fontes de alimentos para grandes carnívoros como a onça-pintada, o puma e a jaguatirica. Esses gatos selvagens só conseguem habitar áreas em que há boa disponibilidade de presas como esses porcos”, explica Felipe Spina Avino, biólogo e analista de conservação do WWF-Brasil.

Ao todo, no Brasil, existe o registro de três espécies de porcos-do-mato. Além do cateto e da queixada, também ocorre o cateto-mundéu (Pecari maximus). Todas as espécies são protegidas pela legislação brasileira (Lei nº. 5.197/1967).

Dentre as principais ameaças a esses animais estão a perda e a degradação de seus habitats e o atropelamento em estradas. Os principais predadores das espécies são a onça-pintada (Panthera onca), puma ou suçuarana (Puma concolor) e os seres humanos. Por serem animais de maior porte e viverem em bandos, as espécies são alvo frequente de caçadas.

Moradores da Floresta

Ao todo, serão 10 vídeos, um a cada mês, que retratam os resultados de uma iniciativa que instalou 20 armadilhas fotográficas no interior da Resex. O trabalho inédito, feito em parceria com os comunitários da reserva extrativista, têm monitorado a fauna presente nas áreas de manejo florestal da unidade de conservação (UC).

Desde o lançamento do primeiro vídeo, em abril de 2018, que mostrou o primeiro registro da pacarana (Dinomys branickii) em florestas amazônicas, a série Moradores da Floresta mostrou também as seguintes espécies: anta (Tapirus terrestris), canídeos e tamanduás da Amazônia.

O trabalho com armadilhas fotográficas é uma parceria entre WWF-Brasil, Cooperativa dos Produtores Florestais Comunitários (Cooperfloresta) e Associação de Moradores e Produtores da Reserva Extrativista Chico Mendes em Xapuri (Amoprex), com apoio do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e do conselho gestor da Resex Chico Mendes. O objetivo é monitorar espécies silvestres que ocorrem na Reserva Extrativista.

Armadilhas

As armadilhas fotográficas são câmeras normais equipadas com melhorias tecnológicas e apropriadas para o ambiente selvagem. Elas ficam escondidas e amarradas em árvores, funcionando com sensores de luz. Toda vez que um animal passa pela frente do equipamento, a câmera dispara automaticamente e tira uma foto ou inicia uma gravação audiovisual.

Essas câmeras utilizam infravermelho gravando bem à noite sem necessitar de luz adicional, e não espantam ou agridem os animais. Por isso, elas vêm sendo cada vez mais adotadas por conservacionistas ao redor do globo.

A instalação das armadilhas aconteceu em oficinas que reuniram cerca de 20 extrativistas e quatro deles foram treinados para serem os operadores locais dos equipamentos. Desde que foram instaladas na Resex Chico Mendes, em dezembro de 2017, as câmeras fizeram mais de 23 mil registros, que representam mais de 6,5 mil horas de gravação.

Mais de 30 espécies diferentes de animais foram flagradas pelas câmeras, entre elas estão tatus (Dasypus sp.), veados (Mazama sp.), macacos-guariba (Alouatta seniculus), macacos-prego (Cebus apela), jaguatiricas (Leopardus pardalis), entre vários outros.

Sobre a Resex Chico Mendes

A Reserva Extrativista (Resex) Chico Mendes foi criada em 1990 e possui mais de 970 mil hectares. Ela abrange sete municípios do Acre e cerca de 10 mil pessoas moram na reserva. A Resex é uma das 117 unidades de conservação apoiadas pelo Programa Áreas Protegidas da Amazônia (ARPA).

Fonte: WWF

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