Diferenças nas queimadas da Austrália e do Brasil

Desde setembro de 2019 as florestas tropicais da Austrália enfrentam queimadas sem precedentes: segundo o último balanço divulgado nesta segunda-feira (6) pelo governo australiano, 25 pessoas morreram, quase 8 milhões de hectares foram queimados e cerca de 500 milhões de animais morreram. Um mês antes, em agosto, a Amazônia enfrentou um dos maiores índices de queimadas já registrados.

Focos de incêndio na Amazônia são os maiores desde 2010

As comparações começaram a ser feitas, o presidente Jair Bolsonaro e o Ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles questionaram em suas redes sociais sobre a suposta falta de cobertura da imprensa e críticos, dando a entender que eles estão comparando as queimadas da Amazônia com as da Austrália.

Mas os casos não são similares. Apesar da gravidade e dos riscos para a população e animais, a vegetação da Austrália é mais acostumada com o fogo e se adapta para recuperar mais rápido, além disso os incêndios são naturais e se espalham pela floresta tropical seca. Neste verão as ondas de calor chegaram a cerca de 50°C junto com ventos fortes e intensos. Na Amazônia as plantas não tem adaptação ao fogo e a floresta tropical úmida só queima se alguém colocar fogo. Na Austrália a queimada ocorre na floresta em pé, no Brasil foi em áreas já desmatadas.

Jos Barlow, da Universidade de Lancaster (Inglaterra) e da Rede Amazônia Sustentável afirmou ao UOL que “os dois casos (Austrália e Amazônia) são graves, mas de modos diferentes. O custo humano em termos de mortes é obviamente maior na Austrália, mas o custo para emissões de carbono pode ser maior na Amazônia. São duas situações super importantes, e cada uma merece investimento e interesse dos seus governos”

As mudanças climáticas facilitaram as condições para o fogo se expandir. Ambos governos negam que vem ocorrendo mudanças no clima e durante a 25º Conferência do Clima, realizada em Madrid, na Espanha, foram países que travaram as negociações. O governo de Scott Morrison sofre grande rejeição por conta de seus incentivos a combustíveis fósseis, um dos contribuintes para o aquecimento global. Já os protestos contra Ricardo Salles foram por conta da ineficácia de um governo que em agir diante das queimadas.

Fonte: Amazônia.org.br

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