Com leitos que seguem tradições indígenas e ‘sala do pajé’, AM inaugura ala para índios com Covid-19 em hospital

Ala terá 20 leitos de alta complexidade e 33 leitos clínicos. Serão recebidos índios de Manaus e outras regiões do Amazonas.

Governo do Amazonas inaugura ala em hospital para indígenas com Covid-19 — Foto: Rebeca Beatriz
Governo do Amazonas inaugura ala em hospital para indígenas com Covid-19 — Foto: Rebeca Beatriz

O Amazonas inaugurou, na manhã desta terça-feira (26), uma ala médica exclusiva para indígenas com Covid-19 que devem receber tratamento no Hospital da Nilton Lins. O local contará com uma estrutura humanizada, levando em consideração as tradições indígenas, com adaptação de redes e “sala do pajé”.

Ao todo, serão disponibilizados 20 leitos de alta complexidade e 33 leitos clínicos na ala indígena – para índios de Manaus e outras regiões do Amazonas. Toda a estrutura passou pelo crivo, em acordo com representantes indígenas, para que a cultura fosse respeitada dentro da ala.

“É o primeiro hospital indígena do país. Isso vai ajudar em muito nossos irmãos. Todos que se declararem indígenas serão acolhidos. Aqui estamos montando leitos de acordo com as tradições indígenas, com redes, com espaços voltados para tradições, como a sala do pajé e outras recomendações acordadas com os responsáveis”, explicou o governador Wilson Lima.

A sala do pajé, assim como em aldeias e distritos indígenas, funciona como uma espécie de sala de triagem, onde o líder,, por tradição, sempre acompanha seus “pacientes”.

Ainda na primeira quinzena de abril, o governo do Amazonas anunciou que o estado receberia, por meio do Ministério da Saúde, um hospital de campanha com atenção voltada a indígenas contaminados pelo novo coronavírus. Essa instalação passa a ser a adaptação da ala no hospital de retaguarda.

Na ocasião, o ministro interino da saúde, general Eduardo Pazuello participou de uma visita pela unidade, mas não deu entrevista à imprensa. Também estavam presentes o governador do Amazonas, Wilson Lima e o prefeito de Manaus, Arthur Neto, o coordenador da Sesai, Robson Santos e representantes indígenas.

Amazonas concentra 60% de casos de indígenas contaminados

O Amazonas concentra quase 60% dos casos de Covid-19 em indígenas do país, com mais de 450 casos confirmados de Covid-19 em populações indígenas – aldeados nos sete Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEI) do estado, segundo o boletim epidemiológico da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) divulgado no sábado (23).

Dos casos de contaminação entre a população indígena do Amazonas, a região do Alto Rio Solimões com 282 casos confirmados e 18 mortes registra o pior cenário. No entanto, o número de cura no local é de 184. De acordo com a Sesai, a população nessa região é de 70.823 indígenas.

Ao todo, são 27 etnias e 236 aldeias. A região conta com 16 unidades básicas de saúde, mas somente uma casa de saúde indígena. São também 13 polos base.

A região menos infectada é no Vale do Javari com apenas um caso de Covid-19 confirmado e sem registro de óbitos. A população é de 6.281 pessoas, dividida em sete etnias entre 60 aldeias. Esse DSEI conta com oito unidades básicas de saúde indígena e apenas uma casa de saúde indígena.

Índios cobram melhorias

Indígenas foram à porta do hospital de referência de Manaus para protestar — Foto: Carolina Diniz
Indígenas foram à porta do hospital de referência de Manaus para protestar — Foto: Carolina Diniz

O coordenador das organizações e comunidades indígenas de Manaus e entornos, Turi Sateré, do Povo Sateré Maué cobrou melhorias no atendimento à saúde indígena.

“Falta estrutura, tanto nos territórios quanto na própria cidade. É necessário que os índios venham para Manaus para serem atendidos”

O Governo do Estado chegou anunciar que estava estudando a abertura de enfermarias em comunidades indígenas para pacientes de Covid-19 atendidos na região. A medida foi proposta após uma reunião entre representantes da Secretaria de Saúde do Amazonas e da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), mas ainda não existem maiores detalhes sobre o estudo.

Por: Rebeca Beatriz
Fonte: G1

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