Resumo da Semana


– Casos de Covid-19 aumentam; indígenas são infectados e a demissão do Ministro da Saúde

– Desmatamento explode e fiscalização causa demissão no Ibama

– A MP da Grilagem está de volta

– Coronavírus e o Agronegócio

Casos de Covid-19 aumentam; indígenas são infectados e a demissão do Ministro da Saúde

O Brasil registra mais de 30 mil casos confirmados do novo coronavírus e quase 2 mil mortes. Na Amazônia Legal, o estado do Amazonas é o que mais preocupa com o sistema de saúde entrando em colapso. Um vídeo divulgado esta semana mostra corpos de pacientes com suspeita de Covid-19 ao lado de internados em hospital.  

No Pará, o governador do estado testou positivo para covid-19

No sábado mais dois indígenas morreram por causa do coronavírus. Uma das mortes foi de uma indígena Kokama, de 44 anos, e o outro óbito foi de indígena da etnia Tikuna, de 78 anos. Quatro Em março centenas de pessoas teriam participado do funeral de uma indígena Borari sem os cuidados recomendados pelo Ministério da Saúde. Há ainda outros 23 casos estão sendo tratados como suspeitos. 

Diante da ausência de políticas de proteção, pelo menos 23 etnias decidiram criar suas próprias barreiras sanitárias para impedir o acesso de pessoas de fora da comunidade. 

E no meio da crise, Jair Bolsonar decidiu trocar o ministro da saúde. Luiz Henrique Mandetta foi demitido substituído por Nelson Teich.


Desmatamento explode e fiscalização causa demissão no Ibama

De acordo com os dados do sistema, de agosto de 2019 a março de 2020, foram identificados 5.260km² com alertas de desmatamento, quase o dobro do que foi registrado no mesmo período entre 2018 e 2019 (98% de crescimento). Já o número de alertas para degradação florestal são ainda mais alarmantes, no mesmo período foram detectados 10.010 km², frente aos 4.509 km² de alertas registrados no período anterior (aumento de 122%). 

Preocupam principalmente os dados do primeiro trimestre deste ano, já que devido às chuvas fortes este período costuma apresentar os dados mais baixos de desmatamento na região. Este ano, entretanto, nem a chuva impediu que o desmatamento janeiro e março alcançasse a marca recorde para o período de 796,08 km². A pressão sobre áreas protegidas e terras indígenas está crescendo.

O jornal semanal Fantástico fez uma matérias sobre uma megaoperação do Ibama que tenta afastar garimpeiros e madeireiros de três terras indígenas no sul do Pará onde vivem cerca de 1.700 índios. Dois dias depois o Diretor de Proteção Ambiental do Ibama, Olivaldi Azevedo, foi exonerado. Os rumores que circulam pelos corredores do órgão ambiental é de que a exoneração teria sido feita como retaliação do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, que não teria aprovado a reportagem, ou melhor, não teria aprovado a própria operação de fiscalização. A queda está sendo vista por fiscais ambientais como uma forma de paralisar o órgão. 

Salles nomeou um oficial da Polícia Militar de São Paulo, o coronel Olímpio Ferreira Magalhães, para o cargo.

MP da Grilagem está de volta

Seis ex-ministros do Meio Ambiente, 3 ex-ministros do Desenvolvimento Agrário, 27 parlamentares estaduais e federais e dezenas de organizações ambientalistas assinaram nota conjunta contra a iminente votação da Medida Provisória 910/2019, conhecida como MP da Grilagem.

Os signatários da carta afirmam que a Medida Provisória estimula desmatamentos, já que incentiva novas ocupações de áreas públicas por facilitar regularização e estender benefícios direcionados à reforma agrária para ocupantes de glebas extensas (até 1.500 hectares na MP e até 2.500 hectares nas duas versões divulgadas pelo relator na comissão mista, Irajá Abreu). Com a publicação, as normas contidas na MP já estão em vigor, mas precisam ser aprovadas pelo Congresso até o dia 19 de maio, ou caducará.

Coronavírus e o Agronegócio

Para acompanhar os impactos da pandemia do coronavírus e as consequentes medidas sanitárias e econômicas no agronegócio, o Cepea, centro de pesquisas econômicas da Escola Superior da Agricultura Luiz de Queiros, da Universidade de São Paulo, está divulgando boletins com análises periodicamente. O primeiro documento afirma que com o crescimento do PIB brasileiro de 2020 revisado para baixo, a retomada econômica não irá acontecer. O emprego e o poder de compra da população continuarão comprometidos e, com isso, a demanda doméstica seguirá como um desafio para algumas cadeias do agronegócio. 

As exportações, por outro lado, até o momento, vão bem e o dólar elevado favorece a receita do exportador, a perspectiva é que os setores ou estabelecimentos mais dependentes da demanda doméstica sejam os mais afetados Leia o documento completo.

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