Bolsonaro quer liberar pesca submarina em reserva onde foi multado

Jair Bolsonaro em entrevista à apresentadora Luciana Gimenez. Foto: Isac Nóbrega/PR.

Em entrevista concedida à apresentadora Luciana Gimenez, no Palácio do Planalto e exibida pela Rede TV, na terça-feira (07), o presidente Jair Bolsonaro afirmou que estuda revogar o decreto de criação da Estação Ecológica (Esec) de Tamoios para implementar na área turismo com foco em pesca subaquática. O presidente foi multado pelo Ibama nesta mesma unidade de conservação em 2012, por pescar ilegalmente.

A apresentadora não perguntou sobre a multa do Ibama, revogada recentemente, mas sobre a prática de esportes. Quando era paraquedista do Exército, em 1985, ele sofreu uma queda e teve lesões no tornozelo, o que impossibilitou a prática de esportes, como jogar futebol. Ao responder a pergunta sobre o que gosta, Bolsonaro revelou que pretende revogar a criação da unidade.

“Hoje em dia, o esporte que sobrou mesmo para mim foi a caça submarina. Pretendo implementá-la ali na região da Baía de Angra (dos Reis). Lá é uma Estação Ecológica demarcada por decreto presidencial. Estamos estudando no sentido de revogar isso aí e abrir aquela área para fazer um turismo que o Brasil merece, de modo que a iniciativa privada vai investir naquela região e quem sabe, nós temos uma Cancún, aqui na Baía de Angra brevemente”, diz Bolsonaro.

Bolsonaro, em 2012, no bote, na Esec dos Tamoios. Foto: Divulgação.

O que o presidente não disse e nem a apresentadora perguntou é que exatamente na mesma região em pretende liberar a caça submarina, Jair Bolsonaro foi multado, em 2012, em 10 mil reais por ser flagrado pescando na Ilha de Samambaia, que pertence à Esec de Tamoios, Unidade de Conservação de proteção integral gerida pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Em março, o fiscal que multou Bolsonaro foi exonerado do cargo de chefe do Centro de Operações Aéreas do Ibama.

A Estação Ecológica de Tamoios é uma área protegida relativamente pequena, de 9.361,27 hectares, localizada entre os municípios de Angra dos Reis e Paraty, no Estado do Rio de Janeiro. A área abrange cerca de 5% da baía de Ilha Grande. Criada em 1990, ela atende dispositivo legal que determina que todas as usinas nucleares deverão ser localizadas em áreas delimitadas como estações ecológicas, já que em Angra dos Reis existem duas usinas nucleares em atividade, Angra 1 e 2. As atividades de pesca, mergulho e visitação pública são proibidas dentro da área protegida, sendo permitidas apenas pesquisas científicas e mediante autorização.

Essa é a quarta unidade de conservação que o governo Bolsonaro afirma que poderá extinguir ou rever o decreto de criação. As três primeiras foram o Parque Nacional Lagoa do Peixe, no Rio Grande do Sul, a Floresta Nacional do Jamanxim, no Pará e o Parque Nacional dos Campos Gerais, no Paraná.

Por: Sabrina Rodrigues
Fonte: O Eco

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