Os planos de biocombustíveis do Brasil impulsionam o desmatamento

Estrada de acesso ao território quilombola Turé III cercada pela plantação de dendê da Biopalma, empresa que compõe o consórcio Bio-Vale, no Pará
(Foto: Cícero Pedrosa Neto/Amazônia Real)

Em 07 de janeiro de 2020 a Nature, que é a revista científica com maior fator de impacto no mundo, publicou um breve texto nosso de “correspondência” [1], cuja tradução se segue:

A comunidade científica, os formuladores de políticas do Brasil e o público geral precisam tomar medidas coordenadas contra os planos de ampliação da produção de biocombustíveis à custa da floresta amazônica. O presidente brasileiro Jair Bolsonaro suspendeu a proibição do cultivo de cana-de-açúcar na Amazônia por decreto em novembro de 2019 para ajudar a impulsionar a produção de biocombustíveis do país.

Os planos para produzir mais óleo de palma (dendê) para biocombustível no estado de Roraima seguem, onde foi inaugurada uma usina de beneficiamento em abril do ano passado. No oeste do estado do Amazonas, novas estradas poderiam abrir áreas anteriormente inacessíveis para plantações de dendê e impulsionar outros ciclos devastadores de desmatamento.

Depois que o presidente assumiu o cargo em janeiro de 2019 [2], um consórcio do governo anunciou investimentos de 4,4 bilhões de reais (US $ 1,1 bilhão) em seis estados da Amazônia – Amazonas, Acre, Amapá, Mato Grosso, Rondônia e Roraima – para instalação de usinas movidas a etanol de milho.

O etanol de milho foi escolhido por causa da proibição da produção de cana-de-açúcar, introduzida para conter o desmatamento e a perda de serviços ecossistêmicos essenciais para a agricultura brasileira e para mitigar as mudanças climáticas globais [3].

A suspensão da proibição aumenta a já enorme pressão sobre a floresta tropical vindo da pecuária, produção de soja, represas hidrelétricas e mineração.

Por: Lucas Ferrante e Philip Martin Fearnside
Fonte: Amazônia Real

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