Pesquisadores descobrem 31 novas espécies de aves no Parque Estadual Chandless, no AC

Parque abriga 438 espécies de aves. Número equivale a mais da metade das aves do Acre.

Capitão-de-colar-amarelo é uma das aves que entraram para a lista do Chandless no ano passado — Foto: Ricardo Plácido/Arquivo pessoal
Capitão-de-colar-amarelo é uma das aves que entraram para a lista do Chandless no ano passado — Foto: Ricardo Plácido/Arquivo pessoal

Chupa-dente-do-peru, Barbudo-de-coleira, Capitão-de-colar-amarelo e Tem-tem-de-crista-amarela. Essas são algumas das 31 espécies de aves novas que entraram para a lista do Parque Estadual Chandless, registradas em 2019. Metade delas só pode ser observada dentro da reserva.

O Chandless ocupa 4% do território do Acre e guarda uma rica biodiversidade. Criada em 2004, a Unidade de Conservação de Proteção Integral ocupa uma área de 695 mil hectares e abrange os municípios de Manoel Urbano, Sena Madureira e Santa Rosa do Purus. Abriga 438 espécies de aves, das quais 31 foram descobertas no local ano passado.

O número total de aves é mais da metade do que se encontra em todo estado do Acre. “A gente teve um aumento significativo de espécies. Tínhamos 407 e fomos para 438”, explica o biólogo da Secretaria de Meio Ambiente (Sema), Jesus Rodrigues, que é responsável pela gestão do parque.

Em 2016, a reserva ganhou a primeira plataforma de observação de aves do Acre, com 30 metros de altura. Apesar das dificuldades de acesso, o parque atrai cada vez mais amantes do turismo de observação de aves.

“A gente tem um potencial incrível. As espécies são exclusivas do habitat, só ocorrem lá. Então é super importante que a gente tenha, porque o parque acaba sendo a única unidade que é formalmente uma área protegida e que realmente protege as espécies que estão lá”, explica o biólogo Jesus Rodrigues.

Para estimular o turismo na região é preciso melhorar a logística de acesso às visitações ao local, explica ele.

“A gente tenta viabilizar a logística e infraestrutura para que o parque não seja só de aves, mas de macacos, peixes, plantas, um lugar bacana, que acaba atraindo as pessoas e para que elas saibam que é um polo de atração”, diz.

Chupa-dente-do-peru,  Barbudo-de-coleira, Capitão-de-colar-amarelo e Tem-tem-de-crista-amarela são alguns das espécies encontradas — Foto: Ricardo Plácido/Arquivo pessoal
Chupa-dente-do-peru, Barbudo-de-coleira, Capitão-de-colar-amarelo e Tem-tem-de-crista-amarela são alguns das espécies encontradas — Foto: Ricardo Plácido/Arquivo pessoal

716 espécies no Acre O biólogo da Divisão de Áreas Protegidas e Biodiversidade (DAPBIO) da Secretaria de Meio Ambiente (Sema), Ricardo Plácido, explica que em todo Acre são pelo menos 716 espécies de aves registradas.

“Isso corresponde a mais da metade das espécies da Amazônia que possui aproximadamente cerca de 1,3 mil espécies”, explica Plácido.

O Parque Estadual Chandless, cuja maior parte fica no município de Manoel urbano, se destacou em 2019 em meio ao cenário nacional do circuito de observação de aves.

Expedições experimentais para lançar o parque no roteiro foram feitas com grupos diversos de adeptos da observação de aves. Com isso, registros de espécies raras foram feitos e publicados, chamando a atenção da comunidade de observadores de aves do Brasil. A edição da revista inglesa Birdwatching de fevereiro conta a experiência do inglês Giles Roberts dentro do Chandless, em 2019.

“Lugar de natureza exuberante e preservada, o Parque Estadual Chandless abriga uma rica diversidade de aves com mais de 400 espécies, algumas delas são extremamente raras e seus registros são considerados valiosos junto aos observadores de aves”, destaca o biólogo.

Veja espécies que só podem ser vistas no Chandless:

  • japu-de-rabo-verde (Cacicus latirostris),
  • japu-de-capacete (Cacicus oseryi),
  • capitão-de-colar-amarelo (Eubucco tucinkae),
  • chupa-dente-do-peru (Conopophaga peruviana),
  • barbudo-de-coleira (Malacoptila semicincta),
  • tem-tem-de-crista-amarela (Lanio rufiventer),
  • tovacuçu-xodó (Grallaria eludens),
  • tovaca-estriada (Chamaeza nobilis),
  • sanã-zebrada (Laterallus fasciatus),
  • cotinga-azul (Cotinga maynana),
  • freirinha-amarelada (nonnula sclateri),
  • barranqueiro-ferrugem-do-acre (Clibanornis watkinsi),
  • borralhara-ondulada (Frederickena unduliger),
  • corneteiro-da-mata (Liosceles thoracicus)

Consta ainda a provável ocorrência do ameaçado de extinção tecelão-do-acre ou japim-da-selva (Cacicus koepckeae) que foi registrado nos levantamentos do plano de manejo do Parque, mas ainda não foi encontrado pelos observadores de aves.

Por: Alcinete Gadelha
Fonte: G1

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