Secretário-geral da ONU nega ter vetado Brasil e outros países na Cúpula do Clima

Secretário-geral da ONU nega ter vetado Brasil e outros países na Cúpula do Clima
Participantes da Cúpula de Ação Climática nas Nações Unidas em Nova York. 21/09/19 Johannes EISELE / AFP

Termina nesta segunda-feira (23) em Nova York a Cúpula do Clima da ONU com os discursos dos principais líderes mundiais na Cúpula da Ação Climática. O evento vai cobrar dos líderes mundiais planos reais de ação. As Nações Unidas só escolheram para participar da programação países com propostas concretas para a redução dos efeitos das mudanças climáticas. O Brasil ficou de fora.

O Brasil, assim como os Estados Unidos, Japão, Arábia Saudita e África do Sul não foram selecionados para fazer pronunciamento durante a cúpula. O Secretário Geral da ONU, António Guterres pediu aos chefes de Estado para trazerem planos e não apenas belos discursos.

De acordo com o The New York Times, “a ONU disse que escolheu os países a serem destacados na cúpula com base em resumos de um documento que eles enviaram sobre quais os novos passos positivos estavam tomando para reduzir as emissões de gases de efeito estufa e para ajudar os mais vulneráveis do mundo a lidar com o impacto das mudanças climáticas. Todos os planos aceitáveis foram informados que teriam alguns minutos no pódio.”

“Autoridades das Nações Unidas, que falaram sob condição de anonimato porque não estavam autorizadas a discutir o assunto publicamente, disseram que alguns países não conseguiram o pódio porque suas propostas não representavam medidas novas e concretas. Guterres disse que nenhum país foi ‘recusado’.”

A chanceler alemã Angela Merkel, o primeiro-ministro inglês, Boris Johnson e o presidente francês Emmanuel Macron farão discursos. Índia e China, o país que mais emite dióxido de carbono no mundo, também participam da cúpula.

Reunião sobre Amazônia

Antes da plenária final, o secretário-geral da ONU e líderes de países como França, Alemanha, Colômbia, Chile, realizam uma reunião para discutir a situação na Amazônia.

A França vai propor, entre outras medidas, um fortalecimento do Fundo Verde para o Clima. Esse mecanismo garante a transferência de recursos dos países avançados para os mais vulneráveis, a fim de financiar a transição ecológica e garantir as compensações pela não exploração de energias fósseis. O governo francês quer que os países autorizem suas agências e bancos de desenvolvimento a assumir a aplicação das diretrizes do Acordo de Paris, que busca assegurar que o aumento da temperatura média global fique abaixo de 2°C em relação ao período pré-industrial.

O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, está em Nova York e tem participado das reuniões sobre o clima, mas não deve falar na Cúpula da Ação Climática desta segunda-feira.

Pressão internacional

Segundo relatório do Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas da ONU, o mundo tem apenas 12 anos para fazer mudanças urgentes. Um novo relatório divulgado neste domingo (22) mostra que, nos últimos anos, a elevação do nível do mar, o aquecimento global, o encolhimento das camadas de gelo e a poluição de carbono aceleraram.

Emergência, mudanças imediatas e, sobretudo, ação são definitivamente as palavras de ordem deste evento que começou no sábado com a Cúpula da Juventude pelo Clima. Mais de 600 jovens de vários países se reuniram após o “alarme global” sobre a crise climática lançado por cerca de quatro milhões de pessoas que saíram às ruas ao redor do mundo. O movimento “greve global pelo clima” pode vir a ser um dos maiores protestos de massa da história exigindo uma ação a respeito do aquecimento global.

A sociedade está consciente da urgência e pressiona os líderes políticos a reagir. Nesta corrente, se espera que outros setores como o financeiro, cidades, estados e empresários também anunciem propostas hoje durante o encontro de líderes mundiais na ONU.

Agenda de Bolsonaro

O presidente Jair Bolsonaro só chega em Nova York na tarde desta segunda-feira. Ele abre a Assembleia Geral das Nações Unidas na terça-feira, com um discurso de 20 minutos.

A agenda oficial não foi confirmada, mas a assessoria de imprensa da presidência disse a jornalistas neste domingo à tarde em Nova York que Bolsonaro não planeja dar entrevista coletiva e que nenhum encontro está em seus planos, por uma questão de segurança.

Também não foi confirmado o encontro com o presidente dos Estados Unidos Donald Trump. Segundo a assessoria, os médicos do presidente preferiam que ele não viesse. Mas Bolsonaro insistiu. O foco dele nesta viagem é o discurso de abertura da 74ª Assembleia Geral da ONU quando deve defender a soberania nacional e a Amazônia.

Por: Dagmar Trindade
Fonte:
RFI

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