Artigo | O que a pandemia de coronavírus tem a ver com ecologia

A covid-19 surgiu em animais destinados ao mercado, ainda vivos e que ficam enjaulados

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Pássaro fotografado por projeto da Universidade Estadual de Londrina, que monitora 350 espécies de aves no Paraná – UEL

Nos momentos em que surgem as epidemias virais, os governantes e as elites econômicas tentam ocultar o fato para que não haja desgaste de mandatários e nem quebra no ritmo de negócios ou recessões.

Notório e histórico foi o caso da Gripe Espanhola que teve início em Kansas, Estados Unidos, em um campo de treinamento de tropas para a primeira guerra mundial (1814-1818). Espalhou-se, primeiramente, entre os países que estiveram em guerra. Todas as mortes causadas pelo vírus Influenza (peste pulmonar) era atribuída à ação de guerra. A verdade era ocultada pelos países em guerra, mas os jornais da Espanha, que esteve neutra, resolveram publicar as verdadeiras causas de tantas mortes, nada menos que 50 milhões de pessoas. Por isso, a Espanha ficou sendo considerada como o ninho da serpente.

Na atualidade, essas epidemias e pandemias ocorrem com mais frequência. Embora as formas de combate-las tenha evoluído, ainda é assustadora a quantidade de mortes que elas causam, a exemplo do Ebola na África; Zica, na América Latina, Dengue, Chikungunya e Febre Amarela.

Na emergência do neoliberalismo e na globalização da economia, apareceu uma explícita resistência à proteção do meio ambiente. Isso ficou claro em diversas conferências internacionais, nas quais os EUA se negaram a assinar acordos. Ao ser eleito presidente dos EUA, Donald Trump manifestou o desejo de abandonar o Acordo de Paris.

Bolsonaro o imitou nessa intenção e só não o fez para não sofrer restrições na União Europeia. Muito difundido são seus ataques verbais a ambientalistas mundialmente conhecidos. Muito conhecido o desejo de Trump e Bolsonaro de permitir que as empresas explorem a natureza sem nenhuma condição ou restrição e, ao mesmo tempo, encobrir ou tamponar os efeitos da destruição das florestas e os danos causados pelas mineradoras.

Os animais selvagens convivem harmoniosamente com os insetos que são hospedeiros dos micróbios, que lá não lhes fazem mal. Os carrapatos que se hospedam nas capivaras não causam febres maculosas nos demais. Com a destruição das florestas, os morcegos herbívoros migram para os pomares e contaminam as frutas com salivas e os morcegos hematófilos transmitem o Lissavirus, responsável pela doença raiva. Sabe-se que as espécies de mosquitos portadores e transmissores de doenças a humanos são muito mais numerosos em regiões desmatadas que em florestas virgens.

Em 2016, a jornalista e cientista Sonia Shah publicou um livro nos EUA, no qual revela a origem do coronavírus. A SARS, Síndrome Respiratória Aguda Grave, sigla em inglês, foi desenvolvida em animais destinados ao mercado, ainda vivos e que ficam enjaulados; enormes carretas transportando animais vivos, atritando uns aos outros e confinamento em espaços limitados transmitindo vírus mutuamente.

Não é coincidência que os primeiros casos de coronavírus que se manifestaram no Brasil, em 2020, foram de pessoas que passaram muitas horas confinadas em viagens de avião, próximas a passageiros, recebendo e passando o tal vírus. Relembremos que a gripe espanhola surgiu em amontoados de soldados, como frangos em gaiolas de tela.

Os atuais governos dos EUA e do Brasil, aliados aos pecuaristas, jamais revelariam estar aí a origem do coronavírus. O resto é silêncio, como diz Shakespeare na boca do personagem Hamlet.

*Antônio de Paiva Moura é docente aposentado do curso de bacharelado em História do Centro Universitário de Belo Horizonte (Unibh) e mestre em história pela PUC-RS.

Por: BdF Minas Gerais
Fonte: Brasil de Fato

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