Greta Thunberg: ”Não peçam aos seus filhos respostas para a bagunça que vocês fizeram”

“As pessoas continuam me perguntando ‘qual é a solução para a crise climática’. E como podemos ‘resolver esse problema’. Elas esperam que eu saiba a resposta. Isso é um absurdo, porque não há ‘soluções’ dentro dos nossos sistemas atuais.”

Depois da grande marcha pelo clima que levou às ruas mais de um milhão de pessoas, sobretudo jovens, a ativista sueca Greta Thunberg responde com um longo post no Facebook às críticas dirigidas ao movimento do qual é inspiradora.

“O argumento favorito aqui na Suécia (e em outros lugares…) é que não importa o que façamos, porque somos todos muito pequenos para fazer a diferença. A manifestação de sexta-feira foi o maior dia de ação climática global de todos os tempos, de acordo com a 350.org. Ela aconteceu porque alguns estudantes de pequenos países como a Suécia, a Bélgica e a Suíça decidiram não ir à escola, porque nada estava sendo feito sobre a crise climática. Nós provamos que o que você faz é importante e que ninguém é muito pequeno para fazer a diferença.”

A ativista, que nos últimos dias foi alvo de ataques e insultos, pede que se olhe para o problema como um todo e não para as questões individuais. “Não podemos nos focar mais apenas em questões individuais e separadas, como carros elétricos, energia nuclear, carne, aviação, biocombustíveis etc., etc. Precisamos urgentemente de uma visão holística para lidar com a crise de sustentabilidade total e o desastre ecológico em curso. E é por isso que eu sempre digo que precisamos começar a tratar a crise pelo que ela é. Porque só assim – e só guiados pela melhor ciência disponível (como está claramente afirmado em todo o Acordo de Paris) – é que podemos começar a criar juntos uma saída global.”

Greta defende os estudantes que foram às ruas. “Se nem mesmo os cientistas, os políticos, a mídia e as Nações Unidas podem falar atualmente sobre o que exatamente precisa ser feito para ‘resolver’ a crise climática (em outras palavras, reduzindo drasticamente as nossas emissões a partir de hoje), como nós, meros estudantes escolares, poderíamos saber? Como vocês podem jogar esse fardo sobre nós?”

“Então”, conclui, “por favor, parem de pedir aos seus filhos as respostas para a bagunça que vocês fizeram.”

Fonte: La Repubblica
Tradução: Moisés Sbardelotto.

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