Ministério da Justiça autoriza uso da Força Nacional para ‘preservar’ prédio da Funai em Brasília

O Ministério da Justiça autorizou o uso da Força Nacional de Segurança Pública em apoio à Fundação Nacional do índio (Funai), em Brasilia (DF), para “preservação da ordem pública” nestas quinta (12) e sexta-feira (13), devido à chegada de alguns grupos indígenas descontentes com a atual gestão. A medida visa principalmente preservar o interior do prédio da instituição na capital.

O blog procurou o Ministério da Justiça sobre a autorização de uso da Força Nacional. A pasta informou que a decisão é resposta a um pedido da Funai “para controle, já que havia o risco de invasão”. A Fundação, contudo, ainda não respondeu o blog.

De acordo com indigenistas da Funai, duas etnias descontentes com a atual gestão devem fazer protestos nesta quinta (12) na Funai. O primeiro, os Kayapos, já estão nas proximidades da sede da Funai. São indígenas do Mato Grosso. O segundo grupo, os tupinambas, povos originários da Bahia, devem chegar à tarde no edifício-sede da Fundação.

Segundo a portaria assinada pelo ministro Sérgio Moro, o prazo de apoio prestado pela Força Nacional poderá ser prorrogado, se necessário. O documento não detalha o contingente que será disponibilizado e informa apenas que ele obedecerá ao planejamento definido pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, por meio da Diretoria da Força Nacional de Segurança Pública.

A atual gestão da Funai, que tomou posse em meados do ano passado, tem sido alvo de críticas de indigenistas e dos próprios servidores do órgão. Recentemente, a escolha do antropólogo e missionário Ricardo Lopes Dias para a Coordenação-Geral de Índios Isolados e Recém Contatados fez o Ministério Público Federal (MPF) pedir a suspensão de sua nomeação.

A juíza federal Ivani Silva da Luz, da 6ª Vara do Distrito Federal, decidiu manter a nomeação. Ricardo Lopes atuou como missionário em uma organização que prega a evangelização de indígenas (até mesmo aqueles que se decidiram pelo isolamento). Por isso, sua nomeação gerou repúdio entre servidores e técnicos da Funai, que defendem a político de zero contato com essas comunidades desde a década de 1980.

A Funai também trocou o comando de 20 das 39 coordenadorias regionais do país em apenas seis meses. No início de fevereiro, ocorreram mudanças nas regiões de Ribeirão Cascalheira, Campo Grande e Baixo São Francisco.

Os novos ocupantes das coordenadorias são todos militares da ativa ou da reserva e indicam uma mudança na forma de escolha dos coordenadores que, historicamente, sempre foram escolhidos após diálogos com indígenas, representações e servidores.

Por: Matheus Leitão
Fonte: G1

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