Mundurukus liberam rod. BR-230, após protesto contra ação de garimpeiros em terras indígenas no Pará

O grupo iniciou o protesto contra a exploração de garimpos em terras indígenas e afirma que têm sofrido ameaças após manifestações.

Indígenas da etnia Munduruku liberaram nesta terça (15) a rodovia BR-230, a Transamazônica, no trecho que estava interditado desde segunda. O grupo iniciou o protesto contra a exploração de garimpos em terras indígenas e afirma que têm sofrido ameaças após manifestações.

O ponto de bloqueio ficava a cerca de 8 quilômetros da sede do município de Jacareacanga, no oeste do estado. Os manifestantes decidiram liberar a rodovia depois que uma reunião na Câmara de Vereadores de Jacareacanga foi marcada para a próxima quinta (17).

Os indígenas também são contra a regularização da mineração nas terras indígenas e exigem a retirada imediata de garimpeiros que atuam no território Munduruku.

De acordo com a Conselho Indigenista Missionário (Cimi), o povo Munduruku tem se mobilizado e realizado manifestações contra a legalização do garimpo em terras indígenas desde o dia 27 de setembro. No total, o povo Munduruku abrange 14 mil indígenas que vêm sendo diretamente afetados pela atividade garimpeira.

Em comunicado, a Cimi informou que o garimpo só traz prejuízos ao território: “Vocês estão destruindo nossos locais sagrados, perturbando o mundo dos nossos espíritos. Isto traz doenças e morte para nosso povo. Não vamos aceitar mais destruição. Nossos rios estão poluídos com mercúrio, nossos peixes estão morrendo”, declarou.

Em fevereiro de 2018, o Ministério Público Federal (MPF) ajuizou uma ação que visava garantir a fiscalização contra garimpagem ilegal no território Munduruku. Na ocasião, denúncias apontavam uma série de danos socioambientais provocados pela intensa atividade dos garimpos, como a redução da pesca, contaminação por mercúrio, além de afetar os costumes da comunidade ao trazer bebidas alcoólicas, drogas e prostituição para a região.

O MPF informou que a situação da exploração do ouro na região é polêmica e divide os próprios indígenas. Um outro grupo protestou também na segunda a favor da garimpagem, segundo o MPF. Em nota, o órgão afirmou que a exploração é criminosa e que não participará da discussão sobre a legalização da garimpagem em Jacareacanga, uma vez que o tema é “competência do governo federal e do Congresso Nacional”.

Fonte: G1 Pará

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